terça-feira, 20 de novembro de 2018

Por que os médicos brasileiros não vão para as regiões afastadas?

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Há três motivos pelos quais os médicos brasileiros não vão para regiões afastadas:

1) A elitização do curso: cursar medicina no Brasil custa muito caro em uma universidade particular e nas públicas é demasiado concorrido. Por isso poucas pessoas das classes populares, com conhecimento das regiões periféricas, chegam na faculdade de medicina.

2) A formação: a origem social dos médicos não explica tudo. Outro fator importante é que as universidades de medicina no Brasil não formam os médicos para atuar em comunidades e situações de extrema precariedade, como em crises humanitárias.

3) As condições de trabalho: se nas grandes metrópoles brasileiras as instituições públicas de medicina que atendem a população já são precárias, nas regiões mais afastadas essa precarização é ainda mais grave. A falta de condições de trabalho prejudica o trabalho de qualquer profissional mas no caso dos médicos essa situação pode levar pessoas a óbitos, o médico pode ser processado e responsabilizado por uma tragédia da qual não tem culpa e assim perder o seu diploma.

Os médicos cubanos possuem uma formação comunitária, de uma medicina preventiva, não são formados pensando em ganhar dinheiro e têm experiência de trabalho em situações de extrema precariedade, como em crises humanitárias oriundas de tragédias naturais. Por isso, tiveram menos dificuldades de trabalhar no interior do Brasil do que os médicos brasileiros.

A situação da saúde no Brasil só pode ser revertida com políticas públicas governamentais voltadas para uma nova formação, melhoria das condições de trabalho, ampliação dos cursos de medicina com qualidade e facilitando a entrada de pessoas das classes populares, todas medidas que demandam mais investimentos – coisa que o PT não fez em 13 anos e que Bolsonaro não fará já que seu programa de governo chega ao cúmulo de dizer que os recursos aplicados em saúde no Brasil estão no nível dos países da OCDE e a sua política econômica está comprometida com o ajuste fiscal que tira da saúde do povo para dar aos banqueiros e especuladores.




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sábado, 17 de novembro de 2018

Governos e torcidas

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- Quando Lula subestimou a crise, chamando-a de “marolinha”, criticamos e alertamos que era questão de tempo para ela chegar no Brasil como um “tsunami”.
- Quando Dilma iniciou o ajuste fiscal criticamos alertando que tal programa econômico não havia tirado nenhum país da crise.
- Quando Temer deu prosseguimento ao ajuste elaborado por Dilma criticamos e alertamos que tal programa econômico aprofundaria o caos social.
- Agora que Bolsonaro quer radicalizar o ajuste de Dilma/Temer, e alertamos que tal política econômica já se mostrou desastrosa, os bolsominions pulam da cadeira e nos acusam de “secadores” que torcem contra o Brasil!
Ora, economia política não é futebol onde uma direção de clube às vezes consegue montar um time vencedor com renegados e desconhecidos, em suma, com uma política que dá errado na maioria das vezes. Futebol é um esporte coletivo que depende do entrosamento entre os atletas, o treinador e a direção já economia política é ciência com séculos de amostragem do que funciona e do que não funciona.


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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Tudo coisa de comunista!

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- O 1º de maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, é uma homenagem aos anarquistas que foram presos e enforcados em um julgamento fraudulento por liderarem uma greve na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, em 1886, que reivindicava a jornada de 8 horas de trabalho.

- A Internacional Comunista, fundada por Karl Marx e Friedrich Engels, defendia e participava das lutas dos trabalhadores.

- O 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, é uma homenagem à greve das operárias russas da cidade de Petrogrado, ocorrida em 1917, iniciando um processo que desencadeou uma revolução que terminou por derrubar o regime do Czar Nicolau II.

- A União Soviética foi o primeiro país a reconhecer a igualdade entre homens e mulheres e a criar uma legislação para homossexuais.

- Foram os comunistas que lutaram pelo sufrágio universal, ou seja, para que os pobres pudessem ter o direito de votar. Foram as feministas comunistas que lideraram as lutas pelo direito das mulheres votarem.

- Os comunistas estiveram nas lutas pelos direitos civis dos negros, dos direitos indígenas e nas lutas de independência dos países atrasados.


Em todos esses episódios a tradição de pensamento liberal e conservadora -- em suma, a direita -- esteve do outro lado da barricada, se colocando com todas as forças contra os direitos dos trabalhadores, das mulheres, dos gays, dos negros, dos índios e contra o sufrágio para os pobres e as mulheres.





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domingo, 4 de novembro de 2018

Escola “sem” Partido: o casamento da estupidez com a conveniência

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Aproveitando o resultado eleitoral o governo Bolsonaro tenta impor o Projeto “Escola sem Partido” antes ainda de tomar posse. É preciso conhecer os pressupostos ideológicos e a sua conveniência econômica no atual contexto.

A base teórica do “Escola sem Partido” é uma teoria conspiratória, sem pé nem cabeça, chamada “marxismo cultural”. De acordo com essa tese a esquerda teria abandonado a tomada revolucionária do poder e substituído pela infiltração institucional com o objetivo de ganhar a hegemonia cultural da sociedade e implantar o comunismo a conta gotas. A grande mídia burguesa, as universidades e as escolas seriam algumas dessas instituições.

Marx, Engels, Lenin, Trotsky, entre outros, seriam meros defensores do “ataque frontal”, em suma, da revolução violenta, ao passo que em superação deles Antônio Gramsci, György Lukács e a Escola de Frankfurt teriam elaborado e sugerido uma “guerra cultural”. Nada mais falso! Nem os primeiros negligenciaram a questão cultural, nem Gramsci e Lukács abandonaram a insurreição.

Como os meios de produção não tem como serem socializados e como nenhum país esteve próximo de chegar sequer no socialismo com tal via o próprio conceito de comunismo teve de ser reelaborado, não pela esquerda mas pela própria direita crente de tal teoria. Olavo de Carvalho afirmou em artigo que “o comunismo não é um modo de produção” mas “um movimento político” que visa o “controle efetivo e total da sociedade civil e política” [1], definição ampla que serve para taxar de “comunista” tudo aquilo que desagrada essa direita.

Por acreditarem estar vivendo uma “guerra cultural” é nesse terreno que querem combater com todas as forças. Daí a ideia de um projeto que visa extirpar toda a contribuição científica que lhes pareça “vermelha” e a aplicação de uma revisão que traga a “verdade”. Assim, a “doutrinação” ideológica seria eliminada e a “ciência verdadeira” finalmente estabelecida. Porém, não tarda para que os argumentos em pró da aplicação de tal empreitada se esfacele na solidez científica e na contradição da prática concreta.

A neutralidade é impraticável e pensadores insuspeitos de serem parte da trama do “marxismo cultural”, como David Hume e George Berkeley já deixaram isso evidente em seus escritos de séculos atrás. A abolição da ideologia não seria referendada pelo liberal Ludwig von Mises que afirmava ser o liberalismo uma ideologia também.

No plano prático é que as contradições dos partidários com partido do “Escola sem Partido” se revelam em toda a sua hipocrisia. Em um debate com a representante do sindicato dos profissionais da educação do Rio Grande do Sul (CPERS) o deputado Marcel van Hattem foi questionado pelo jornalista mediador sobre como um professor deveria agir diante de um aluno simpático a ditadura militar. Hattem então sugeriu um proselitismo em defesa do livre mercado, o que contrariaria o projeto defendido pelo próprio deputado [2]. A deputada recém-eleita, Ana Caroline Campagnolo, pediu para os alunos denunciarem professores que emitissem opiniões contra Jair Bolsonaro. Só os que criticassem, afinal, ela lecionava tranquilamente com a camisa do referido político. Como se tudo isso não bastasse temos que os heróis anti-doutrinação estão entre os maiores divulgadores de fakes news, como atesta a própria campanha de Jair Bolsonaro.

A proposta de lecionar apenas de acordo com as convicções dos alunos e seus pais [3] inviabiliza a própria docência, uma vez que em uma sala de aula há várias convicções distintas e a ciência, com frequência, impressiona até aqueles que trabalham com ela no dia a dia.

É preciso esclarecer que as proibições, como de opinião pessoal, não se restrigem aos professores que terão, conforme preve o projeto, que impedir estudantes e terceiros de violar a legislação [4]. Chega a ser irônico dizerem que será afixado em sala de aula uma folha para os alunos saberem de seus direitos de não poderem se expressar em um espaço onde as ideias devem circular livremente. Por outro lado, o ensino confessional, esse sim doutrinador, é assegurado [5].

Do ponto de vista econômico podemos encontrar algumas conveniências reveladoras.

O programa de governo de Bolsonaro afirma que o investimento em educação no Brasil está no nível dos países desenvolvidos [6] e que “é possível fazer muito mais com os atuais recursos” [7]. Com tal definição está se informando de antemão que possivelmente novos aportes não serão realizados na área atendendo os preceitos do ajuste realizado pela PEC do Teto, medida que o presidente eleito votou favoravelmente.

Mas se o problema não é de falta de recursos (sic) porque a educação brasileira encontra-se na atual situação de precariedade? A culpa é dos professores “doutrinadores”! Dessa forma a responsabilidade é transferida do material para o cultural, do governo para os profissionais. A tarefa do governo então passa a ser caçar os “doutrinadores”.

E com tal perseguição pode-se facilitar os cortes orçamentários, a implantação da reforma do ensino médio, a aplicação do ensino à distância (que é do interesse de Stravos Xanthopoylos, empresário do ramo de EAD que prestou consultoria para a campanha de Bolsonaro [8]) e a transferência de bilhões das universidades para as igrejas, via creches. [9]

Teríamos, então, o casamento perfeito entre a estupidez teórica dessa direita boçal com a conveniência econômica dos malandros candidatos a novos plutocratas. Mas para a celebração de tal cerimônia será preciso remover a oposição das comunidades escolares. Por isso, Jair Bolsonaro e seus aliados já declararam os professores como seus inimigos públicos número 1!

Resistir será fundamental!


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[1] O comunismo real. Olavo de Carvalho, 13/04/2014.

[2] PL Escola sem Partido, de Marcel van Hattem – Debate. Programa “Conexão RS” da Ulbra TV, 10/06/2015.

[3] Escola sem Partido. Anteprojeto de lei federal. Ver “V” do Artigo 4º.

[4] Idem. Conforme “VI” do Artigo 4º.

[5] Idem. Conforme Artigo 6º.

[6] Jair Bolosnaro: proposta de governo, p.42.

[7] Idem, p.41.

[8] "Posto Ipiranga" da educação de Bolsonaro presta consultoria para presidenciável via WhatsApp. 30/08/2018.

[9] Plano de Bolsonaro une criação de creche e ensino religioso. 13/10/2018.




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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual

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Trechos de um artigo de Leon Trotsky de novembro de 1911. Muito apropriado para o momento.


"Uma greve, inclusive uma modesta, tem conseqüências sociais: fortalecimento da auto-confiança dos operários, crescimento do sindicato, e, com não pouca freqüência, uma melhora na tecnologia produtiva. O assassinato do dono da fábrica provoca apenas efeitos policiais, ou uma troca de proprietário desprovida de toda significação social.

Para que um atentado terrorista, mesmo um que obtenha "êxito", crie confusão na classe dominante, depende da situação política concreta. Seja como for, a confusão terá vida curta; o estado capitalista não se baseia em ministros de estado e não é eliminado com o desaparecimento deles. As classes a que servem sempre encontrarão pessoas para substituí-los; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento.

Todavia, a desordem que produz um atentado terrorista nas filas da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido? Para que fazer passeatas, agitação de massas, eleições, se é tão fácil alvejar um ministro desde a galeria do parlamento?

Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá cumprir sua missão.

Os profetas anarquistas da "propaganda pelos fatos" podem falar até pelos cotovelos sobre a influência estimulante que exercem os atos terroristas sobre as massas. As considerações teóricas e a experiência política demonstram o contrário. Quanto mais "efetivos" forem os atos terroristas, quanto maior for seu impacto, quanto mais se concentra a atenção das massas sobre eles, mais se reduz o interesse das massas por eles , mais se reduz o interesse das massas em organizar-se e educar-se.

Porém a fumaça da explosão se dissipa, o pânico desaparece, um sucessor ocupa o lugar do ministro assassinado, a vida volta à sua velha rotina, a roda da exploração capitalista gira como antes: só a repressão policial se torna mais selvagem e aberta. O resultado é que o lugar das esperanças renovadas e da excitação artificialmente provocada vem a ser ocupado pela desilusão e a apatia.

(…)

Antes de elevar-se à categoria de método para a luta política, o terrorismo faz sua aparição sob a forma de ato individual de vingança. Assim foi na Rússia, pátria do terrorismo. O açoitamento dos presos políticos levaram Vera Zasulich a expressar o sentimento de indignação geral com um atentado contra o general Trepov. Seu exemplo repercutiu entre a intelectualidade revolucionária, desprovidas do apoio das massas. O que começou como um ato de vingança perpetrado em forma inconsciente foi elevado a todo um sistema em 1879-1881. As ondas de atentados anarquistas na Europa Ocidental e América do Norte sempre se produzem depois de alguma atrocidade cometida pelo governo: fuzilamentos de grevistas ou execuções de opositores políticos. A fonte psicológica mais importante do terrorismo é sempre o sentimento de vingança que busca uma válvula de escape.

(…)

Nos opomos aos atentados terroristas porque a vingança individual não nos satisfaz. A conta que nos deve pagar o sistema capitalista é demasiado elevada para ser apresentada a um funcionário chamado ministro. Aprender a considerar os crimes contra a humanidade, todas as humilhações a que se vêem submetidos o corpo e o espírito humanos como excrescências e expressões do sistema social imperante, para empenhar todas nossas energias em uma luta coletiva contra este sistema: essa é a causa na qual o ardente desejo de vingança pode encontrar sua maior satisfação moral."


Ler na íntegra em:
https://www.marxists.org/portugues/trotsky/1911/11/terrorismo.htm




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domingo, 26 de agosto de 2018

Os três tipos de político ladrão

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O ladrão de dinheiro – É o tipo mais conhecido e reconhecido. Dispensa apresentações.

O ladrão de direitos – Ele se acha superior ao ladrão de dinheiro e até gosta de bradar aos quatro cantos que é “honesto”. Só que para roubar os direitos do povo precisa se amparar em mentiras. Alega que é pela modernidade, pelo bem do país, para melhorar a economia, que é para acabar com privilégios e que é até pela moralidade. Diz que não há outra alternativa. Omite, por ignorância ou má-fé, que o saque dos direitos do povo serve para a reprodução do sistema corrupto e fortalece os ladrões de dinheiro.
Alguns são empresários, banqueiros, fazendeiros, etc legislando em causa própria. Outros são apenas tolos iludidos por ideologias. E uns não passam de serviçais oportunistas do sistema.
Entre os ladrões de direitos tem aqueles que no passado apoiaram as lutas do povo por direitos. Quando estão na oposição lembram do passado e posam de defensores dos direitos do povo. Estes terminam por roubar as esperanças dos que acreditaram neles gerando confusão e desmobilização.

O ladrão de dinheiro e de direitos – É a combinação dos dois tipos anteriores. Ele costuma receber dinheiro para roubar os direitos do povo. Para muitos é a união do útil (roubo de direitos) com o agradável (roubo de dinheiro).


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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

BouLulismo

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Porto Alegre, 10 de agosto de 2018.


Linha de ônibus 376 - Herdeiros/Esmeralda, sentido bairro-centro.


Horário: aproximadamente 9 da manhã seguinte ao debate dos presidenciáveis na TV Bandeirantes.


Diálogo entre o motorista e o cobrador.


COBRADOR: "Ué, o Lula não participou do debate?"


MOTORISTA: "Não."


COBRADOR: "Mas ele não é candidato?"


MOTORISTA: "É, mas está preso."


COBRADOR: "Hum..."


MOTORISTA: "Mas tinha um outro cara no lugar dele lá."


MOTORISTA: "Outro vagabundo."




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