sábado, 28 de janeiro de 2012

Quem ganhou com o massacre do Pinheirinho?

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[*] Guilherme Boulos e Valdir Martins (Marrom)



Há poucos meses atrás, em setembro, as manchetes dos jornais de São José dos Campos estampavam a notícia de um acordo para regularizar o bairro do Pinheirinho. Após sete anos, as 1.600 famílias dessa comunidade teriam sua situação de moradia resolvida. O secretário estadual de habitação e representantes do Ministério das Cidades vistoriaram pessoalmente a área para fechar o acordo. Houve muita festa entre os moradores.

Quatro meses depois, em 22 de janeiro, a polícia militar de São Paulo - a mando do governador e legitimada pelo Tribunal de Justiça - inicia uma operação de guerra, que terminou com o despejo da comunidade, dezenas de presos e feridos e 7 desaparecidos. Um massacre do Estado contra trabalhadores que queriam apenas o elementar direito de permanecer em suas casas. Quanto à dimensão e covardia das agressões nem é preciso insistir, pois as imagens que circularam nos jornais e na internet falam por si. A questão é: como se deu esta reviravolta?

A movimentação que levou o Pinheirinho da regularização ao despejo teve três atores principais: o Judiciário paulista, a prefeitura do município e o Governador Geraldo Alckmin. A sintonia desta orquestra macabra varreu todas as tentativas de acordo e solução negociada ao problema dos moradores.

E contou ainda com a silenciosa e discreta omissão do Governo Federal. "Em nome do pacto federativo"... Que pacto? Aquele que os tucanos e o TJ rasgaram ao desconsiderar a corajosa decisão da Justiça Federal, que impedia a desocupação? Pois é, porque havia uma decisão judicial do TRF a favor dos moradores do Pinheirinho. De fato, percebemos nossa ingenuidade em acreditar que decisões judiciais sejam cumpridas, quando favorecem os mais pobres e prejudicam gente como Naji Nahas, dono-grileiro do terreno do Pinheirinho.

Mas o que unia aqueles que trabalharam em favor do despejo? A juíza de São José, Marcia Loureiro, foi uma combatente incansável: validou e revalidou liminares, recusou-se a receber autoridades e representantes dos moradores, dentre outras proezas. Se houvesse um "Prêmio Naji Nahas" certamente seria ela a ganhadora deste ano. Tem lá os seus interesses, que infelizmente não temos provas suficientes para expô-los. Acusar sem provas? Pois é, o judiciário brasileiro é aquele em relação ao qual Paulo Maluf costuma orgulhar-se de não ter qualquer condenação. Bom bandido é aquele que não deixa rastro.

A juíza Marcia Loureiro contou com a aprovação irrestrita do presidente do TJ, desembargador Ivo Sartori, que autorizou a PM a "reprimir força policial federal que eventualmente se opusesse à ação". Ambos pertencem ao Tribunal que está assolado de denúncias de corrupção, super-salários e sonegação fiscal por parte de vários de seus desembargadores. Que moral e legitimidade têm eles para definir o destino de famílias trabalhadoras brasileiras?

Encontraram, porém, ombro amigo no governador e no prefeito de São José, ambos do PSDB. Vale lembrar, o mesmo partido do então governador do Pará que, em 1996, ordenou o massacre de Eldorado dos Carajás.

Articularam e autorizaram a operação de guerra que, na calada da noite, tomou de assalto o Pinheirinho. O que ganharam com isso? A resposta está na lista de seus financiadores de campanha, recheadas de empreiteiras, incorporadoras, especuladores imobiliários e das empresas de Naji Nahas - que, junto com Daniel Dantas, esteve na vanguarda das privatizações do governo tucano de FHC.

Assim, o que uniu os agentes que trabalharam pelo despejo do Pinheirinho foi a prestação de um valioso serviço ao capital imobiliário. Essa ocupação representava uma verdadeira pedra no sapato, não apenas de Nahas, mas dos "empreendedores" imobiliários de São José dos Campos. Está localizada numa região de expansão imobiliária, onde ainda restam muitas áreas vazias, sob um forte assédio de construtoras e incorporadoras. Ora, nem é preciso dizer que pobres morando no entorno desvalorizam os futuros empreendimentos, em especial os condomínios para alta renda.

Por isso, o despejo do Pinheirinho era uma reivindicação antiga do capital imobiliário daquela região. Permitiria não só liberar a própria área da ocupação, como também valorizar as áreas dos bairros vizinhos. E principalmente no atual momento, em que São José passa por um processo especulativo de valorização de terras inédito, por ter sido contemplado pelo "Pacote Copa-2014", por meio do trem bala, que passará por esta cidade.

Convenhamos então que nem o governador Alckmin, nem o prefeito Cury, nem mesmo os honoráveis magistrados do TJ-SP poderiam negar um pedido tão importante de amigos tão valiosos. A presidenta Dilma, que também teve sua campanha eleitoral fartamente financiada por construtoras, nada fez para impedir. Poderia ter desapropriado o terreno, mas não o fez. As cartas estavam marcadas.

Os editoriais de grandes jornais se apressaram em condenar os invasores de terra alheia e atribuir o conflito a interesses de partidos radicais, que teriam contaminado os pobres moradores. É preciso recordar àqueles que concordam com estes argumentos que a imensa maioria das periferias urbanas brasileiras resultou de processos de ocupação. Pela inexistência de política pública para a moradia, parte expressiva dos trabalhadores brasileiros nunca tiveram outra alternativa. Pretendem então despejar dezenas de milhões de famílias que vivem em áreas ocupadas?

Além disso, não é demais lembrar que a idéia dos "maus elementos radicais manipulando uma massa ingênua" foi o argumento preferido da ditadura militar para desqualificar os movimentos de resistência. Parte da tese conservadora de que o povo brasileiro é naturalmente pacato e resignado, só se movendo por influência externa.

Suponhamos, porém, juntamente com a Secretária de Justiça de São Paulo, Heloísa Arruda, que declarou que "a legalidade está acima dos direitos humanos", que os "invasores" tivessem mesmo que ser despejados. Mesmo neste cenário, a questão poderia ter sido conduzida de forma muito diferente.

Basta tomarmos um exemplo recente, que ocorreu em Taboão da Serra, município da região metropolitana de São Paulo. No início de 2011, foi determinado o despejo de uma área ocupada por 900 famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Encarregado de fazer a desocupação, o Coronel Adilson Paes exigiu simplesmente que a lei fosse cumprida para os dois lados: exigiu do Poder Público a garantia de um local de alojamento para as famílias despejadas, bem como todos os meios necessários para o tratamento humano daquelas pessoas.

Logo após, por algum motivo obscuro, o Coronel Adilson foi afastado do comando do batalhão. Mesmo assim, sua postura foi suficiente para permitir que houvesse uma solução pacífica e negociada neste caso. Não estranharemos se o Coronel Messias, que comandou com mão de ferro e uma boa dose de sadismo, a operação de guerra do Pinheirinho receber - não um afastamento - mas alguma medalha ou promoção ao Comando Geral da polícia militar. É assim que as coisas funcionam.

É triste constatar que o que ocorreu no Pinheirinho não foi um fato isolado. Trata-se de expressão de uma política, conduzida pela especulação imobiliária e seus amigos no Estado, que coloca a valorização das terras e os lucros com os empreendimentos bem acima da vida humana. Este processo, aliás, tem se tornado cada vez mais cruel com as obras da Copa do Mundo 2014. Infelizmente, outros Pinheirinhos virão.




[*] Guilherme Boulos, membro da coordenação nacional do MTST, militante da Resistência Urbana - Frente Nacional de Movimentos e da CSP Conlutas.

Valdir Martins (Marrom), liderança da comunidade do Pinheirinho (MUST), militante da Resistência Urbana - Frente Nacional de Movimentos e da CSP Conlutas.

Extraído do Editorial do Centro de Mídia Independente (27/01/2012):
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2012/01/502954.shtml
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ocupação Comparada: o caso Rede Globo

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As mesmas autoridades que foram impiedosas com os humildes moradores da comunidade do Pinheirinho não só foram lenientes com a poderosa Rede Globo, que se apropriou por 11 anos de um terreno público, como ainda promoveram um vergonhoso entreguismo da área após a denúncia da reportagem da Rede Record (concorrente da Globo).



http://www.youtube.com/watch?v=Aod-LEdey8s&feature=player_embedded



http://www.youtube.com/watch?v=aNj_pNe9xNg&feature=related


Ver também:
Serra faz convênio com a Rede Globo
http://blogdomonjn.blogspot.com/2010/03/serra-faz-convenio-com-rede-globo.html
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Documentário sobre o Pinheirinho

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Segue o documentário "O Massacre de Pinheirinho: A verdade não mora ao lado" que mostra a operação de desocupação desde o interior da comunidade, conta detalhes sobre a História do Pinheirinho e as relações nada acidentais entre os governos municipal, estadual e o judiciário paulista, principais responsáveis pelas cenas lamentáveis constantes no vídeo.



http://www.youtube.com/watch?v=NBjjtc9BXXY
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Cartola embolsa medalha da Copinha!

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José Maria Marin, atual vice-presidente da CBF para a Região Sudeste, ex-dirigente da Federação Paulista de Futebol (1982-1988), vice-governador e governador do Estado de São Paulo nos anos 80, não se acanhou com os mais de 30 mil torcedores presentes no Estádio do Pacaembu e nem com as lentes das câmeras de televisão e embolsou, à luz do dia, e em rede nacional, uma medalha que deveria ser entregue aos jogadores do Corinthians, campeões da Copa São Paulo de Futebol Júnior. O jogador Mateus, ficou sem medalha!



http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=UmNUdJidJFU
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Não os perdoem: eles sabem o que fazem!

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Ao povo do Pinheirinho!

Gerivaldo Neiva *



Para o governador, a culpa é da Justiça.

Para toda imprensa, a Justiça determinou, mandou, decidiu, despejou...
Para o Juiz que assinou a ordem, cumpriu-se a Lei e basta: Dura lex sede lex!
Para catedráticos cheirando a mofo, o Estado de Direito triunfou!
Para o Coronel que comandou, ordens são ordens!
Para o soldado que marchou sobre os iguais, idem!

Ei, Justiça, cadê você que não responde e aceita impassível tantos absurdos?
Não percebes o que estão fazendo com teu nome santo?
Em teu nome, atiram, ferem, tiram a casa e roubam os sonhos e nada dizes?
Tira esta venda, vai!
Veja o que estão fazendo em teu nome! Revolte-se!
E o pior dos absurdos: estão dizendo teus os atos do Juiz e do Poder que ele representa!
Vais continuar impassível?
E mais absurdos: estão te transformando em merdas de leis.
Acorda, vai!
Chama o povo, chama o Direito das ruas e todos os oprimidos do mundo e brada bem alto:
- Não blasfemem mais com meu nome! Não sou o arbítrio e nem a ganância! Não sou violenta, nem cínica e nem hipócrita! Não sou o poder, nem leis, nem sentenças e nem acórdãos de merda!

Diz mais, vai! Brada mais alto ainda:

- Eu sou o sonho, sou a utopia, sou o justo, sou a força que alimenta a vida, sou pão, sou emprego, sou moradia digna, sou educação de qualidade, sou saúde para todos, sou meio ambiente equilibrado, sou cultura, sou alegria, sou prazer, sou liberdade, sou a esperança de uma sociedade livre, justa e solidária e de uma nação fundada na cidadania e dignidade da pessoa humana.

Diz mais, vai! Conforta-nos:

- Creiam em mim. Um dia ainda estaremos juntos. Deixarei de ser o horizonte inatingível para reinar no meio de vós! Creiam em mim. Apesar da lei, do Poder Judiciário e das sentenças dos juízes, creiam em mim e não perdoem jamais os que matam e roubam os sonhos em meu nome, pois eles sabem o que fazem!


* Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD)


Extraído de:
http://www.gerivaldoneiva.com/2012/01/apesar-da-lei-do-poder-e-das-sentencas.html
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Recado a setores da classe média sobre o Pinheirinho

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Um recado aos setores de classe média que aplaudiram a ação vergonhosa da PM e da "justiça" paulista: a especulação imobiliária está bombando no nosso país. Essa farra, evidentemente, não durará para sempre e pode ser precipitada pela crise financeira mundial. Quando essa bolha começar a murchar os especuladores não vão querer sair perdendo, pressionarão governos, haverão demissões, cortes de salários e muitos dos que dão socos no ar de alegria pelo despejo do povo do Pinheirinho hoje, perderão a capacidade de pagamento e serão os despejados de amanhã (foi o que aconteceu nos EUA). Se resistirem, levarão borrachadas da heróica polícia. E para piorar, nós, os esquerdalhas chatos, estaremos na internet e nas ruas denunciando os excessos dos governos e polícias contra vocês. E como o fundo do poço é o limite lá estarão seus articulistas preferidos defendendo os especuladores e os governos a seu serviço! rsrsrsrsrsrsrs


Publicado primeiramente no Centro de Mídia Independente:
http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2012/01/502757.shtml
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pinheirinho: PM ataca moradores em alojamento da Prefeitura

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Ainda estou reunindo materiais sobre a infame desocupação do Pinheirinho ocorrida na manhã do último domingo. Mas como não cessa de serem divulgados materiais na mídia alternativa, publico abaixo um vídeo que mostra os moradores sendo agredidos pela PM de São Paulo dentro do alojamento designado pela própria Prefeitura.

Simplesmente absurdo!




http://www.youtube.com/watch?v=nH3OBLdJYTE&feature=youtu.be
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