sábado, 21 de julho de 2012

Letônia: aqui o Fundo Monetário expõe seu projeto


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Depois do programa elogiado pelo FMI, famílias mudaram-se para antigos barracos de guardar ferramentas


Após “austeridade”, 1/3 dos jovens emigrou, PIB caiu 23%, serviços públicos estão destruídos. Diretora-gerente do FMI elogia: “vocês ensinaram caminho”

Por Andy Robinson | Tradução: Daniela Frabasile

Diante de uma foto gigante das torres medievais e pontes de aço soviético de Riga, Christiane Lagarde dirigia-se a uma sala cheia de executivos e funcionários de roupa cinza. O slogan Letonia: agaisnt all odds (Letônia: contra todos os prognósticos), usado para anunciar a conferência, lembrava um dos filmes de Rambo. E, de fato, a diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI) estava na Letônia para alardear que havia cumprido sua missão, três anos depois de assinar um acordo para resgate da economia nacional. “Quem teria imaginado em 2009 que estaríamos aqui celebrando essa conquista, depois de um percurso tão difícil? É um tour de force; ensinaram o caminho para a zona do euro…”.

Por que tantos elogios a um pequeno país pós-soviético de dois milhões de habitantes no mar Báltico, cujo principal produto de exportação é madeira extraída das florestas que existem da capital até a fronteira com a Rússia? Porque “somos a experiência em laboratório da desvalorização interna”, ironizou Serguéo Acupov, ex-assessor do Governo que, depois de conseguir realizar a transição-relâmpago para a economia de mercado, em 1990, parece hoje muito menos convencido pela ideologia do choque rápido e agudo. “Querem um exemplo para Grécia, Portugal.. Espanha”. Por “desvalorização interna”, Acupov refere-se à política de ajustes através de cortes salariais e nos gastos públicos. Ainda que a Letônia não seja membro da zona do euro, recusou-se a desvalorizar sua moeda, o Lat, e se tornou a cobaia da terapia de choque — mais ou menos como o Chile, nos anos que antecederam a chamada revolução neoliberal no Reino Unido e nos Estados Unidos. “Escrevemos um novo capítulo nos livros”, disse um dos participantes da conferência do FMI.

Depois do estouro de sua própria bolha imobiliária e uma crise financeira da dívida, a Letônia firmou, em dezembro de 2008, um acordo de resgate com a União Europeia e o FMI. Em troca de receber créditos de 7,5 bilhões de euros, o governo lançou o maior de todos os ajustes orçamentários, equivalente a 17% do valor de sua economia em apenas dois anos. A Letônia submeteu-se à pior recessão econômica registrada na Europa, igualando-se à Grande Depressão estadunidense. O PIB caiu 23% em dois anos. Os salários despencaram entre 25 e 30%. Enquanto o desemprego aumentava de 5% para 20%, o salário-desemprego foi reduzido a 40 latis (57 euros) por mês. A pobreza alcançou quatro em cada dez famílias, mas a alíquota única do imposto sobre a renda foi eleva (para 25%), passando a incidir até sobre os rendimentos mensais de 60 euros.

Nem mesmo a Grécia aniquilou um quarto de sua economia, como fizeram os letões. Mas agora a desvalorização interna dá seus frutos, segundo argumentam Lagarde e outros que desenharam o ajuste. A Letônia cresce 6% este ano, mais que qualquer outra economia europeia, e eliminou suas dívidas anteriores. Agora, seria um modelo europeu a ser seguido. “Fizemos o que tínhamos que fazer”, disse Ilmars Rimsevics, o severo governador do Banco da Letônia, “eu diria que matamos o touro a unha, mas meus assessores me aconselharam a falar em podar a árvore”, acrescentou com um senso de humor muito letão.

A uns doze quilômetros do centro de Riga, Diana Vasilane entende o que sente alguém ao ser podado, “minha filha mudou-se para Roma há três meses, quando sua empresa, Statoil (da Noruega), cortou seu salário de 600 para 400 lats por mês; meu filho foi para a Suécia; o filho do vizinho para a Austrália; estamos aqui rezando para não vivermos muito porque ninguém irá cuidar de nós”, disse. A revoada de jovens para outros países já havia começado depois da queda do comunismo. Mas desde o início do chamado “resgate” de 2009, este movimento tornou-se uma hemorragia. 10% da população (230 mil, de um total de 2.2 milhões de habitantes) saíram do país. Um em cada três letões com menos de 30 anos se foi, a maioria para nunca voltar.

Até as cidades britânicas mais pobres são destino para letões em busca de trabalho. O voo da Ryanair de Liverpool para Riga ia cheio de jovens leetões que visitavam suas famílias, e todos os voos de volta estavam cheios, na semana passada. Isso soma-se aos graves problemas demográficos na Letôna, devido a uma taxa de fecundidade baixa e uma expectativa de vida reduzida (um problema agravado por um sistema de saúde em crise orçamentária). “A população envelhece rapidamente”, disse o demógrafo Mihail Hazans. Isso “já ameaça o desenvolvimento econômico e a segurança social”.

Os filhos não foram a única parte da vida de Vasilane que foi podada. Há um ano e meio, ela era diretora da ONG Risk Berni (Risckchild.org), que prestava apoio a crianças de famílias marginalizadas (quase todas) do bairro Moscow Worstadt, de etnia russa e em ruínas, no centro de Riga. Moscow Worstadt era antes um distrito industrial da economia soviética. Agora é um foco de prostituição, drogas e atividades ilícitas.

No centro infantil Riska Berni, davam comida a 20 ou 30 crianças por dia e distribuíam roupas. Organizavam atividades – remo no rio, patinação, partidas de futebol – para adolescentes. O estado letão ajudava com 2000 lat (2400 euros) por mês. O hotel Radisson fornecia as sobras de sua cozinha, talvez dos jantares das próprias equipes da União Europeia e FMI que chegavam a Riga, de vez em quando. Mas o mega ajuste também chegou a Riska Berni. O governo podou o subsídio pela metade e Riska Berni fechou no ano passado. “Com tanta emigração, as mães de muitas crianças foram a outros países e muitas das crianças agora vivem com seus irmãos maiores ou seus avós”, disse. Durante uma parada em Moscow Worstadt, um jovem de cabeça raspada entrou em um bar onde homens com cara de poucos amigos tomavam cerveja em silêncio. “Acabei de brigar com um; ele bateu em mim primeiro”, disse. Nas ruas, jovens prostitutas – talvez de 17 ou 18 anos – esperavam.

Exceto Moscow Worstadt, a crise chama atenção por sua ausência no centro de Riga, visitado por bandos de turistas nórdicos que interrompem seu tour pelas igrejas para tomar sopa de beterraba nas varandas onde um grupo toca Knocking on heaven’s door. Mas no subúrbio, onde vive Diana, as portas não são do paraíso, mas sim de centenas de habitações precárias, onde muitas vezes moram famílias que foram despejadas depois do estouro da bolha imobiliária. “Muitas das casas boas pertencem aos bancos, e seus ex-habitantes acabam aqui”, acrescenta Vasilane enquanto um ônibus sobe uma rua sem asfalto. Entramos em uma urbanização de barracos de madeira que se estende até o rio, muitas delas com lotes cultivados que os novos pobres da Letônia combinam com a pesca para sobreviver. Não tem eletricidade, apesar de temperaturas de — 20º C no inverno. “Nos tempos soviéticos, as pessoas tinham pequenos pomares aqui para os finais de semana com um barracão para guardar as ferramentas” – disse o condutor. Agora as pessoas vivem nos barracões.

Konstance Bondare, de 80 anos, é uma das moradoras do bairro de habitações precárias. Vive em uma cabana de madeira em ruínas, sem luz e sem água, talvez um desses barracões que em tempos soviéticos eram usados para armazenar ferramentas. Konstance diz que veio morar aqui há um ano e meio, depois de ser despejado por um banco que tomou posse de seu apartamento em Riga. Havia avalizado a hipoteca do apartamento que sua filha comprara alguns anos antes; quando esta perdeu o emprego, o banco apreendeu os dois apartamentos. Assim como um em cada três jovens letões que emigraram desde o início do ajuste, a filha também se mudou. Konstance veio viver aqui com seu cachorro. Ele recebe uma pensão de aproximadamente 180 euros por mês. Vai todos os dias ao rio, buscar água — e diz que bebe. Para a descrença daqueles que a entrevistaram, afirma que paga o aluguel deste barraco de cerca de 12 metros quadrados, mas não diz a quem. “O banco me jogou na rua e me sugeriram envenenar meu cachorro; prefiro envenenar a mim mesma” disse, “olhem como nós letões vivemos em nosso próprio país!”.

Há centenas de habitações como esta neste subúrbio rural de Riga, aberto pelas vítimas do ajuste. Curiosamente, muitas das ruelas entre as habitações têm cadeados anti-roubo. “Temos poucos bens, mas há muitos roubos e temos medo”, disse. Uma senhora da idade de Konstance foi assassinada com um machado há algumas semanas perto daqui. Roubaram sua pensão de mais ou menos 100 euros.


Extraído de:
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domingo, 15 de julho de 2012

Marx vai parar em cartão de crédito

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Cartão de crédito com a estampa de Karl Marx


Não adianta perguntar onde está a câmera escondida. Não se trata de uma pegadinha. Parece piada, mas não é. O pai do socialismo científico foi parar em um cartão de crédito capitalista na Alemanha.

O fato se deu na cidade de Chemnitz. O banco Sparkasse Chemnitz pediu aos seus clientes que escolhessem, em uma votação pela internet, um dos símbolos da cidade para estampar o cartão de crédito do Mastercard. E o busto de Karl Marx, construído em 1953, foi o eleito com 35% dos votos.

Mas o que esse caso, inusitado e contraditório, pode significar?

Em primeiro lugar fica claro que os capitalistas, para ganhar dinheiro, são capazes de qualquer coisa, até mesmo explorar a imagem do seu mais decidido oponente.

Em segundo lugar, e mais importante, deve ser vista com mais atenção a escolha popular, até porque a cidade de Chemnitz ficava na Alemanha Oriental e durante o período de existência da mesma se chamava Karl-Marx-Stadt (cidade Karl Marx). [1]

Mas, evidentemente, que o nome da cidade, por si só, não indica muita coisa. E quando ampliamos o olhar encontramos a insatisfação da maioria dos alemães "orientais" com o sistema atual.

Mesmo que o regime "comunista" que experimentaram tenha deturpado as ideias de Marx, que a Alemanha que vivem hoje seja um país capitalista desenvolvido e a maior economia da União Européia, eles não têm dúvida: "a vida era melhor no comunismo", como respondeu 57% em uma pesquisa realizada em 2009. [2]

A quem possa culpar a crise econômica capitalista por essa postura cabe lembrar que tal sentimento vem de mais tempo. Em 2005, por exemplo, a "ostalgie" (nostalgia dos alemães do leste pela Alemanha Oriental) rendeu bons dividendos para empresários que, ao reeditarem produtos e personagens da época, transformaram "a saudade do socialismo em lucro capitalista". [idem 2]

Provavelmente a escolha dos alemães de Chemnitz não está dissociada da percepção descrita anteriormente e pode indicar um protesto contra o capitalismo e uma homenagem ao seu maior crítico, homem cujos méritos teóricos vem sendo reconhecidos até por muitos dos seus adversários e cuja obra é cada vez mais procurada. [3]


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[1] Chemnitz
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chemnitz

[2] A restauração do capitalismo nos países do socialismo real pela ótica dos "nativos" (05/12/2010):
http://blogdomonjn.blogspot.com.br/2010/12/restauracao-do-capitalismo-nos-paises.html

[3] Crise aumenta procura por obras de Karl Marx na Alemanha (20/10/2008):
http://oglobo.globo.com/economia/crise-aumenta-procura-por-obras-de-karl-marx-na-alemanha-3823516
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sexta-feira, 13 de julho de 2012

O que existe por trás da luta pela transparência


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Por Marino Boeira *


A atual campanha dos grandes veículos de comunicação a favor da transparência dos salários dos servidores públicos esconde por trás um evidente componente ideológico, qual seja o de mostrar o Estado como um ente perdulário, incapaz de realizar uma sugestão adequada de suas tarefas e que por isso mesmo é um obstáculo ao pleno desenvolvimento da sociedade. Ou seja, é o velho discurso em favor do estado mínimo, do mercado resolvendo todos os problemas dos países através da competitividade sem limites, capaz de gerar mais desenvolvimento e progresso num processo de depuração que vai eliminando os mais fracos e despreparados.

O fracasso dessa ideologia nos países europeus, quase todos à beira de um colapso econômico, não intimida os defensores da ideologia que defende a ausência do Estado, ou pelo menos uma participação ínfima nas grandes decisões econômicas. Ao pretender expor os vencimentos de alguns setores públicos – obviamente aquela minoria melhor remunerada – os meios de comunicação trabalham no sentido de provocar a revolta de grandes setores da população que vive com baixos salários. Basta ler as secções de “cartas dos leitores” dos jornais para ver como é eficiente esta estratégia. Junto com as críticas aos marajás do funcionalismo (lembrando o Collor) fica implícita a idéia de que o Estado, o brasileiro em particular, é um parasita que infecta a sociedade. Obviamente, existem grandes distorções entre o que ganham alguns setores do funcionalismo público, como magistrados e altos diretores de órgãos estatais e uma maioria de agentes da educação, saúde e segurança. Lutar contra estas distorções, estabelecendo uma proporção menos injusta entre os ganhos desses setores, é uma meta pela qual devem lutar todas as pessoas que batalham por um país melhor para todos. Não é isso, porém, o que se vê na leitura dos jornais que se esmeram em mostrar as folhas salariais de certos órgãos públicos, mas jamais se interessaram em mostrar o que ganham altos executivos de empresas privadas e dos grandes bancos. A desculpa é que, como são negócios privados , não interessa que os outros saibam quanto ganham, embora seja óbvio que estes altos ganhos interferem no preço final dos produtos ou serviços que levam ao público consumidor. O que importa é reduzir o poder do Estado. Dentro dessa linha estão as campanhas contra a cobrança de impostos. Os mesmos que criticam os governos por não oferecerem melhores serviços nas áreas de segurança, saúde e educação, são os que promovem campanhas do tipo “um dia de imposto zero”, esquecidos de que sem estes impostos, nada poderia ser feito. Empresários que reclamam dos impostos altos, têm assessorias especializadas em encontrar brechas na legislação que permitam que paguem menos do que um assalariado no imposto de renda, por exemplo. São, evidentemente, práticas legais, mas nem sempre éticas, nem patrióticas. Os jornais que defendem a ausência do Estado em atividades que dizem que deveria ficar restritas à atividade privada, são os primeiros a fazer campanha em favor do auxílio aos setores privados de produção que enfrentem dificuldades eventuais inerentes ao sistema capitalista. Assim é com o fazendeiro que, em vez de providenciar açudes na sua propriedade, irriga suas lavouras com as águas de um rio, que deveria ser um bem comum, e é o primeiro a não querer pagar os financiamentos do Banco do Brasil, quando surge uma seca. Assim foi com os bancos que precisaram do auxílio do governo par a não quebrar. Assim é com as universidades privadas, que mesmo cobrando altas mensalidades dos seus alunos, reivindicam do Estado bolsas de estudo para alunos carentes. Falar mal da saúde pública, como fazem sistematicamente os jornais, é fácil. Aí estão as emergências dos hospitais lotadas para dar uma aparente razão às críticas. Esquecem porém que o INSS é o maior plano de saúde pública do mundo, capaz de salvar a vida de milhares de pessoas diariamente a um custo zero para elas e ainda ajudar a manter de pé estruturas hospitalares privadas.

Uma solução utópica, que certamente os defensores do Estado mínimo nos meios de comunicação, não aceitariam seria o estabelecimento de um verdadeiro sistema capitalista no Brasil, com as suas possibilidades de lucros e perdas, sem o apoio de qualquer órgão público, como é feito hoje através de juros subsidiados, sem prazo de resgate e com a renúncia fiscal.

Trata-se evidentemente de uma utopia, até por que historicamente o desenvolvimento do sistema capitalista se fez com a apropriação da maquina estatal pela burguesia, que desde a época das grandes revoluções usa o estado para seus interesses de classe.

As poucas experiências do chamado “Estado do bem estar social”, na Europa e Estados Unidos são hoje lembranças do passado e em lugares, como no Brasil e alguns outros países da América, onde governantes mais sensíveis não atendem todos os interesses empresariais, seus arautos mais eficientes – os maiores veículos de comunicação – estão diariamente fustigando os agentes do Estado, denunciando esquemas de corrupção, verdadeiros ou imaginários e práticas de nepotismo . Por trás dessa prática moralizadora se esconde o interesse político de retornar a uma época recente onde o Estado brasileiro estava praticamente falido.

Marino Boeira é professor universitário

Extraído de:


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Minhas considerações:

O artigo tem o mérito de ir além da forma como vem sendo pautado esse debate, principalmente pela grande mídia - que não faz isso por ser inocente. Essa mídia “encachoeirada” não tem nenhum compromisso com uma transparência séria e verdadeira.

No entanto, o mesmo vale para o Governo Dilma. E ao não mencionar o governo que, junto com a grande mídia, agita a bandeira da transparência de forma hipócrita, o autor expõe uma grave limitação e deixa a História pela metade. Isso ocorre, obviamente, pelo fato do autor ser um apoiador confesso do governo da petista.

Atualmente o Governo Dilma se encontra diante de uma série de greves de servidores e já anunciou que deseja praticar o arrocho salarial nas categorias. Nesse contexto a propaganda da grande mídia contra os servidores cai como uma luva para as pretensões do governo. Seria jogada ensaiada?

Outro ponto importante que deve ser lembrado é que a crise financeira começa a se aprofundar no país e o linchamento público generalizado dos servidores cria base para cortes de direitos, demissões e até privatizações, que não há dúvidas serão medidas tomadas pelo Governo Dilma conforme a crise for avançando – algumas delas, aliás, já foram tomadas.

O governo que agita a bandeira da transparência, tentando posar de ético e moral, está de mãos dadas com Collor, Sarney e agora Maluf. Precisa dizer mais? Na verdade precisa sim. E o que virá na sequência desmascara de vez o que é a transparência praticada pelo governo petista.

Durante a CPI da Dívida Pública o governo “da transparência” negou explicações e documentos solicitados pelos técnicos do Auditoria Cidadã referentes a pontos obscuros da dívida brasileira e o povo segue desconhecendo a formação e a composição deste que é o maior gasto do Estado brasileiro.

É verdade que nessa época Dilma ainda não era Presidente mas se estivesse realmente comprometida com a lisura dos gastos públicos já teria chamado e apoiado uma auditoria da dívida pública brasileira, o que segundo o Auditoria Cidadã, permitiria o cancelamento de aproximadamente 65% somente da dívida interna. Ao invés disso, o seu governo aumenta de forma sinistra essa dívida subsidiando grandes empresas.
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Demissões políticas no Paraguai

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Enquanto nomeiam parentes, golpistas perseguem opositores e promovem demissões políticas no Paraguai.


Segunda, 09 de julho de 2012

Sindicato paraguaio protesta contra demissões em Itaipu

Publicamos aqui o manifesto do Sindicato de Empregados e Profissionais da Empresa Itaipu Binacional (SEPEIB), no qual pede o apoio em sua defesa às “garantias das liberdades de pensamento dos trabalhadores e trabalhadoras da Entidade Binacional”. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Manifesto à opinião pública nacional e internacional

O Sindicato de Empregados e Profissionais da Empresa Itaipu Binacional (SEPEIB), lado paraguaio, denuncia o seguinte:

- A demissão massiva de empregados e associados de dito sindicato da Itaipu Binacional por perseguições ideológicas e políticas pelo atual diretor-geral paraguaio, Franklin Boccia, que manifestou ter recebido uma lista de demissões da presidência da República do Paraguai.

- As declarações de Alejandrino Garay, secretário-geral do sindicato STEIBI, que, em vez de se solidarizar com a classe trabalhadora, instou publicamente a uma perseguição ideológica chamando as autoridades "a demitir esquerdistas". Expressando no jornal La Nación do dia 5 de julho de 2012 que "todos os esquerdistas da era Lugo devem ser incluídos nesse corte".

- As notificações de demissões aos empregados carecem de validade jurídica, já que estas não contam com as especificações das resoluções as quais as normas de Recursos Humanos obedecem, e em nome da Itaipu Binacional afirmam a rescisão do contrato e que "a liquidação final de bens correspondentes estará disponível na Direção Financeira o mais breve possível", violando as leis trabalhistas sobre o pagamento de liquidação.

Portanto, exigimos que o Conselho Administrativo, diretores e gerentes de ambas as margens da Itaipu Binacional tomem as medidas imediatas perante tal perseguição política e ideológica, a reincorporação dos empregados afetados e o fim das demissões fomentadas pelo "novo governo" de Federico Franco, que atenta contra os Direitos Humanos mencionados no Artigo 25 da Constituição Nacional Paraguaia, que garante a pluralidade ideológica de todo cidadão.

Convocamos a solidariedade de todos os sindicatos nacionais e internacionais para acompanhar a nossa urgente demanda de resguardo para as garantias das liberdades de pensamento dos trabalhadores e trabalhadoras da Entidade Binacional.

Viva a classe trabalhadora! Viva o Paraguai, livre e democrático!

SEPEIB
Sindicato de Empregados e Profissionais da Empresa Itaipu Binacional

Cidade do Leste – Paraguai
Av.  Gral. Garay e/ Rgto. San Martín. Edif. El Mensú. Sala  201.
E-mail: sindicatosepeib.py@hotmail.com
Telefones: 0973.515847 – 0983.681943 – 0971.293190

Pedro Espinoza
Secretário-geral
Tel. 595-983-401433

Gabriel Zorrilla
Secretário-geral adjunto
Tel. 595-981-420495

Augusto Gernoffer
Secretário-geral adjunto


Extraído de:
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/511299-sindicato-paraguaio-se-manifesta-contra-itaipu
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terça-feira, 3 de julho de 2012

Carter critica recrudescimento do regime nos EUA

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O texto que segue é do ex-presidente estadunidense Jimmy Carter e faz críticas à situação interna e externa do regime dos Estados Unidos. 

Apesar de Carter criar um cenário passado cor-de-rosa e irreal de sua pátria em relação aos direitos humanos, seu relato tem pertinência uma vez que a grande mídia brasileira mantém um silêncio sepulcral sobre a realidade atual da "terra da liberdade".  


Ex-presidente pede que os EUA respeitem os direitos humanos

Um histórico cruel e degradante

O abuso generalizado dos direitos humanos na última década tem sido uma ruptura dos EUA com relação ao passado

Por: JIMMY CARTER(*); The New York Times - O Estado de S.Paulo

WASHINGTON - Os Estados Unidos estão abandonando seu papel de campeões globais na defesa dos direitos humanos. A revelação do planejamento do assassinato de cidadãos estrangeiros pelo alto escalão do governo, incluindo a morte de americanos, é apenas a prova mais recente e perturbadora das dimensões que as violações dos direitos humanos cometidas pelos EUA assumiram. Isso teve início após os ataques do 11 de Setembro, processo sancionado e intensificado por medidas legislativas e executivas bipartidárias que não foram alvo da objeção do público. Como resultado, os EUA não podem mais se manifestar com autoridade moral diante desses temas importantíssimos.

Por mais que o país tenha cometido erros no passado, o abuso generalizado dos direitos humanos observado no decorrer da última década tem sido uma verdadeira ruptura com relação ao passado. Com a liderança dos EUA, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada em 1948 como "alicerce da liberdade, da justiça e da paz no mundo". Esse foi ao mesmo tempo um compromisso claro e ousado com a missão de garantir que o poder não fosse mais usado como disfarce para oprimir e prejudicar as pessoas, estabelecendo para todos direitos igualitários à vida, liberdade, segurança pessoal, proteção igual da lei contra a tortura, a detenção arbitrária e o exílio forçado.

A declaração foi invocada por defensores dos direitos humanos e pela comunidade internacional na missão de substituir a maioria das ditaduras do mundo por democracias e promover o estado de direito nas questões domésticas e globais. É perturbador que, em vez de fortalecer esses princípios, as políticas de combate ao terrorismo do governo americano estão no momento violando claramente 10 dos 30 artigos da declaração, incluindo a proibição contra o "castigo cruel, desumano ou degradante".

Leis recentes legalizaram o direito do presidente de manter uma pessoa sob custódia por tempo indefinido em decorrência da suspeita de associação com organizações terroristas ou "forças a elas ligadas", um poder amplo e vago que pode ser abusado sem nenhuma supervisão significativa por parte dos tribunais nem do Congresso (a lei é atualmente o objeto do veto de um juiz). Essa lei viola o direito à liberdade de expressão e o direito de ser considerado inocente até que seja provado o contrário, ambos protegidos pela declaração.

Além de permitir que cidadãos americanos sejam alvo de missões de assassinato ou da detenção por tempo indefinido, as novas leis cancelaram as limitações impostas na Ata de Vigilância e Informações Estrangeiras de 1978, permitindo violações sem precedentes do nosso direito à privacidade por meio da instalação de escutas sem a necessidade de mandatos, e da busca em nossa comunicação eletrônica por parte do governo. Populares leis estaduais permitem que indivíduos sejam detidos por causa de sua aparência, hábitos religiosos e companhias.

Apesar de uma regra arbitrária segundo a qual todo alvo de um ataque com aviões não tripulados (drones) é descrito como terrorista, a morte de mulheres e crianças inocentes nas imediações é aceita como inevitável. O residente do Afeganistão, Hamid Karzai, exigiu o fim dos ataques do tipo, mas a prática continua em partes do Paquistão, da Somália e do Iêmen que não integram nenhuma zona de guerra. Não sabemos quantas centenas de civis inocentes foram mortos nestes ataques, cada um deles aprovado pelas autoridades em Washington. Isso seria impensável numa época anterior.

Estas ações afetam a política externa americana. O alto escalão das Forças Armadas e da inteligência, assim como os defensores dos direitos humanos, afirmam que a acentuada intensificação na campanha de drones transformou famílias enlutadas em organizações terroristas.

Enquanto isso, a prisão de Guantánamo, em Cuba, abriga agora 169 detentos. Cerca de metade deles foi liberada e aguarda a soltura, sem nenhuma perspectiva de ser libertada. As autoridades americanas revelaram que, para obter confissões, alguns dos poucos que foram levados a julgamento (somente em tribunais militares) foram torturados.

Por incrível que pareça, tais fatos não podem ser usados na defesa dos acusados, pois o governo afirma que essas práticas ocorreram sob o sigilo da "segurança nacional". Não há perspectiva de julgamento nem libertação para a maioria dos demais prisioneiros.

Num momento em que revoluções populares estão varrendo o globo, os EUA deveriam agir no sentido de fortalecer - em vez de enfraquecer - as regras básicas do direito e os princípios da justiça enumerados na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas, em vez de tornar o mundo mais seguro, a violação dos direitos humanos internacionais por parte dos EUA encoraja nossos inimigos e afasta nossos aliados. 
Como cidadãos preocupados, temos de convencer Washington a reverter esse curso e retomar a posição de liderança moral segundo as normas dos direitos humanos que tínhamos adotado oficialmente como nossas, celebrando-as ao longo de tantos anos.


(*) Conhecido como Jimmy Carter, James Earl Carter, Jr. nasceu em 1 de outubro de 1924, em Plains, Geórgia-USA, foi o 39° presidente dos Estados Unidos da América, é o fundador do Carter Center e o ganhador do prêmio Nobel da Paz de 2002

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Extraído de:
http://boilerdo.blogspot.com.br/2012/06/ex-presidente-pede-que-os-eua-respeitem.html
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Após atacar nepotismo, golpista nomeia parentes

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SUL21


02/07/2012 - 20:05

Após prometer acabar com nepotismo, Franco nomeia cunhada e primo no governo do Paraguai







Com dez dias na presidência do Paraguai, Federico Franco nomeou a esposa de seu irmão, Mirtha Vergara de Franco, como conselheira da hidrelétrica de Itaipu e o primo Víctor Rivarola como ministro na Secretaria de Ação Social. As nomeações ocorreram apesar de o novo presidente ter prometido não lotear cargos públicos com parentes – uma das acusações que os parlamentares lançaram contra o ex-presidente Fernando Lugo no processo de impeachment relâmpago que o derrubou do poder.

Durante o discurso de posse, no dia 22 de junho, Franco prometeu que “terminaria a época em que amigos e parentes ocupam cargos públicos”.

Extraído de:
http://sul21.com.br/jornal/2012/07/apos-prometer-acabar-com-nepotismo-franco-nomeia-cunhada-e-primo-no-governo-do-paraguai/
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domingo, 1 de julho de 2012

Após aliança com Lula, Maluf tira onda!


"Eu, perto do Lula, sou comunista". Maluf em entrevista à Folha






São Paulo, terça-feira, 26 de junho de 2012 - FOLHA DE SÃO PAULO

ELEIÇÕES 2012

'Perto do Lula, sou comunista', diz Maluf

Pivô da polêmica aliança PT-PP, ex-prefeito afirma que petista defende banqueiros com muito mais vontade que ele

Segundo o pepista, José Serra esteve duas vezes em sua casa para negociar apoio, mas a conversa não deu certo

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf (PP) recebeu a Folha ontem em seu escritório para mostrar as fotos de seu calendário com autoridades internacionais, como o papa João Paulo 2º e os ex-presidentes americanos George Bush e Bill Clinton.

Falou também da já célebre imagem com o ex-presidente Lula em sua casa e do apoio ao candidato do PT, Fernando Haddad, à prefeitura. Um resumo da conversa:

A foto
O que teve foi o seguinte: a mídia toda foi furada, inclusive a Folha. Publicavam sempre que o PP já estava fechado com o PSDB. Mas eu nunca fui consultado. Mandei aviso à imprensa de que, naquele dia, anunciaria em minha casa o nome de quem iria apoiar.

Quando abriu o portão, [os jornalistas] encontraram a mim e ao Lula. [rindo] Se sentiram provavelmente desinformados. Caiu o mundo.

Mas não caiu mundo nenhum. Em 2002, nós apoiamos o Lula [para presidente] e o [José] Genoino [candidato a governador de SP] no segundo turno. Em 2004, apoiei a Marta [Suplicy, candidata a prefeita].

Marta Suplicy
Ela não reclamou do meu apoio [em 2004], ficou feliz da vida. Nunca ouvi ela falar mal de mim. Mas eu entendo a Marta. Ela julgava que seria candidata a prefeita [neste ano]. Se fosse, ela teria sido agraciada com nosso apoio.

Apoio a José Serra
O Serra esteve em casa duas vezes -uma delas, há três semanas, com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que é meu amigo. Conversamos sobre tudo. Mas não deu certo [o acordo com o PSDB]. O Serra é bem vindo na minha casa dez vezes. Mas eu não sou eu, eu sou um partido. Tem deputados federais, estaduais, vereadores.

Gabriel Chalita
Da mesma maneira o Chalita [candidato do PMDB a prefeito] é bem vindo. Ele almoça em casa, janta em casa, está sempre comigo em Brasília. O Chalita é amigo da gente.

Lula constrangido
Fechado o acordo com o PT, fizemos um almoço em casa, algumas pessoas compareceram. E o Lula foi convidado. Constrangido? Ao contrário, ele estava alegre e feliz. Eu que inibi o presidente, 'não fala, presidente', por causa do problema na garganta.

Antigos adversários
Quem mudou? O Lula assumiu em 2003 sob a desconfiança de que era um Fidel Castro brasileiro. Achava que ele tinha que ter estágio no governo brasileiro até para o povo se decepcionar com ele. Mas, da maneira que exerceu a Presidência, diria que ele está à minha direita. Eu, perto do Lula, sou comunista.

Eu não teria tanta vontade de defender os bancos e as multinacionais como ele defende. Quando ele tira imposto dos carros, tira da Volkswagen, da Ford, da Mercedes. Quando defende sistema bancário, defende quem? Os banqueiros.
Eu, Paulo Maluf, industrial, estou à esquerda do Lula. De modo que ele foi uma grata revelação do livre mercado, da livre iniciativa.

Dilma e Alckmin
Em 2014, a minha chapa vai ser Dilma [Rousseff] para presidente e Geraldo Alckmin para governador. Ela está sendo uma excepcional presidente, além de todas as expectativas. E Alckmin está sendo muito bom governador.

Somos parte do governo federal, através do Ministério das Cidades, e aqui em São Paulo, com dois diretores da CDHU [companhia habitacional]. Na Assembleia Legislativa, votamos com o governador. Acabou a eleição, o que interessa é que haja governabilidade.

Apoio aos tucanos
Apoiei o [Mario] Covas no segundo turno [ao governo em 1994]. Ele foi lá, na sede do PPB, pedir apoio. E ganhou por diferença tão pequena que, se eu estivesse do outro lado, perdia. Em 1998, apoiamos FHC, que teve 51%. Se não fosse meu apoio, ia para o segundo turno contra o Lula.


Extraído de:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/51114-perto-do-lula-sou-comunista-diz-maluf.shtml
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