sábado, 14 de janeiro de 2017

Os CCs de Sartori e o ajuste fiscal

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A nomeação de CCs para fundações extintas realizada pelo governador Sartori horrorizou até muitos daqueles que defendem o ajuste fiscal [*]. Isso é porque muitos desses acreditam que tais medidas são para “colocar as contas públicas em ordem”. Nunca foram!

Os ajustes fiscais que têm sido implementados em várias partes do mundo nada mais representam do que medidas para manter o modo de produção capitalista funcionando, o que passa por garantir a manutenção dos privilégios do topo da pirâmide transferindo recursos públicos e do andar de baixo para o andar de cima, em uma espécie de Robin Hood ao contrário.

Não é casual que nenhum ajuste fiscal conteste o maior gasto do Estado moderno que é a dívida pública e até garanta espaço para o seu crescimento, como atesta a PEC 55 do governo Temer. Não é casual que o pacote de Sartori acabava com órgãos públicos que não eram deficitários. Não é casual que, apesar do discurso de crise, as privatizações sejam realizadas com dinheiro público. Não é casual que as isenções ao grande capital não só não sejam revistas como sejam ampliadas enquanto os impostos para o andar de baixo aumentam. Não é casual que se mantenham os subsídios às tarifas públicas para o grande capital enquanto seu preço eleva-se para a maioria da população.

Os ajustes fiscais atuais nada mais são do que tubos de oxigênio do capitalismo em crise. Visam mantê-lo respirando. Não objetivam colocar as “contas públicas em ordem” mas manter em ordem os lucros privados dos grandes bancos, especuladores e empresários. Dessa farra participam os políticos a serviço do grande capital, os quais também tiram vantagem da pilhagem social. É um prêmio que lhes é permitido pelos "bons serviços prestados". Daí nomeia-se apadrinhados políticos para órgãos públicos extintos, aumenta-se o próprio salário, e por aí vai.

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[*] Repercutiu na grande mídia do Rio Grande do Sul a publicação do Diário Oficial do Estado, de 10 de janeiro de 2017, que trazia a nomeação de 6 CCs para a Fundação Zoobotânica (FZB) com salários de R$ R$ 6.765,60 e sem risco de parcelamento no pagamento. O órgão foi extinto pelo pacote do governador Sartori aprovado pela Assembleia Legislativa, em 21/12/2016. O mesmo pacote aprovou ainda a demissão dos servidores de carreira da referida fundação.



Não se trata de nenhuma novidade. Sem qualquer divulgação na grande mídia o governo Sartori já havia nomeado um CC para a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), às vésperas da sua extinção.


Um ano antes a Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs) foi extinta mas 24 CCs foram mantidos na sua folha de pagamento, a um custo mensal de R$ 120 mil. E mais uma vez sob o silêncio da grande mídia local.

Um ano após ter sua extinção aprovada, Fundergs segue existindo, mas apenas com CCs. 19/12/2016.



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domingo, 8 de janeiro de 2017

Observações sobre a violência no Brasil

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59.627 vidas foram ceifadas em 2014 pela violência que assola o país, um aumento de 3,7% em relação ao ano de 2013 (57.396). É o maior número absoluto de homicídios no mundo. O Brasil já colabora com 10% de todos os homicídios ocorridos no planeta [1]. Somente entre os anos de 2011 a 2015 foram 279.567 homicídios no Brasil mais do que na Síria no mesmo período (que foi de 256.124 mortes) [2]. Em 30 anos, de 1980 a 2010, a taxa de homicídios cresceu 124%! [3]




O Brasil possui a polícia que mais mata no mundo. Somente em 2015 foram 3.320 mortos pelas forças de segurança, número que sobe para absurdos 17.688 se analisarmos o período de 2009 até 2015 [idem 2]. Mesmo assim a violência não retroage como nos atestam os dados acima. Supondo que todos os mortos pela polícia tratavam-se de delinquentes (o que sabemos que não é o caso) fica evidente que a máxima “bandido bom é bandido morto” - já em vigor no país para os pobres - é uma fórmula ineficaz no combate à violência. Ela fica ainda mais desmoralizada quando se verifica que a polícia brasileira é a que mais morre também, sendo que a maioria dos policiais são mortos fora de serviço (quase três vezes mais): em 2015, 103 perderam a vida durante o exercício da função contra 290 que morreram fora. [ibidem]

Os duros fatos da realidade têm feito com que muitos dos que trabalham com Segurança Pública repenssem as formas de combate à violência no país. Recentemente o ex-Secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, criticou a crença de que o problema da violência possa ser resolvido aumentando o efetivo policial:

“A polícia não é solução do problema. Ela é parte da solução do problema. E esta é a visão sistêmica que tem de se ter do que é segurança. Segurança não é polícia. Dizer que segurança é polícia é uma miopia, porque se isso for assim vamos precisar de verdadeiros exércitos chineses nas ruas do Brasil.” [4]

E quais são as sugestões do aclamado homem das UPPs (Unidades de Políciais Pacificadoras) insuspeito de ser partidário da esquerda ou de ser militante dos Direitos Humanos?

“Quanto mais cidadania você der para uma população, menos polícia você precisa”

“Precisamos muito de segurança primária, que é obrigação do município, e tem muito prefeito que não sabe o que é isso. É cuidar da juventude, da assistência social, das famílias que estão nesses locais.” [ibidem]

Beltrame ainda defendeu que o Brasil deveria encarar o debate sobre a legalização das drogas [ibidem], um debate no qual o coronel Robson Silva, chefe do Estado Maior e um dos integrantes da cúpula da Polícia Militar do Rio de Janeiro, já se posicionou favorável à legalização:

“Rever o proibicionismo é estar alinhado com o que há mais de vanguarda. Ou seja, encarar de maneira inteligente e falar na possibilidade de regulação de um mercado pelo Estado, porque na verdade a gente vai ficar enxugando gelo se ficar com essa legislação atual.” [5]

Trata-se de uma medida simples com resultados positivos no cenário externo. Para pegar um exemplo de um país “modelo” aos olhos de muitos brasileiros o Estado do Colorado, nos Estados Unidos, legalizou apenas a maconha e viu as taxas de homicídios caírem mais do que a metade (52,9%) [6]; obteve arrecadação acima do estimado para o orçamento público, promovendo um dia sem impostos para devolver o excedente para a população, conforme preve a legislação local [7]; pode contar com US$ 35 milhões a mais para investir em educação devido à taxação de 15% do produto que é destinado a essa área essencial [8] e, contrariando a crença de muitos, viu o consumo reduzir entre os jovens [9].

A legalização da maconha no Brasil poderia movimentar em torno de R$ 5,7 bilhões por ano e ao mesmo tempo gerar uma redução de R$ 997,3 milhões em gastos com o sistema prisional do país [10]. É fácil compreender porque dessa economia: hoje, o tráfico de drogas lidera a incidência de crimes e responde por 27% do total aqueles que estão presos. Para se ter uma ideia a incidência do crime de homicídio encontra-se em terceiro lugar com 14% dos presos, quase a metade do tráfico [11].




O economista liberal, Milton Friedman, outro insuspeito de ser de esquerda ou militante dos Direitos Humanos, já havia antecipado que a chamada “guerra às drogas” seria um rotundo fracasso e que a legalização era o caminho. A experiência com a proibição de venda de bebidas alcóolicas nos Estados Unidos, entre 1920 e 1933, com o tráfico de bebidas e todos seus efeitos perniciosos, o autorizava a fazer essa constatação. [12]

Além da legalização é sabido que quanto menos concentração de renda e quanto mais oportunidades tiver um povo (o que torna o crime menos atraente), menos violência. E que com uma boa estrutura prisional os apenados são reabilitados. É por essa combinação que Suécia [13] e Holanda [14] estão fechando presídios.

Enquanto isso no Brasil o atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (ex-advogado do PCC), acredita ser possível erradicar a maconha no país [15]. Para piorar o ajuste fiscal dos governos ao cortar empregos, renda, acesso à saúde, educação e serviços públicos que ajudam as pessoas a se desenvolverem, concentra ainda mais riqueza no andar de cima e confere ainda menos oportunidades para o andar de baixo. Fecham-se escolas e abrem-se presídios - de preferência privados para poder desviar dinheiro público.

As classes dominantes locais e a maior parte daqueles que nos governam estão mais empenhados em perpetuar seus próprios bandititismos e livrar-se de condenações do que resolver qualquer assunto de interesse da maioria da população. Alguns deles, quando se pronunciam, é para apresentar como alternativa soluções tão fáceis quanto falsas para enfrentar o complexo problema social da violência. Na verdade eles são os principais causadores do problema e estão incapacitados de resolvê-lo. Logo, ou nos mobilizamos para de fato atacar as raízes da violência ou a barbárie vai se aprofundar cada vez mais.

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[1] Atlas da Violência 2016. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Brasília, março de 2016.

Taxa de homicídios no Brasil atingiu recorde em 2014. 23/03/2016.

[2] Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2016. Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

[3] Taxa de homicídios cresce 124% nos últimos 30 anos no Brasil. 14/12/2011.

[4] "A polícia é só parte da solução do problema", diz José Mariano Beltrame. Entrevista ao Jornal Zero Hora de Porto Alegre. 05/11/2016.

[5] Coronel da cúpula da PM-RJ diz que é preciso pensar na regulação da droga. 19/11/2015.

[6] Número de homicídios cai pela metade após legalização no Colorado. 21/05/2014.

[7] Colorado recolhe R$ 272 mi com maconha e tem dia sem imposto. 17/09/2015.

Arrecadação de impostos com maconha é o dobro da prevista no Colorado. 16/09/2015.

[8] Colorado arrecada R$ 530 milhões em impostos com a venda de maconha em 2015. 10/02/2016.

[9] Consumo entre jovens do Colorado caiu após legalização. 20/07/2016.

[10] Comércio formal de maconha movimentaria R$ 5,7 bilhões no Brasil. 09/06/2016.

[11] 56% dos presos do Brasil são jovens, aponta levantamento. 23/06/2015.

[12] Por que as drogas deveriam ser legalizadas. Entrevista com Milton Friedman.

[13] Suécia fecha quatro presídios por falta de condenados. 13/11/2013.

[14] Holanda fecha 19 presídios por falta de presos. 21/11/2016.

[15] Ministro da Justiça quer erradicar comércio e uso de maconha no Brasil. 17/12/2016.


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O roteiro de uma crise estrutural

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A parada funciona assim:

1) Os grandes grupos econômicos compram os políticos para atenderem aos seus interesses;

2) Os governos comprados lhes dão isenções fiscais, financiamentos a fundo perdido, afrouxam fiscalizações e geram crise fiscal;

3) Diante da crise fiscal os governos comprados dizem que a culpa é dos aposentados, da educação pública, da saúde pública, dos servidores públicos, dos direitos trabalhistas e sugerem que todos esses "privilégios" devem ser corajosamente enfrentados e que não há outro caminho;

4) Os governos comprados então promovem privatizações (financiadas com dinheiro público elevando ainda mais o endividamento), dificultam a aposentadoria, retiram direitos trabalhistas, cortam recursos da saúde e da educação, terceirizam serviços públicos para os seus amigos e elevam tarifas e impostos para o povo pagar;

5) O desemprego aumenta, a capacidade de consumo do povo diminui, pequenas e médias empresas fecham, a dívida pública aumenta, a concentração da renda e da propriedade aumentam e os governos comprados dizem mais uma vez que terão que servir “remédio amargo” para o povo enquanto mantêm o “melzinho na chupeta” para eles e os grandes grupos econômicos que os compram.

6) E segue o ciclo do mais do mesmo até que o povo dê um basta em tudo isso!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Curtinhas sobre a PEC e a conjuntura

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Uma grande empreiteira famosa confessa que comprava políticos para atender aos seus interesses no parlamento e nos governos.

O presidente da Câmara dos Deputados afirma que o Congresso Nacional não deve ouvir o povo.

Um deputado federal, que se aposenta com 8 anos de mandato, afirma que aposentadoria é "vagabundização remunerada" e que essa "mamata" vai acabar.

O Secretário da Previdência discute a contra-reforma que vai acabar com a aposentadoria apenas com os fundos e planos privados interessados na referida contra-reforma.

O Presidente da República, implicado nas delações da referida empreiteira, defende o fim das delações porque elas atrapalham o andamento do Congresso e da própria economia.

Um Congresso que não ouve o povo e que boa parte de seus integrantes foram delatados aprova uma emenda na Constituição que coloca os gastos com os banqueiros e os especuladores em primeiro lugar. O Brasil se tornou o primeiro país no mundo a declarar uma Constituição rentista.

A Câmara dos Deputados aprova uma contra-reforma no Ensino Médio que legaliza uma educação de castas no país e ainda tenta comparar com países que possuem uma educação de qualidade e universal.

Nunca foi tão explícito e escrachado! Fora Todos!!!


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Em 2005, o então Presidente Lula sancionou a "Nova de Lei de Falências" (Lei nº 11.101/2005) que colocava os banqueiros na frente dos trabalhadores na fila de recebimento de créditos de empresa em situação de falência.

Em 2016, o Congresso Nacional aprovou e Temer sancionará, uma PEC que coloca os banqueiros na frente de uma nação inteira na fila de recebimento dos recursos do orçamento público.

É a história se repetindo como uma tragédia "aperfeiçoada"!



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domingo, 11 de dezembro de 2016

A PEC 55 (ex-241) protegerá o esquema da dívida

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A PEC 55 (ex-241) cessará os parcos pingos que caem para as áreas sociais mas fará jorrar recursos para a dívida pública em um esquema que sequer poderá ser fiscalizado pelos órgãos de controle e que vem sendo elaborado pelos próprios especuladores interessados. Um esquema de geração de dívida pública que foi encontrado na Europa. É o que tem denunciado o Auditoria Cidadã da Dívida.



https://www.youtube.com/watch?v=1Xt6l1TfuS8




https://www.youtube.com/watch?v=wx3cjgslc6Y


 

domingo, 4 de dezembro de 2016

A Direção do Internacional deveria renunciar!

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As últimas ações e declarações dos principais dirigentes do Internacional foram tão odiosas e mesquinhas que tornaram o possível e vergonhoso rebaixamento à Série B menos constrangedor que a postura dos cartolas do clube. Tais atitudes não encontram respaldo na esmagadora maioria dos torcedores, que não se sentem representados e as têm repudiado.

Por isso, como COLORADO, defendo o fim da ação contra o Vitória da Bahia e a renúncia de toda a atual diretoria!

Não importa que falta pouco para essa gestão acabar. Não importa que a batalha contra o rebaixamento já esteja perdida (e ela está perdida pois depois dessa semana alguém acredita que com a antipatia gerada pelos cartolas clubes como o Figueirense não vão fazer corpo mole para castigar o Inter?).

Importa é restabelecer o mínimo de dignidade, de vergonha na cara, de humildade, de humanidade e de solidariedade. Importa restabelecer a simpatia que o Internacional gozava da maioria dos torcedores do resto do país. Importa restabelecer o sentimento da quase totalidade dos torcedores do clube que há muito criticam a atual diretoria e reprovaram em massa o que ela fez durante essa semana, que extrapolou todos os limites do aceitável.

E a única maneira de restabelecer parte disso tudo é com a RENÚNCIA DA ATUAL DIREÇÃO DO CLUBE, uma medida ainda que tardia, necessária e urgente.


TAPETÃO NÃO! PELA RETIRADA DA AÇÃO CONTRA O VITÓRIA!

RENÚNCIA JÁ DE TODA A DIREÇÃO DO INTER!


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