sexta-feira, 22 de abril de 2022

Por que Cury ficou e Arthur saiu?

 

Por que o deputado Fernando Cury, que apalpou a deputada Isa Penna no plenário da Alesp na frente de todo mundo, foi mantido e Arthur do Val, o Mamãe Falei, seria cassado?

A pergunta, que tem sido feita em tom de chorume pelo próprio MBL, é pertinente e a resposta bastante reveladora.

E a resposta, em sua essência, é bem simples: Isa Penna não é revolucionária, chegou a confraternizar com o MBL, mas mesmo assim é vista como uma pessoa de esquerda pelos reacionários. E a violação dos corpos das pessoas de esquerda é permitida. Mais do que permitida ela é desejada.

O próprio MBL avaliza e incentiva a violação dos corpos das pessoas de esquerda. Foi assim quando espalharam fake news contra Marielle Franco. Foi assim quando zombaram de professores agredidos pela PM. Foi assim quando apoiaram classificar, na lei, o MST e o MTST como terroristas.

Mas não são apenas as pessoas de esquerda que podem ter seus corpos violados. Alguns povos também. Se a fala de Arthur tivesse sido dirigida a mulheres pobres palestinas, africanas, iraquianas ou de qualquer outro povo atacado pelo imperialismo americano e seus aliados nada teria acontecido com ele. Mas sua fala atingiu um país aliado do Ocidente na atual guerra de pilhagem interburguesa. E que não se cause confusão conosco: essa constatação óbvia não deve ser interpretada como defesa da invasão de Putin, a qual repudiamos veementemente.

Um último, e importante, elemento a destacar são as eleições de 2022. Há uma disputa entre reacionários em busca de votos e eles concorrem no mesmo nicho eleitoral. Por isso todo o deslize será denunciado, nenhuma oportunidade de desmoralizar o outro será desperdiçada e não haverá hesitação em um derrubar o outro.

Nessa briga abunda a hipocrisia, a incoerência e a falta de moral. Um corrupto denuncia a roubalheira do outro, machistas se fingem de defensores das mulheres, apoiadores dos ricos se fingem de preocupados com os pobres, etc. Um reacionário busca “cancelar” o outro reacionário para tomar-lhe os votos.

De nossa parte torcemos pela briga. Mas não só. Seguiremos buscando politizar, organizar e mobilizar a nossa classe para se livrar não só de todos os reacionários (os assumidos e os camuflados) mas principalmente da decadente e putrefata ordem do capital que os produz e a qual eles representam.

 

 

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segunda-feira, 11 de abril de 2022

O patrono da destruição da educação brasileira

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Meu objetivo básico no Brasil é tentar melhorar a educação. Estamos preparando um novo kit de como melhorar a educação no Brasil, que é o que acho que o Brasil mais precisa”. [1]


Parece um ministro da educação falando mas trata-se do bilionário, Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do Brasil. Tais palavras foram proferidas na Brazil Conference, evento que ocorre anualmente nos Estados Unidos e que é financiado pelo próprio magnata.

Lemann não está idealizando ou blefando. Desde que saiu na imprensa, em 2015, sua disposição de estender seus tentáculos sobre a educação [2], área na qual possui investimentos, tem-se visto, abertamente, a atuação da sua fundação.

A Fundação Lemann foi fundamental para a aprovação da contrarreforma do Novo Ensino Médio, em 2017. Para se ter uma ideia José Mendonça Filho, Ministro da Educação de Temer que tocou a contrarreforma, foi integrar a Fundação Lemann após o governo [3]. A referida Fundação foi linha de frente da organização, elaboração e implementação da Base Nacional Curricular Comum do Novo Ensino Médio:

Apoiamos organizações e fazemos parte de coalizões e movimentos que buscam garantir que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) seja implementada com qualidade em todo o Brasil: Movimento pela Base, Educação Já, Instituto Reúna e Nova Escola. Trabalhamos em articulação com Consed e Undime no monitoramento do avanço da implementação da BNCC. Produzimos insumos técnicos e orientações para orientar gestores públicos e ainda atuamos com instituições de pesquisa de ponta no Brasil e no exterior para avaliar a implementação da BNCC e propor recomendações.” (Fundação Lemann. Como atuamos: Políticas Educacionais) [4]

Como se pode perceber Lemann fala como se político fosse porque de fato o tem sido. Além de financiar eventos que sugerem às atuais, e futuras, autoridades adotar medidas que aumentam os seus próprios lucros (o que ficou conhecido na vanguarda como “partido clandestino”) o mega-especulador tem conseguido adentrar a gestão do Estado através da sua fundação. A Fundação Lemann hoje está em várias Secretarias de Educação, em Estados e Municípios, tomando medidas na área e até mesmo nos Recursos Humanos públicos desenhando a retirada de direitos dos servidores. Em suma, ela governa!

E o que integra o kit de Lemann para a educação? Vejamos o exemplo do Estado onde a sua fundação tem ampla atuação: o Rio Grande do Sul.

Governando em parceria com o tucano Eduardo Leite, um dos políticos financiados por Lemann, retirou R$ 92 milhões da educação para aplicar em rodovias a serem privatizadas; demitiu profissionais em plena licença de saúde, incluindo uma professora com câncer; promoveu fechamento recorde de escolas (sendo que a escola que leva o nome do Estado chegou a ser arrombada para ser fechada); adotou assumidamente práticas antissindicais como o confisco do salário de grevistas que recuperaram os dias parados; promove cortes mensais ilegais de direitos básicos de educadores; descontou dos salários das direções de escola por serem oposição ao governo; pratica assédio moral em educadores, principalmente os com contratos temporários; na pandemia negociou a troca das vidas das comunidades escolares por privatizações de estatais; se recusou a nomear representantes eleitos para o Conselho Estadual de Educação; impôs, na calada da madrugada, o currículo do Novo Ensino Médio (que no RS se tornou um dos mais enxutos do país); aplicou o menor percentual em educação dos últimos 12 anos; colocou o Sebrae para ministrar formação de professores em vez de faculdade de educação; está proibindo a formação de grêmios estudantis; entre outras atrocidades que devemos ter esquecido. [5]

Nem precisa ser da área para perceber que tais medidas não melhoram a educação. Porém, elas enxugam o Estado liberando recursos e criando um “mercado” para Lemann e sua turma; constrangem a organização democrática das comunidades escolares facilitando o desferimento de mais ataques e privatizações; permitem lucrativos contratos com o Estado seja com livro didático, formação e agora se apropriando do próprio currículo e abre as portas da privatização da educação.

Quais as medidas do “novo kit”? Ainda não sabemos. Mas já é possível saber que o objetivo de Lemann é melhorar ainda mais as suas taxas de lucros, não a educação.


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[1] 'Teremos um novo presidente no Brasil ano que vem', diz Jorge Paulo Lemann. Folha de São Paulo, 09/04/2022.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/04/teremos-um-novo-presidente-no-brasil-ano-que-vem-diz-jorge-paulo-lemann.shtml


[2] “Como Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil, pretende mudar a educação no país. Costurar a criação da Ambev, adquirir o Burger King e a Heinz foram bons treinos. O desafio que Lemann se impôs agora é consertar o ensino público brasileiro.” Época Negócios, 01/01/2015.

https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2015/01/como-jorge-paulo-lemann-o-homem-mais-rico-do-brasil-pretende-mudar-educacao-no-pais.html


[3] Ex-ministro retoma atuação como consultor na Fundação. 29/01/2021.

https://fundacaolemann.org.br/noticias/ex-ministro-retoma-atuacao-como-consultor-na-fundacao


[4] Fundação Lemann. Como atuamos: Políticas Educacionais.

https://fundacaolemann.org.br/educacao-publica-de-qualidade/politicas-educacionais


[5] Projeto de Vida: a estupidificação das classes populares. MonBlog, 28/04/2020.

https://blogdomonjn.blogspot.com/2020/04/projeto-de-vida-estupidificacao-das.html


No RS você pode ficar sem salário se discordar do governo. Monblog, 02/01/2021.

https://blogdomonjn.blogspot.com/2021/01/no-rs-voce-pode-ficar-sem-salario-se.html


Governo Leite: compilado de medidas (com fontes). MonBlog, 05/07/2021.

https://blogdomonjn.blogspot.com/2021/07/governo-leite-compilado-de-medidas-com.html


Eduardo Leite aplicou menor percentual em educação nos últimos 12 anos. CPERS, 17/02/2022.

https://cpers.com.br/eduardo-leite-aplicou-menor-percentual-em-educacao-nos-ultimos-12-anos


Com a programação inteiramente dedicada aos mais de 57 mil professores da Rede Estadual, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc), em parceria com o Sebrae, promoveu, nesta segunda-feira, 14 de fevereiro, o terceiro encontro da Jornada Pedagógica 2022. O evento, que segue até esta terça-feira, 15 de fevereiro, é transmitido pelo canal do YouTube TV Seduc RS sempre a partir das 9h.

Jornada Pedagógica 2022 traz orientações aos professores da Rede Estadual para o ano letivo. SeducRS, 14/02/2022.

https://educacao.rs.gov.br/jornada-pedagogica-2022-traz-orientacoes


Estudantes de Canoas lutam pela liberdade e democracia dos Grêmios Estudantis. CPERS, 07/04/2022.

https://cpers.com.br/estudantes-de-canoas-lutam-pela-liberdade-e-democracia-dos-gremios-estudantis/



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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

O PT e a revogação das contrarreformas neoliberais

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Um alarido foi feito após Lula tuitar uma reportagem sobre a “revogação” da reforma trabalhista na Espanha. Revogação com aspas mesmo já que o movimento sindical combativo e a esquerda revolucionária espanhola já desmascararam a medida.

Mas a fidelidade do fato na Espanha pouco importa para a direita e a mídia burguesa brasileira. Para uma classe dominante que tenta normalizar a desgraça causada pelas contrarreformas que lhe ampliou privilégios qualquer ressalva às mesmas é intolerável. “Lula deveria ser explícito sobre seu plano econômico”, cobrou O Globo em editorial no dia 7 de janeiro.

Por outro lado, no andar de baixo, muitos e muitas foram tomados por sentimentos de alegria, otimismo e esperança. Analisemos, então, cuidadosamente toda essa questão.


Pressão da base

A crise estrutural do capital global somada a posição subalterna do Brasil na divisão internacional do trabalho levou a burguesia local a desencadear uma verdadeira guerra aos direitos sociais da classe trabalhadora ampliando a concentração de riqueza, o desemprego, a fome, a falta de perspectiva, em suma, criando uma terra arrasada neoliberal. Porém, nessa terra arrasada floresce e cresce a polarização social.

Nesse cenário propostas radicais ou vistas até então como utópicas ganham audiência e adesão. Ao discurso da privatização de tudo se contrapõe a reestatização; ao de retirada de todos os direitos, a revogação das contrarreformas; à extrema direita se contrapõe uma esquerda revolucionária. E é desta última o mérito de ter levantado a bandeira da revogação das contrarreformas, assim como outras bandeiras. Essa pauta adentrou as fileiras da base do PT obrigando seus dirigentes a ter que dar alguma satisfação.


O caminho para a revogação

Acordos com a burguesia e a direita, como fez a socialdemocracia espanhola com a reforma trabalhista, são incapazes de anular uma contrarreforma neoliberal.

A revogação das contrarreformas só será possível com a mobilização de milhões nas ruas e com greve geral, como se deu no Chile e na Colômbia, e isso mesmo que a esquerda obtivesse os 503 deputados e os 81 senadores – o que não será o caso.

O caminho é esse porque a burguesia não assistiria passivamente a anulação dos seus privilégios. Tal perspectiva, porém, inviabilizaria alianças eleitorais com o mal chamado centro e a direita.


O exemplo deveria vir de casa

O PT governa estados e municípios, portanto, poderia começar por essas instâncias a revogação das contrarreformas. No entanto, verifica-se o oposto.

No Rio Grande do Norte e no Piauí governos petistas aprovaram Tetos de Gastos estaduais. A contrarreforma da previdência de Bolsonaro foi rapidamente implementada no Rio Grande do Norte, no Piauí, no Ceará e na Bahia – sendo que nos dois últimos Estados a aprovação se deu com forte repressão policial dos servidores.

Se isso não bastasse em algumas localidades o PT, estando na oposição, colabora com a implementação do programa neoliberal. Um exemplo disso foi no Rio de Janeiro do bolsonarista Cláudio Castro com apoio ao nefasto Regime de Recuperação Fiscal com o petista André Ceciliano chegando a insinuar que os servidores são “vagabundos”.

Soma-se a isso a obstrução, desmonte e sabotagem de greves tanto contra o ajuste de Bolsonaro quanto contra governos municipais e estaduais da direita. As privatizações, por exemplo, estão acontecendo sem greves nas empresas.


Retórica eleitoral

Nas disputas de segundo turno contra os tucanos nas eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014 o PT colocava a crítica das privatizações no centro do debate, o que encurralava o adversário e ajudava a coesionar parte da base de esquerda. Uma vez (re)eleito nenhum parafuso era reestatizado e novas privatizações eram realizadas.

O abismo entre o repentino discurso de revogação das contrarreformas com a prática concreta do partido parece indicar a mesma tática do passado. A revogação vira mera retórica eleitoral e uma vez eleito tudo fica como está e se algo for feito será no máximo uma “revogação à espanhola”, cujo exemplo já foi apresentado e agitado.

Essa retórica também serve a quem já queria embarcar na candidatura de Lula desde o primeiro turno independente do vice e das alianças. Assim, em partidos como o PSOL podem se sentir fortalecidos aqueles que desejam revogar de vez a candidatura de Glauber Braga.

A esquerda revolucionária precisará ser firme com o seu programa para manter a capacidade de esclarecimento do mesmo e de como atingi-lo. Não deve se omitir ou se intimidar desse debate com receio de ser vista como “sectária” pois do contrário a consequência será a diluição e perda de identidade no meio da confusão programada.

 

 

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terça-feira, 2 de novembro de 2021

Só a radicalidade nos salva!

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Ser radical é atacar o problema em suas raízes

Karl Marx [*]



Desde a crise de 2008 cresce a percepção de que há algo profundamente errado com o sistema. Diz-se que nada aprendeu-se com ela e que os mesmos erros seguiram sendo cometidos. Muitos economistas admitem que a sua ciência carece de crédito seja pelos resultados alcançados ou por não conseguir antecipar as consequências - assim como evitá-las ou combatê-las.

Antes da pandemia era esperada uma nova crise financeira, cujos sintomas já se faziam sentir no segundo semestre de 2019, e nos altos círculos do capital alguns alertavam para a necessidade de reformas. Teve até bilionário advertindo para o risco de revoluções [1]. Mas nenhuma reforma foi feita.

Os lamentos, sinceros ou hipócritas, esbarram em um sistema incontrolável e cuja crise não é apenas cíclica mas estrutural. Relatório da OCDE aponta para estagnação global nos próximos 40 anos [2]. As taxas de lucros encontram-se nos menores patamares históricos [3]. Para tentar sair da estagnação e manter as taxas de lucros em patamares aceitáveis para o capital a exploração sobre o conjunto dos povos é intensificada. Todo esse estado de coisas não é fruto de incompetência política, técnica ou administrativa; pelo contrário, é consequência do desenvolvimento do próprio capitalismo que de tão maduro já está apodrecido.

Em toda a sociedade as instituições existem para reproduzi-la. Na sociedade capitalista não é diferente. Mas nela são as instituições políticas e jurídicas que concentram a maior parte do desgaste pois são linha de frente da defesa e implementação das medidas de intensificação da exploração da maioria [4]. Cresce a desconfiança, a desesperança, o mal-estar, as lutas e a polarização social. Esta última tem se manifestado de forma distorcida em algumas figuras políticas.

Em países periféricos como o Brasil a barbárie já não pode mais ser disfarçada, nem escondida. A burguesia se esforça para naturalizá-la [5], porém, esta se apresenta cada vez mais por aquilo que realmente é: o projeto de acumulação de uma burguesia financeirizada, dependente e associada ao capital internacional.

Propostas que envolvem menor esforço, como as reformistas, costumam parecer sensatas e atraentes mas na atual conjuntura não tardam a mostrar os seus limites – às vezes sua completa esterilidade. Mas a conjuntura vem fazendo crescer também a atenção e simpatia por saídas radicais. Ou que assim transpareçam.

E é na radicalidade que reside a única possibilidade de dias melhores para a humanidade. Pense nos problemas atuais do Brasil. Gasolina cara? Como baixá-la sem enfrentar os acionistas? E como enfrentar os acionistas sem tirar a Petrobras do mercado financeiro, o que significa estatizá-la? Comida cara? Fome? Degradação ambiental? Extermínio indígena? Como resolver tais problemas sem tocar no agronegócio? E como enfrentar o agronegócio sem encarar a questão da propriedade fundiária? Sem falar em nacionalização da terra? Desindustrialização? Como revertê-la sem enfrentar uma burguesia financeirizada? E como enfrentar uma burguesia financeirizada sem tocar na estatização do sistema financeiro? Investimentos sociais? Como garanti-los sem recuperar o orçamento público capturado pelo rentismo? E como fazer isso sem acabar com o teto de gastos e as inúmeras leis fiscais cuja “responsabilidade” é com o capital? Sem auditoria da dívida pública e a suspensão do seu pagamento? Sem acabar com a autonomia, formal ou informal, do Banco Central? E sem colocar para fora dele os representantes dos banqueiros? Crise de representação? Como enfrentá-la sem mandatos imperativos e revogáveis em todos os níveis? Sem conselhos populares? Sem uma democracia da nossa classe que aponte para outra forma de sociedade?

Apresentar medidas radicais deixou de ser mera propaganda do socialismo para se tornar a única possibilidade de solucionar nossos problemas mais básicos e elementares. É questão de sobrevivência - literalmente!


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[*] MARX, Karl. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. 1844.

https://www.marxists.org/portugues/marx/1844/critica/introducao.htm


[1] “Estamos agora numa situação em que ou a) as pessoas com diferentes inclinações ideológicas trabalham em conjunto para refazerem a engenharia do sistema para que o bolo seja bem dividido e cresça ou b) teremos um grande conflito e alguma forma de revolução que irá causar danos a quase toda a gente” (Ray Dalio, fundador do Bridgewater Associates, maior fundo hedge do mundo).

“Capitalismo falhou e precisa de uma reforma”, diz líder do maior hedge fund do mundo. InfoMoney, 14/04/2019.

https://www.infomoney.com.br/mercados/capitalismo-falhou-e-precisa-de-uma-reforma-diz-lider-do-maior-hedge-fund-do-mundo/


[2] OECD Publishing. The long game: Fiscal outlooks to 2060 underline need for structural reform. Economic Policy Paper Nº29, October 2021.

https://www.oecd-ilibrary.org/docserver/a112307e-en.pdf?expires=1635714678&id=id&accname=guest&checksum=146F6D7B4E49060B735FC55C539BA3A1


[3] ROBERTS, Michael. Taxa de lucro mundial: uma nova abordagem. 20/09/2020.

https://www.resistir.info/crise/roberts_20set20.html


[4] Datafolha: Cai confiança da população nas instituições e nos três Poderes. Folha de São Paulo, 24/09/2021.

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/09/datafolha-cai-confianca-da-populacao-nas-instituicoes-e-nos-tres-poderes.shtml


[5] Como atestam as inúmeras matérias na grande mídia que sugerem comer caruncho e comida mofada; que exaltam as vantagens de usar lenha para cozinhar; que ensinam a economizar água, luz e combustíveis; além dos “especialistas” que normalizam os preços elevados e defendem os planos de austeridade como solução.



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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

A quem serve a sugestão de Lula aos servidores?

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Lula diz que é preciso derrotar a PEC 32: "todo apoio à luta dos servidores  públicos" - Tribuna da Imprensa

 

Lula se reuniu com sindicalistas do serviço público e deu a seguinte sugestão de luta contra a “reforma” administrativa:

Acho que temos que modelar nossa briga para a gente conquistar mais coisas. Precisamos mudar o jeito de pressionar o Congresso Nacional. Esse cidadão precisa ser pressionado na rua e na cidade que ele mora, e não estou dizendo que tem que ser grosseiro com eles como são com a gente. É pressionar de forma civilizada. Chegar na casa dele, com a mulher dele, e falar ‘porra, cara, você não sabe a situação que a gente está vivendo? Você tem noção do que está fazendo?’” [*]

Esse ridículo “por favor deputado não vote contra nós” já é praticado sem sucesso pelo sindicalismo brasileiro há anos. É a essência da inócua palavra de ordem “Se votar não vota”.

É claro que não há necessidade de “ser grosseiro”. Há a necessidade de utilizar os métodos de luta da classe trabalhadora. No caso uma greve geral do serviço público com ampla campanha de divulgação e diálogo com a população.

Os sindicatos dos servidores ainda se mantêm fortes. Seria possível, e ainda é, construir uma grande greve e derrotar essa contrarreforma que por muito pouco não foi abortada na comissão. Mas Lula silencia sobre a palavra “greve”. E não é casual. O sindicalismo petista vem assistindo sem luta as privatizações e sabotou o dia 18 de agosto - dia de greve dos servidores contra a PEC 32. No fundo a estabilidade que a frente popular realmente defende é a do regime.


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[*] Lula diz para servidores pressionarem parlamentares fora do Congresso. Correio Braziliense, 07/10/2021.

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/10/4954164-lula-diz-para-servidores-pressionarem-parlamentares-fora-do-congresso.html


 

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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

A luta de classes no Fora Bolsonaro

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Com o fracasso dos atos do dia 12 de setembro convocados por MBL, Vem Pra Rua e demais setores da direita “arrependida” foi criada uma narrativa com o eixo central na “unidade” para tentar constranger a esquerda e a frente popular.

O pedido de “unidade” normalmente é antecedido da responsabilização da esquerda e da frente popular pelas ruas esvaziadas. O fato do ato da direita ter sido convocado com meses de antecedência, evidenciando a incompetência dos seus organizadores, não é mencionado. O caráter eleitoreiro é ocultado. E o exclusivismo com o qual o ato foi convocado só é lembrado para tentar criar uma aura de sensatez nos organizadores que, “cientes” da necessidade da “unidade”, mudaram aos 45 do segundo tempo o mote “Nem Bolsonaro, Nem Lula”, que sequer foi respeitado - quando na verdade perceberam o tamanho do fiasco que ocorreria.

Analogias históricas incongruentes, como as “Diretas Já” e os Aliados na Segunda Guerra Mundial, completam a narrativa. Curiosamente, mas não acidentalmente, a experiência histórica mais próxima da frente ampla que falam em editar não é mencionada: a “teoria dos campos” (progressistas x reacionários) que nos anos 30 reuniu comunistas, socialistas e liberais em frentes políticas amplas para enfrentar o fascismo e que fracassou em todas as tentativas.

O Fora Bolsonaro não é vazio de conteúdo. Os atos da esquerda e da frente popular têm tido mais público porque boa parte das pessoas que participam deles anseiam derrubar o plano de ajustes neoliberal junto com Bolsonaro. A direita “arrependida” quer tirar Bolsonaro para aplicar o ajuste sem ruídos e junto com a grande mídia tenta emplacar a ideia de que o ajuste é bom mas que não está funcionando pela falta de etiqueta do miliciano. Deixar de lado as diferenças, que não são de ideias mas de interesses antagônicos de classes, em pró de uma “unidade” que esvazie o conteúdo do Fora Bolsonaro só serve aqueles que querem salvar a causa real do desgaste de Bolsonaro: o plano econômico neoliberal. Em suma, só serve à direita – ela sabe disso e por isso prega unidades em torno de pautas vazias de conteúdo como também faz com a defesa abstrata da democracia.

Os atos mostraram que não precisamos do MBL e similares e que é preciso aproveitar o seu enfraquecimento social para jogá-los na lata do lixo da história e tacar fogo na lixeira. Votam de 80% a 90% das vezes nos projetos do governo porque são tão reacionários quanto Bolsonaro. Tendo em vista a queda da popularidade dele buscam descolar-se do mesmo para tentar sobreviver eleitoralmente.

Nos últimos dias após a “solução Temer” o próprio STF parece ter firmado um acordão com Bolsonaro para salvar Flávio [1] e a Globo lançou um editorial [2] sugerindo que, se mostrar na ONU o seu lado “Jair Peace and Love” (tsc!), estaria disposta a dar mais uma chance ao miliciano.

Todos esses fatos deixam claro que a unidade necessária para derrotar Bolsonaro é com todos os extratos do proletariado jogando peso na luta direta com atos menos espaçados e greve geral. Não foi em frente ampla com a direita, nem com acordos com a institucionalidade burguesa e tampouco com acordos entre burocratas partidários que os chilenos derrubaram a constituição de Pinochet, que os colombianos derrotaram os planos privatistas de Iván Duque, que os guatemaltecos reverteram os cortes na saúde e educação - apenas para citar alguns exemplos recentes.

Será com os métodos de luta da nossa classe que derrubaremos Bolsonaro e que saíremos da terra arrasada neoliberal. Combater o miliciano e o ajuste são parte da mesma luta. Equivocam-se os que criam um etapismo (primeiro tiramos Bolsonaro e depois enfrentamos o ajuste). Nossa classe tem mostrado disposição de luta. É preciso unificá-la, valorizá-la e aproveitá-la. Mais rua, menos institucionalidade. Mais luta, menos acordo de cúpula. Mais 2021, menos 2022.


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[1] A "coincidência" do adiamento do julgamento de Flávio Bolsonaro no STF. Thaís Oyama. UOL, 14/09/2021.

https://noticias.uol.com.br/colunas/thais-oyama/2021/09/14/a-coincidencia-do-adiamento-do-julgamento-de-flavio-bolsonaro-no-stf.htm


[2] Bolsonaro tem chance de reparar imagem do Brasil. O Globo, Editorial, 19/09/2021.

https://blogs.oglobo.globo.com/opiniao/post/bolsonaro-tem-chance-de-reparar-imagem-do-brasil.html



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domingo, 12 de setembro de 2021

Precisamos do proletariado, não da direita

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Os atos do dia 12 de setembro convocados pelo MBL e a direita “arrependida” se mostraram um retumbante fracasso. Um fracasso que já era esperado. A base desse setor minguou. E foi por isso que o mote abertamente eleitoral foi modificado para acomodar setores como PDT, PSB, PCdoB, Rede, etc.


Entre os gatos pingatos foram vistos supremacistas brancos, monarquistas e ancaps que defendem cidade privada governada por CEO eleito por ninguém. Belos democratas!


Os atos mostraram que não precisamos do MBL e similares e que é preciso aproveitar o seu enfraquecimento social para jogá-los na lata do lixo da história e tacar fogo na lixeira. São tão reacionários quanto Bolsonaro e tendo em vista a queda da sua popularidade buscam descolar-se do mesmo para tentar sobreviver eleitoralmente.


Que o setor da frente popular que aderiu a esses atos faça uma pesada autocrítica. Que o setor que corretamente optou por não participar não tente levantar os decaídos do MBL colocando-os em futuros palanques de futuros atos.


A derrota de Bolsonaro e do bolsonarismo passa por uma aliança forte e franca com o proletariado e não com a institucionalidade apodrecida e seus políticos burgueses que atacam a nossa classe todos os dias criando um ambiente fértil para o florescimento e crescimento da extrema-direita.


O próximo ato da campanha Fora Bolsonaro foi marcado apenas para outubro. É um erro. Precisamos de atos mais seguidos, semanais se for possível (e com a disposição de luta demonstrada nos atos anteriores acreditamos ser possível). Precisamos de uma greve geral para derrubar Bolsonaro e o ajuste neoliberal que está destruindo o país e jogando a nossa classe na miséria e no desespero.

 

 

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