domingo, 26 de janeiro de 2014

O mais entreguista!

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Em 2012, quando o Governo Tarso lançou a sua Política Industrial, que sistematizava e legalizava o entreguismo ao capital que sua administração já vinha promovendo, mencionei que os “benefícios ao empresariado superam os concedidos por governos como Antônio Britto, Germano Rigotto e Yeda Crusius. Para se ter uma ideia estão previstas mais de 200 ações!” [1]

Não apenas o volume de ações mas as próprias palavras do governador apontavam nesse sentido:

Orgulhoso do seu entreguismo Tarso chega a alfinetar seus antecessores por terem sido entreguistas limitados:
"Não ficaremos apenas na simples adoção de incentivos ou isenções fiscais." [ibidem]

De fato as propostas do governo petista vão além. Elas preveêm, por exemplo, o aumento do endividamento do Estado para beneficiar o empresariado:
"Num contexto amplo de cooperação que envolve Municípios, a União e agentes financeiros nacionais e internacionais, o Estado projeta alocar recursos da ordem de mais de R$ 1,8 bilhão, financiados por meio de recursos próprios, do BNDES e do Programa PROREDES do BIRD, que viabilizarão investimentos totais de R$ 2,6 bilhões em infraestrutura até 2014." [ibidem]

Mais de um ano depois do lançamento da sua Política Industrial os resultados confirmam que as pretensões do Governo Tarso de superar seus antecessores no entreguismo ao grande capital não eram simples promessas. É o que atesta os dados divulgados em dezembro pela Revista de Investimentos [2] elaborada pelo próprio governo estadual.

Os gráficos, que fazem um comparativo com o Governo Yeda, deixam claro o nível de entreguismo do governo petista: mais do que o dobro de decretos de isenção fiscal aprovados e quase o dobro em valores (p.142).



Conforme já estava previsto o chamado Sistema Financeiro Gaúcho (formado por Badesul, Banrisul e BRDE) é o grande impulsionador dessa política. Vejamos seus desembolsos (p.142):


Foram desembolsados, até agora, R$ 5,2 bilhões durante o Governo Tarso, contra R$ 5 bilhões no Governo Yeda. A distribuição desses recursos deixa claro quem são os principais beneficiados. 


O microcrédito (p.143) ficou com aproximadamente R$ 258 milhões (pouco menos de 5%). Se somarmos a ele – o que não sabemos se é correto - os tão festejados arranjos produtivos locais (p.142) que ficaram com R$ 6,8 milhões, temos R$ 264,8 milhões (mais ou menos 5,1% de todos os recursos).



A publicação chega a listar as empresas beneficiadas pelas isenções fiscais, Fundopem e pelo Sistema Financeiro Gaúcho. Mas, embora se pretenda “transparente” [idem 2], não informa o valor do benefício para cada empresa, apenas cita os investimentos que as mesmas realizarão. Dessa forma omite-se o quanto do investimento privado é realizado com recursos públicos.

Por exemplo: o Complexo Eólico de Geribatu, instalado em Santa Vitória do Palmar e cujos investimentos informados na revista do governo é da ordem de R$ 950 milhões (p.147), conseguiu um aporte de R$ 603,9 milhões do BNDES sendo que R$ 200 milhões percorrem o BRDE antes de chegar no Complexo [3]. Ou seja, o Estado do Rio Grande do Sul amplia o seu endividamento para facilitar o lucro privado! Sim, privado, pois apesar de contar com a Eletrosul o Complexo Eólico de Geribatu é controlado pelo Fundo de Investimentos em Participações Rio Bravo - que detém 51% do negócio e que tem como principal proprietário o tucano Gustavo Franco. [4]

Já quando se trata do microcrédito os valores são informados ainda que dividido por regiões e apenas mencionando o número de beneficiados.

Apesar de algumas omissões os números divulgados e celebrados pelo Governo Tarso evidenciam que o bordão “Estado indutor do desenvolvimento” repetido ad nauseam pelo governador e seus secretários nada mais é do que um eufemismo que visa encobrir e dar uma nova cara para o velho entreguismo praticado por governos como o de Antônio Britto, cuja prática foi sintetizada na época pelo PT gaúcho com um célebre adesivo que dizia que “enquanto o governo Ford, o povo GM”. Hoje o partido festeja que o seu governo “cria um ambiente favorável para bons negócios no Rio Grande do Sul” [idem 2, p.145]. E que é o campeão nessa modalidade!

A cada vez maior privatização e desnacionalização da economia local, financiada a fundo perdido com recursos públicos (em operações que elevam a dívida do Estado), longe de trazer desenvolvimento e dinamizar as cadeias produtivas locais, como afirma o Governo Tarso, ampliam a dependência externa e a fragilidade da economia gaúcha.


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[1] Política Industrial de Tarso: um entreguismo sem precedentes (03/04/2012):

[2] Revista dos Investimentos já pode ser acessada pela internet (20/12/2013):


[3] BNDES aprova R$ 604 milhões para eólicas no RS. Jornal da Energia. São Paulo, 07 de Outubro de 2013.

[4] Privatização petista beneficia tucano (20/09/2012):


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sábado, 25 de janeiro de 2014

Um grave ataque à democracia




REJANE DE OLIVEIRA - 09/01/2014


Ao ser questionado sobre situações vivenciadas no Colégio Julio de Castilhos, carinhosamente chamado de Julinho, o secretário de Educação, Jose Clovis de Azevedo, mais uma vez reagiu de forma autoritária e arrogante. Negou existirem problemas na educação e afirmou tratar-se de um caso isolado. Atacou a direção do Julinho, desconsiderando as experiências pedagógicas dessa instituição que tem servido de exemplo no RS e, imediatamente, decretou uma sindicância, com clara postura de perseguição política. Já o governador Tarso Genro, prontamente, alegou ser uma disputa política e ideológica contra os projetos de seu governo.

Essas atitudes não surpreendem a quem tem acompanhado de perto a política educacional do atual governo. Além de não cumprir nem com sua palavra, nem com suas promessas eleitorais, o governo tem agido sistematicamente contra os direitos dos educadores e investido contra a gestão democrática nas escolas. A ameaça de intervenção política no Julinho configura mais um grave ataque à democracia na educação.

A Lei da Gestão Democrática é uma das principais conquistas para a educação do Rio Grande do Sul. A eleição direta das direções é um critério fundamental para a participação dos pais, dos estudantes, dos professores, dos funcionários e especialistas, na vida das escolas. Durante anos, a comunidade escolar gaúcha lutou para conquistar esse direito e evitar que as escolas ficassem reféns dos desmandos desse ou daquele governo.

Mas tem sido dura a defesa da democracia nas escolas. Sucessivos governos têm tentado investir contra a Lei de Gestão Democrática ou, de forma autoritária, retirar a autonomia político-pedagógica. Os projetos neoliberais significam uma violência a essa democracia. Além de atacar as condições de vida dos educadores e de piorar as estruturas escolares, buscam impor a centralização curricular, a meritocracia e anular os mecanismos que permitem a participação efetiva da comunidade nas decisões.

A reforma do Ensino Médio do governo Tarso, indevidamente chamada de “Ensino Politécnico”, aprofundou esses ataques. O atual governo impôs a volta de um regimento-padrão para todas as escolas, desconsiderando a opinião dos educadores e dos estudantes. Implementa a aprovação automática sem ouvir a comunidade escolar e ignora o processo pedagógico existente.

Qual o objetivo dessa sindicância? Fazer uma intervenção no Julinho? Torná-lo politicamente submisso? Destituir a direção da escola para colocar os seus? Será que já não vimos isso antes?
O resultado dessa política não podia ser outro: há uma revolta generalizada contra a postura da Secretaria de Educação. As manifestações de solidariedade ao Julinho multiplicaram-se nos últimos dias. A postura autoritária do secretário Jose Clovis tem sido repudiada pelos trabalhadores em educação.

Nenhum governo tem o direito de ameaçar os educadores por discordarem de seus desmandos. Por isso, a atual ameaça de intervenção no Julinho deve ser rejeitada pelo povo gaúcho. É hora de exigirmos respeito à autonomia das escolas.

Uma educação emancipatória e de qualidade só é possível com democracia. A repressão está na contramão desse processo.


Rejane de Oliveira é Presidente do Cpers/Sindicato


Extraído de:


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Dilma se rende à Lei e Ordem: a ditadura da burguesia mostra a sua cara

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Mauro Iasi


O Ministério da Defesa acaba de publicar uma Portaria que estabelece o uso das Forças Armadas para a garantia da Lei e da Ordem (PORTARIA NORMATIVA No 3.461 /MD, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2013). Por este ato, o governo Dilma Roussef nos ajuda a esclarecer o real caráter de classe deste governo e seus compromissos com a ordem burguesa e a sociedade do capital.

O texto é extremamente esclarecedor e uma verdadeira aula do real caráter de classe do estado brasileiro, aperfeiçoado e consolidado, o que nos permite voltar ao nosso debate sobre como evoluiu e para onde evoluiu o Estado brasileiro com a consolidação da ordem burguesa em nosso país.

Dizíamos recentemente que nos preocupava a visão generalizada de que o processo de socialização da política caminhava unicamente no sentido de potencializar as ações de transformação na perspectiva das classes trabalhadoras. A ilusão aqui presente se fundamenta na premissa de que, sendo os trabalhadores a maioria da sociedade, uma forma política democrática só poderia favorecer os interesses dos trabalhadores e, gradualmente, criando as condições para a transição na direção de uma ordem socialista.

Nesta leitura, o processo de democratização vivenciado com a crise da Autocracia Burguesa levaria à “ocidentalização” do Brasil, isto é, deixando as marcas da via prussiana, nosso país caminharia para o fortalecimento da sociedade civil e dos aparelhos privados de hegemonia, o que permitiria, cada vez mais, o Estado espelhar os interesses da maioria e não das classes dominantes.

Afirmávamos insistentemente que tal visão corria o risco de atenuar o caráter de classe no Estado brasileiro, isto é, que o processo de democratização não suspende a luta de classes, mas se dá em seu interior, o que implica que tal processo se daria no quadro de um estado Burguês que poderia, e de fato é o que se deu, fortalecer-se com a consolidação de uma ordem burguesa democrática.

Outra afirmação prévia que acreditamos ser importante ressaltar é que o sentido geral da política imposta nos anos dos governos petistas não podia ser compreendido como uma correlação de forças entre um Partido de esquerda que manteve uma política de centro-esquerda quando no governo, contra as resistências conservadoras presentes em nossa sociedade. Afirmamos que o governo petista transitou para uma política de centro direita, o que significa dizer que incorporou no seu interior partes consideráveis do espectro conservador, não apenas na adesão de siglas partidárias, como o PMDB, PP, PTB e outras, mas de setores chaves da burguesia monopolista, como é o caso dos grandes empresários, do agronegócio e do capital financeiro.

Para compreender a natureza deste governo, lançamos mão da noção de Marx, presente no 18 Brumário, de pequena burguesia. Neste texto magistral, Marx nos alerta que a posição pequena burguesa não se relaciona, necessariamente, à classe de pequenos comerciantes, mas a uma posição política que não vai na política além do que aquela classe vai na vida. O que é essencial na política pequeno burguesa, ou da “democracia social”, nas palavras de Marx, seria o seguinte:

(...). Quebrou-se o aspecto revolucionário das reivindicações sociais do proletariado e deu-se a elas uma feição democrática; despiu-se a forma puramente política das reivindicações democráticas da pequena burguesia e ressaltou-se seu aspecto socialista. Assim surgia a democracia social. (...) O caráter peculiar da democracia social resume-se no fato de exigir instituições democrático-republicanas como meio não de acabar com os dois extremos, o capital e o trabalho assalariado, mas de enfraquecer seu antagonismo e transformá-lo em harmonia. Por mais diferentes que sejam as medidas propostas para alcançar esse objetivo, por mais que sejam enfeitadas com concepções mais ou menos revolucionárias, o conteúdo permanece o mesmo. Esse conteúdo é a transformação da sociedade por um processo democrático, porém uma transformação dentro dos limites da pequena burguesia.

O que seria central, então, é que a política pequeno burguesa, ao tentar harmonizar o conflito capital e trabalho, só pode fazê-lo sobre dois pilares: o crescimento econômico e a ideia de Nação. O primeiro é a base real que se representa na esfera política (o segundo pilar), isto é, o crescimento da economia capitalista geraria lucros para os burgueses e trabalho e salário para os trabalhadores, fazendo com que o interesse particular da burguesia seja apresentado como interesse universal. A Nação é só a expressão política desta universalidade abstrata que nos leva à limitada fórmula da emancipação política, a igualdade formal fundada na desigualdade de fato.

O que nos interessa neste momento é saber como, na gestão da política, a pequena burguesia é obrigada a agir no momento da crise, uma vez que tal pacto só pode florescer no momento em que a acumulação de capital se apresenta como crescimento ininterrupto. Quando a acumulação de capitais mostra sua verdadeira face, seja pelos efeitos da lei geral da acumulação capitalista que gera proporcionalmente miséria quando mais acumula riqueza, seja nos momentos dramáticos da crise, quando se exige a queima de capital para salvar o capital e daí vem a intensificação da exploração, o rebaixamento dos salários e o empenho do Estado na administração das contratendências, a suposta universalidade se esfuma, uma vez que se separam didaticamente os interesses do capital que precisam ser garantidos e dos trabalhadores que precisam ser sacrificados.

Nossa pergunta sempre foi a seguinte: como agirá o governo pequeno burguês empenhado em operar a harmonia entre capital e trabalho no momento em que estes interesses se confrontem e, com isso, numa determinada conjuntura política, as forças sociais do trabalho se moverem na direção da defesa de suas demandas ameaçadas pelas necessidades de valorização do capital?

Esta não é uma pergunta retórica e foi formulada, entre outras oportunidades, em uma análise de conjuntura a pedido da Direção do MST por ocasião do balanço do primeiro governo Lula (ver: Análise Conjuntura a médio e longo prazo no Brasil, Iasi, 2007, http://www.odiario.info). A pergunta, indo direto ao ponto, era: como agirá o governo de conciliação de classes quando a luta entre estas classes se intensificar? Nossa resposta é que, infelizmente, não nos restava dúvida que o governo pequeno burguês ficaria ao lado do capital e reprimiria os trabalhadores.

O motivo desta certeza, além da análise das experiências históricas precedentes, vem do fato de que, ao aceitar a base da economia capitalista como fundamento da universalidade possível, a pequena burguesia se torna prisioneira desta ordem. Como disse Przeworski ao analisar a socialdemocracia europeia, “qualquer governo em uma sociedade capitalista é dependente do capital”. Garantir a ordem do capital e seu funcionamento se torna, também, condição da governabilidade pequeno burguesa.

Durante todo o governo petista (Lula e Dilma), vimos esta postura naquilo que se convencionou chamar de criminalização das lutas sociais e da pobreza, mas, de certa forma, tal processo ainda se mostrava dúbio. Jogava-se a culpa nos governos regionais ou locais, na autonomia das instituições ou em outro fator secundário. Agora, principalmente a partir de junho de 2013, o Governo Federal foi obrigado a mostrar sua cara diretamente. Talvez o ato que demonstre tal inflexão seja a declaração convicta do Ministro da Justiça do Governo Dilma, José Eduardo Cardozo, oferecendo ajuda da Política Federal ao Governador Alckmin para infiltrar e reprimir o movimento de rua que se levantava.

A virtude do movimento de rua que se levanta em 2013, em que pese sua heterogeneidade e fragmentação, foi direcionar sua raiva contra a ordem estabelecida e obrigar o governo pequeno burguês a abandonar sua aparência de neutralidade. E o governo respondeu, prometeu garantir a Lei e a Ordem e criar as condições para a plena realização dos megaeventos esportivos, mas não só: promove a segurança institucional para a ordem burguesa seguir seu rumo.

Tal postura agora se materializa na portaria do Ministério da Defesa. Deixemos que seu próprio texto nos esclareça.

Com a finalidade de garantia da Lei e da Ordem, as Forças Armadas serão chamadas a protagonizar operações de segurança quando as formas normais (Governos Municipais, Estadual e policias militar, etc.) não tiverem condições de fazê-lo. Para deixar bem claro, a portaria considera necessário partir de algumas definições. Vamos a elas:

Operação de Garantia da Lei e da Ordem(Op GLO) é uma operação militar conduzida pelas Forças Armadas, de forma episódica, em área previamente estabelecida e por tempo limitado, que tem por objetivo a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio em situações de esgotamento dos instrumentos para isso previstos no art. 144 da Constituição ou em outras em que se presuma ser possível a perturbação da ordem.

Forças Oponentes (F Opn) são pessoas, grupos de pessoas ou organizações cuja atuação comprometa a preservação da ordem pública ou a incolumidade das pessoas e do patrimônio.

Ameaça são atos ou tentativas potencialmente capazes de comprometer a preservação da ordem pública ou a incolumidade das pessoas e do patrimônio, praticados por F Opn previamente identificadas ou pela população em geral.

Notem que se trata de uma “operação militar”, que a Portaria define como de “não guerra contra forças oponentes que vão desde pessoas, grupos ou organizações que possam desenvolver atos ou potenciais atos contra pessoas ou patrimônio, podendo se tratar de uma ameaça que parte de atores “anteriormente identificados” ou da “população em geral”. Como veremos, este trabalho implica numa ação de inteligência e contra inteligência. Apesar de ser uma operação de “não guerra”, pode implicar, diz o documento, o “uso de força limitada” em ambientes urbanos e rurais.

Para que fique claro o porquê do termo “não guerra”, o documento mais adiante esclarece que “não se enquadram como Op GLO as ações que visam combater a guerrilha e grupos armados que venham a causar grave comprometimento da ordem interna do País”.

Uma vez que se trata de transferir o comando das ações de segurança para o poder federal com uso das Forças Armadas, somente a Presidente da República, com a prerrogativa exclusiva e constitucional do cargo, pode assumir esta incumbência.

As operações de garantia da Lei e da Ordem, segundo os pressupostos do documento, teriam que buscar o apoio da população. Vejam o texto:

Por se tratar de um tipo de operação que visa a garantir ou restaurar a lei e a ordem, será de capital importância que a população deposite confiança na tropa que realizará a operação. Esta confiança é conquistada, entre outros itens, pelo estabelecimento de orientações voltadas para o respeito à população e a sua correta compreensão e execução darão segurança aos executantes, constituindo-se em um fatorpositivo para sua atuação.

Nós, que vimos as ocupações militares nas favelas do Rio de Janeiro para implantação das UPPs, sabemos como se produz este tipo de “confiança”. Esta construção argumentativa é reveladora. É necessário que Ação seja vista como um ato em defesa de “pessoas e patrimônios”, em nome do interesse de toda a população. Ora, sabemos que o ato visa garantir um evento privado, promovido por empresas que visam lucro, assim como o conjunto dos negócios, direta ou indiretamente envolvidos, e eis que o interesse privado aparece como sendo o interesse geral.

Supostamente esta confiança se consolidaria porque a ação se daria segundo os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e legalidade. Segundo o primeiro, a ação repressiva deve ser proporcional à ameaça, variando desde o controle pacífico até a repressão violenta se as chamadas forças oponentes usarem de violência; o segundo princípio parece indicar que os atos repressivos devem pautar-se pelo uso de armamentos não letais, utilizados de acordo com as metas da missão; e o terceiro, que toda a ação de garantia da Lei e da Ordem terá que ser respaldada pela legislação e ordenamento legal vigente, daí a presença do Ministério Público e outros órgãos e instituições, inclusive ONGs, para “proteger” os militares na execução de suas missões.

Neste aspecto, pela experiência das manifestações de 2013, trata-se de jogar a culpa nos manifestantes, isto é, a polícia provoca e depois reprime como se houvesse sido provocada. A própria presença das forças de repressão diante de uma manifestação é a provocação inicial, mas serão os manifestantes que serão os culpados pela repressão que vierem a sofrer.

Da mesma forma, a legalidade, como dissemos, é para proteger o agressor. Mas não acreditem em minhas palavras, vejam os termos da própria portaria:

Devido ao caráter diversificado e abrangente, as ações desenvolvidas em Op GLO serão vulneráveis à contestação, sendo importante a previsão de uma assessoria jurídica específica para a atividade capaz de assistir os comandantes e orientar os procedimentos legais a serem adotados.

Para a eficiência das Operações de garantia da Lei e da Ordem, será realizado um trabalho de “inteligência”, que é assim definido:

O minucioso conhecimento das características das F Opn e da área de operações, com particular atenção para a população que nela reside, proporcionará condições para a neutralização ou para a supressão da capacidade de atuação da F Opn com o mínimo de danos à população e de desgaste para a força empregada na Op GLO.

Como se pretende se chegar a este minucioso conhecimento das forças oponentes, lembremo-nos que se trata de pessoas, grupos e organizações. Serão infiltrados policiais nas organizações dos trabalhadores, pessoas terão suas privacidades devassadas, nossas comunicações serão interceptadas? E, vejam, para que isso leve ao menor dano possível para a abstração da população e para as “forças empregadas”!!!

O texto ainda afirma que, na busca da legitimação da ação repressiva, “a produção do conhecimento apoiará as ações das forças empregadas e fornecerá dados para o desenvolvimento das atividades de Comunicação Social (Com Soc) e de Operações Psicológicas (OpPsc)”. Ou seja, assim se construirá a versão sobre a repressão às manifestações, aquela “verdade” que sairá nas mídias, tais como a versão da população sorridente recebendo o caveirão entrando nas favelas ou a versão de vândalos e arruaceiros, em poucas palavras, a arte de revestir a crueldade e arbitrariedade para que ela não parece o que de fato é.

Apesar de tentar caracterizar como uma “não guerra”, a portaria quer deixar claro que todos os meios serão usados. Mais adiante no texto vemos isso claramente na seguinte passagem:

Esta dissuasão deve ser obtida lançando-se mão de todos os meios à disposição, podendo incluir o Princípio de Guerra da Massa, que fica caracterizado ao se atribuir uma ampla superioridade de meios das forças empregadas em Op GLO em relação às F Opn.

Tanto se trata de uma guerra que todo o jargão é militar, inclusive com o uso das chamadas operações psicológicas ou, nos termos da Guerra do Vietnã, “ganhar corações e mentes”. As tais operações psicológicas, em síntese, esperam isolar os manifestantes e desqualificá-los, buscando apoio da população para legitimar a repressão, assim como evitar o enfraquecimento e unidade das forças repressivas na execução de sua tarefa. Nos termos da portaria, assim se apresentam

Os principais objetivos das OpPSC (operações psicológicas):

a) obter a cooperação da população diretamente envolvida na área de operações, desenvolvendo uma atitude contrária às F Opn e outra favorável às forças empregadas;

b) estimular as lideranças comunitárias favoráveis às operações;

c) enfraquecer o ânimo e o moral das F Opn compelindo-os à desistência voluntária; e

d) fortalecer o sentimento de necessidade do cumprimento do dever na força empregada, aumentar o seu potencial de engajamento e torná-la imune às atividades de cunho psicológico das F Opn.

A guerra psicológica e a desinformação já começam no próprio texto da Portaria. Notem como são descritas as possibilidades de composição encontradas entre as chamadas forças oponentes:

a) movimentos ou organizações;

b) organizações criminosas, quadrilhas de traficantes de drogas, contrabandistas de armas e munições, grupos armados etc;

c) pessoas, grupos de pessoas ou organizações atuando na forma de segmentos autônomos ou infiltrados em movimentos, entidades, instituições, organizações ou em OSP, provocando ou instigando ações radicais e violentas; e

d) indivíduos ou grupos que se utilizam de métodos violentos para a imposição da vontade própria em função da ausência das forças de segurança pública policial.

E eis que, ao lado de pessoas, grupos, movimentos e organizações, aparecem organizações criminosas, contrabandistas e traficantes, quadrilhas armadas. Sabemos que existem infiltrados nas manifestações, mas todas as vezes que foram desmascarados, ou eram membros de grupos de extrema-direita pagos ou não por quadrilhas de políticos bem posicionados na ordem que se espera defender, ou, na maioria dos casos, de um outro grupo ou quadrilha organizada e pesadamente armada, em vários casos comprovados, envolvidos com traficantes de drogas e armas: a Policia Militar!!

O mesmo se apresenta quando se descrevem as possíveis situações que serão enfrentadas pelas operações de garantia da Lei e da Ordem. Notem o descalabro e o que, insidiosamente, se inclui:

a) ações contra realização de pleitos eleitorais afetando a votação e a apuração de uma votação;

b) ações de organizações criminosas contra pessoas ou patrimônio incluindo os navios de bandeira brasileira e plataformas de petróleo e gás na plataforma continental brasileiras;

c) bloqueio de vias públicas de circulação;

d) depredação do patrimônio público e privado;

e) distúrbios urbanos;

f) invasão de propriedades e instalações rurais ou urbanas, públicas ou privadas;

g) paralisação de atividades produtivas;

h) paralisação de serviços críticos ou essenciais à população ou a setores produtivos do País;

i) sabotagem nos locais de grandes eventos; e

j) saques de estabelecimentos comerciais.

Percebam que se mescla uma grande variedade de possíveis ações a serem reprimidas, mas entre elas se misturam ações criminosas como ataques a navios e plataformas, junto com distúrbios urbanos, claros atos de protestos e mesmo greves (paralização de atividades produtivas). Isto quer dizer que se metalúrgicos ou petroleiros fizerem greve poderão ser alvos das Forças Armadas? Paralisação de serviços críticos ou essenciais? Quais? Uma greve dos funcionários públicos federais pode ser considerada uma ameaça de forças opositoras?

Claramente se trata de utilizar as Forças Armadas com uma função explícita de polícia, criando um clima de terror que procura (e não vai conseguir) prevenir as manifestações em 2014 para garantir dois eventos, como se explicita no texto da Portaria, a Copa de Mundo FIFA e as eleições.

A ordem democrática será garantida pelas botas militares e a repressão ao direito de manifestação e de greve da classe trabalhadora, tudo para salvar os investimentos e negócios, para dar uma resposta à FIFA e a seu presidente.

Não vejo uma melhor forma de iniciar o ano que lembra os 50 anos do Golpe Militar. Parece que Dilma exumou o corpo de Jango apenas para que ele veja o espetáculo da rendição dos pseudorreformistas aos clamores da ordem e da lei. Se ele pudesse falar, diria que não adianta, os militares são imunes ao capachismo de seus inimigos. Nada de novo:infelizmente, a pequena burguesia cumpre seu papel. Saberemos cumprir o nosso?


Mauro Iasi é membro do Comitê Central do PCB (Partido Comunista Brasileiro)


Extraído de:


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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Governo Mujica para além do discurso

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Por Diego Vitello - Coordenação da CST-PSOL
 


Recentemente, em discurso na ONU, o presidente uruguaio José “Pepe” Mujica chamou a atenção do mundo. Dentre os presidentes da América Latina, desde Mujica até o presidente chileno, mega-empresário reconhecidamente conservador, Sebastián Piñera, todos fizeram algum tipo de crítica. Seja ao consumismo, a falta de democracia na ONU, a espionagem que Obama promove em todo mundo, etc. Mujica se destacou no seu discurso. Enquanto isso, diversos lutadores no Brasil e na América Latina, expressaram simpatia pelo presidente uruguaio. Ganhou inclusive certo apelo nas redes sociais o dizer “Mujica, venha me governar”.

O atual presidente uruguaio, ex-guerrilheiro tupamaro, é o segundo da coalização de centro-esquerda chamada Frente Ampla, que governa o país desde 2005. O objetivo deste texto é exatamente discutir se o modelo que Mujica e seu governo da Frente Ampla implementam no Uruguai, é ou não um modelo a ser defendido pela classe trabalhadora e a juventude que se mobiliza em todo continente. Além obviamente de discutir o porquê de tantas mobilizações da classe trabalhadora ocorrerem neste país, que somente neste ano de 2013 já promoveu três greves gerais.


A prática anti-sindical do governo Mujica

Como lutadores classistas, acreditamos que um dos pontos importantíssimos a serem analisados para que possamos ter uma opinião sobre a política de determinado governo é sua relação com as greves e mobilizações da classe trabalhadora.

Antes de colocarmos algumas lutas que foram promovidas nestes pouco mais de três anos de governo, é preciso ressaltar um dado. No Uruguai, a situação dos trabalhadores não está nada fácil. 500 mil trabalhadores ganham 500 dólares por mês ou menos. O IRPF (Imposto de Renda sobre Pessoa Física) tem uma fatia de 22,8% nas “receitas do capital e da riqueza”, enquanto 67,2% correspondem “ao consumo e a renda do trabalho”. Ou seja, não há dúvidas que o pesado dos impostos no Uruguai recai sobre a classe trabalhadora.

O governo de “Pepe”, desde seu primeiro ano(2010), vem enfrentando diversas lutas da classe trabalhadora uruguaia. Durante o primeiro ano do governo Mujica, a classe trabalhadora organizou cinco paralisações gerais, de 24h ou menos. As reivindicações eram aumentos salariais e maiores investimentos nas áreas de saúde, educação e moradia. As categorias que se mobilizaram centralmente foram: servidores públicos, coletores de lixo, operários metalúrgicos e dos frigoríficos, médicos e controladores aéreos. Frente a indignação da classe trabalhadora o presidente declarou: “A onda de conflitos sindicais, afeta o trabalho, o clima de investimentos e a imagem de um país sério que tem o Uruguai” . Esta breve declaração de Mujica demonstra claramente que as lutas dos trabalhadores são tratadas como em diversos governos burgueses, onde os presidentes se preocupam centralmente é com os “investimentos” ou seja, com o lucro dos empresários, enquanto as demandas da nossa classe são deixadas de lado.

Ainda neste mesmo ano, os coletores de lixo fizeram uma forte greve por reivindicações salariais. Na tentativa de quebrar a greve e diminuir o poder de pressão dos trabalhadores, Mujica chamou as Forças Armadas para garantirem a coleta do lixo. Após isso, promoveu uma medida judicial declarando obrigando cerca da metade dos grevistas a voltarem ao trabalho alegando a “essencialidade” do serviço.

Mas não há dúvidas, que o setor da classe trabalhadora que mais tem enfrentado com suas mobilizações o governo da FA, são os educadores. Foram dezenas de greves desde o início do governo. Os baixíssimos salários impostos pelo governo a categoria explicam tamanha indignação. Em média, no Uruguai, um professor recebe $12.000 pesos(equivalente a R$1.245,00). Além disso a própria precarização das escolas é questionada pelas entidades sindicais vinculadas aos docentes. Quando se fala dos investimentos na educação, o ponto mais questionado pelos trabalhadores é o das isenções fiscais. Segundo os trabalhadores, diminuindo as isenções que Mujica dá, era possível avançar no salário e também na construção de novas escolas. Dados da central operária Plenario Intersindical de Trabajadores-Convención Nacional de Trabajadores(PIT-CNT), mostram que as isenções fiscais que Mujica dá ao empresariado estão na casa de $13,1 bi(equivalente a R$2,656 bi). O presidente, por sua vez, defende com todas suas forças o ganho do empresariado: “Não posso acreditar que pessoas que exercem a docência, possam censurar que damos demasiadas facilidades, renúncia fiscal, ou mais claro, que cobremos menos impostos para mobilizar pessoas que possuem capital e os arriscam e investem.” Mas “Pepe” não se limita à defesa do repasse de dinheiro do estado aos empresários. Sua prática antissindical fica explícita na declaração escandalosa de que os docentes “Se querem ganhar mais, que trabalhem mais”.

Outra luta importantíssima nos últimos tempos no Uruguai foi dos trabalhadores da área da saúde. Com ocupações de hospitais e greves por todo país, a Federación de Funcionarios de Salud Pública (FFSP) encabeçou uma forte luta que se chocou diretamente com a política de Mujica para a área da saúde. Hoje, o salário inicial para os trabalhadores do setor está em $13.000 pesos(R$1.348,00). Mujica, não apenas não atendeu as reivindicações dos trabalhadores. Promoveu um decreto, declarando a “essencialidade” do serviço e proibindo amplos setores da categoria de entrarem em greve. Obrigando um setor da categoria a voltar a trabalhar e proibindo seu direito de lutar por melhores salários, o representante do governo e Ministro do Trabalho, Eduardo Brenta, disse: “o decreto presidencial nos habilita a substituir os grevistas e iniciar contratações”(dados do Ministério do Trabalho).


A boa relação com a burguesia

O empresariado no geral tem apoiado as medidas de Mujica. De acordo com dados da 6ª Pesquisa de Expectativas Empresariais, 65% dos empresários dizem que o clima de investimentos é bom ou muito bom no Uruguai. A concentração de terras assume uma forma brutal no Uruguai de Mujica. 9,2% das empresas que tem como sua atividade principal a exportação, detém 61% das terras. Nos últimos 10 anos, mais de 122 mil estabelecimentos agropecuários entre 10 e 100 hectares desapareceram, o que mostra o aprofundamento cada vez maior da concentração das terras. Enquanto os trabalhadores promoviam greves atrás de greves em busca de melhores salários, em maio de 2013 Mujica e cinco de seus ministros viajaram para a Espanha para buscar “investimentos”. O lugar da reunião não poderia ser mais emblemático: a cidade financeira do Banco Santander em Madrid. Justamente o Banco que mais demitiu trabalhadores ao redor do mundo e que é conhecido pelas suas práticas antissindicais. Na presença de centenas de empresários Mujica destacou: “No Uruguai vale à pena investir. Quem dá garantia não é o governo, é o próprio Uruguai(...). Que país do mundo tem um velho guerrilheiro como presidente que solicita que os empresários invistam? Se a economia não respira, não haverá prosperidade”. Ou seja, para o presidente uruguaio, a “prosperidade” de seu país está vinculada aos investimentos estrangeiros, uma receita clássica de qualquer governo neoliberal. Jorge Jordan, presidente do Santander na Espanha avalia e expõe seus objetivos: “O encontro foi muito positivo(...) Mujica foi contundente(...) O Objetivo do Santander depois de estar mais de 30 anos no Uruguai é também contribuir para que o país seja maior e tenha maiores possibilidades de negócios”. Os elogios deste setor tão importante da burguesia internacional, representante do capital financeiro, deixa claro as boas relações que mantem com o governo da Frente Ampla.

Em reunião com empresários do ramo hoteleiro em dezembro de 2012 Mujica avalia: "me limitei a falar de minhas ideias, as que todos conhecem, as que passam pelo que eu acredito para ajudar o Uruguai a ter um capitalismo sério, para que haja mais emprego e, portanto, mais a repartir.” Ou seja, Mujica deixa claro qual é o seu projeto estratégico para o Uruguai, um capitalismo “sério”. Um projeto claramente burguês, sem nenhuma perspectiva de socialismo.


Mujica: “O exemplo a seguir é o presidente Lula”

Em sua campanha eleitoral em 2010, com o objetivo de mostrar ao empresariado qual ia ser o projeto de seu governo, Mujica foi categórico e disse que seu exemplo era Lula. Daí a ter práticas antissindicais e política econômica em benefício dos empresários nacionais e internacionais era apenas questão de tempo. Para enfrentar greves dos trabalhadores por falta de investimentos nos serviços públicos também. É conhecido pelos trabalhadores conscientes no Brasil a imensa traição de classe que significou a Era Lula no Brasil. Dilma segue seu projeto hoje em um governo marcado pela criminalização das lutas, privatizações e política econômica a serviço da burguesia. Mujica forma parte deste mesmo projeto que nada tem a ver com um projeto político da classe trabalhadora.

Alguns ex-companheiros de Mujica o acusam de traidor. Muito parecido com o que fizeram os radicais fundadores do PSOL no Brasil em referência à traição de Lula. A notícia que mais rodou o mundo foi quando o ex-guerrilheiro Sergio Lamanna gritou frente a frente com o presidente na saída de uma reunião de Mujica com a Asociación Rural de Uruguay(ARU) acusando Mujica de “entregar o povo às multinacionais”


A política concreta sempre vale mais que um discurso

As conclusões dos dados apresentados anteriormente são simples. A política concreta de Mujica em nada favorece os interesses da classe trabalhadora uruguaia. De nada vale criticar em abstrato o consumismo em discurso na ONU e aplicar uma política de favorecimento dos banqueiros e empresas multinacionais. Com Mujica a burguesia segue com lucros cada vez mais altos, enquanto a classe trabalhadora amarga baixos salários. Mujica é apenas mais uma expressão da falência do projeto de conciliação de classes, cuja expressão máxima na América Latina foram os governos petistas no Brasil.


Data de Publicação: 1/10/2013


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