terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Muro do Capital




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Este ano completará 20 anos da Queda do Muro de Berlim. Nele morreram 136 pessoas no período que vai de 1961 a 1989. [1]

Mas outros muros foram erguidos. Na fronteira do México com os Estados Unidos o governo americano levantou um muro para controlar a circulação de pessoas. É preciso salientar que o México faz parte de um tratado de livre comércio com os Estados Unidos e o Canadá, chamado Nafta. Mas liberdade de circulação só vale para o capital, não para as pessoas.

No muro erguido pela "terra da liberdade" morrem aproximadamente 500 pessoas todo o ano, ou seja, mais do que morreram no Muro de Berlim em 28 anos. [2] Em uma extensão do muro, cruzes foram fixadas para lembrar as vítimas.

A sua construção teve início em 1994, curiosamente no mesmo ano em que entrou em vigor o Nafta, e desde lá já foram gastos no muro 30 bilhões de dólares pelo governo americano. [3]

A Polícia de fronteira americana faz a vigilância fortemente equipada com sensores eletrônicos, detectores de movimento, veículos e até helicópteros artilhados. Tudo para evitar a livre circulação de pessoas que a "terra da liberdade" disse sempre defender.



[1] http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/08/11/pelo-menos-136-pessoas-morreram-no-muro-de-berlim-indica-estudo-757356377.asp

[2] http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1335057-5602,00.html

[3] http://www.adital.com.br/Site/noticia.asp?lang=PT&cod=32344

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pesquisa mostra impopularidade de Yeda

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Encomendada pela própria RBS, pesquisa realizada pelo Ibope, entre os dias 25 e 29 de setembro, revelou mais uma vez a insatisfação dos gaúchos com a amarga gestão neoliberal do Governo de Yeda Crusius. Mostrou também que a maioria quer o afastamento da governadora do cargo.


Avaliação do Governo Estadual

- 64% acham o governo ruim ou péssimo

- 24% regular

- 11% ótimo ou bom


Desempenho de Yeda

- 74% desaprovam

- 19% aprovam


Impeachment da Governadora

- 62% a favor

- 22% contra

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Pol%EDtica&newsID=a2675178.xml

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Golpista admite ilegalidade e busca explicação mofada para o golpe

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Em entrevista ao jornal argentino Clarín, Roberto Micheletti, o líder dos golpistas hondurenhos, admitiu que a deposição de Zelaya foi ilegal, mas justificou com argumentos do tempo da Guerra-Fria.

"Depusemos Zelaya por seu esquerdismo (...)"; "Deu uma guinada para a esquerda, colocou comunistas no governo e nos preocupou", justificou Micheletti.

Ver ameaça comunista no Zelaya é tão, ou mais, risível quanto terem visto no João Goulart em 1964!


Abaixo, segue a entrevista traduzida:

Restivo: A proposta de San José, do presidente Oscar Arias, inclui a restituição condicionada de Zelaya.

Micheletti: É apenas uma iniciativa, não venham a dizer-nos o que devemos fazer.

Há negociações, ou buscam ganhar tempo até a eleição de novembro? A comunidade internacional já disse que não reconhecerá essa eleição convocada por vocês.

As eleições estão marcadas desde 2008.

Não procuram ganhar tempo expulsando a OEA?

Uma missão assim pode entrar na Argentina, sem documentos? Não tinham permissão. Somos um país soberano, que fique bem claro.

Por que o Exército fechou os meios de comunicação opositores?

Foi em base ao decreto (de estado de sítio). Incitavam à violência e à guerrilha.

Seu regime está totalmente isolado, até do FMI.

E por isso devemos resignar a nossa dignidade? Vocês, na Argentina, não foram à guerra das Malvinas por dignidade, sem importar a pressão externa?

Era uma ditadura militar.

Independente do que seja. A dignidade nacional existe. Terias permitido que Zelaya fizesse o que fez?

Depor um presidente é um golpe de Estado.

Nosso único erro foi tirá-lo da forma como o destituímos. No resto, agimos conforme a lei. Ele violava a Constituição ao buscar uma Constituinte para uma reeleição. Se o prendêssemos e o deixássemos aqui, teria havido mortos. Foi tirado do país, mas agora voltou.

Não acredita que estão debilitando a democracia na região?

Se um presidente viola a lei, é corrupto, dá o direito ao povo de reclamar. Nós lideramos esse pedido.

No Brasil, na Argentina ou nos Estados Unidos foram usados métodos institucionais frente à crise como as que você tenta descrever.

Nesses casos, o único que fez a coisa certa foi Lula, retificou o seu rumo.

Não entendi.

Outros mudaram a Constituição, queriam perpetuar-se, como Zelaya.

Continuo sem entender. Mas insisto com o Exército. O general Vázquez recordou a relação de Pinochet com Allende, primeiro leal e depois o depôs com as armas.

Pedimos a Zelaya para não forçar a Constituição. Roubou 700 milhões de lempiras (36 milhões de dólares) e tirou de empilhadeira fundos do Banco Central para a sua reforma constitucional. Gastou milhões para passear de helicóptero e com assessores. Era corrupto, tinha vários sem-vergonhas.

Que papel exercem as Forças Armadas? Sua presença inunda as ruas.

Não estão no governo, defendem a democracia, assim como a Polícia. É para cuidar da reação incendiária de Zelaya. Elas nos apoiaram, pois íamos ao abismo.

Mas tiveram um passado de violações dos direitos humanos e anticonstitucional. Por que lhes dão tanto poder agora?

Não, não. Faz 29 anos que se adaptaram. Hoje levam e trazem as urnas nas eleições, respeitam o poder civil, são um orgulho.

Foi a corrupção, a Constituinte ou tentativas de mudanças sociais o que levou ao golpe?

Depusemos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, como liberal, como eu. Mas se fez amigo de Daniel Ortega, Chávez, Correa, Evo Morales.

Perdão...

Deu uma guinada para a esquerda, colocou comunistas no governo e nos preocupou.

Com 75% dos pobres e um sistema esclerosado, as mudanças sociais não se fazem necessárias?

Pode haver reformas, inclusive constitucionais, menos em 3 artigos: território, forma de governo nem reeleição. Mas o que Zelaya prometia era pura farsa.

Como se pode resolver isso e avançar tendo tão baixa pressão fiscal, sem tocar interesses políticos, econômicos, religiosos tão fortes, sem mudanças mais de fundo?

Pode-se falar, sem brigar. Antes de sair assinarei decretos sociais. O Congresso, além disso, pode obrigar as empresas a pagar mais impostos se for preciso, por exemplo.


O original encontra-se em:
http://www.clarin.com/diario/2009/09/30/elmundo/i-02008984.htm

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

"A democracia não é a solução; é o problema", diz Liberal

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Os anticapitalistas têm ressaltado há muito a contradição entre propriedade privada (a propriedade capitalista) e a democracia.

Em artigo anterior, sobre a resenha do livro "Contra-História do Liberalismo" do filósofo italiano Domenico Losurdo, foi demonstrada a ojeriza dos liberais clássicos pela extensão do sufrágio para as camadas populares.

Publico agora trechos do artigo de um liberal do Instituto Mises, confirmando o exposto nos dois parágrafos anteriores. Agradeço ao meu irmão Richard Nogueira que colaborou enviando o presente artigo.


A democracia não é a solução; é o problema

25/9/2009
Hans-Hermann Hoppe* (artigo escrito no ano 2000)

(...)

O princípio do 'um homem-um voto' combinado com a 'livre entrada' no aparato governamental - democracia - implica que cada indivíduo e sua propriedade pessoal estão ao alcance - e à disposição - de todo o resto da população. Uma 'tragédia dos comuns' é assim criada. Em tal cenário, é de se esperar que a maioria formada por aqueles que 'têm pouco' irão implacavelmente tentar se enriquecer à custa da minoria formada por aqueles que 'têm muito'. (...)

Afinal, os 'permanentemente' ricos e os 'permanentemente' pobres geralmente são ricos ou pobres por uma razão. Os ricos são caracteristicamente perspicazes e laboriosos, e os pobres são tipicamente tolos, preguiçosos, ou ambos. (...)

(...)

(...) A atual bagunça também é resultado de ideias. É o resultado da aceitação avassaladora, pela opinião pública, da ideia da democracia. Enquanto essa aceitação prevalecer, uma catástrofe será inevitável, e não haverá esperança de melhorias mesmo após sua consumação. Por outro lado, uma vez que a ideia da democracia seja reconhecida como falsa e malévola - e ideias podem, em princípio, ser mudadas quase que instantaneamente - uma catástrofe pode ser evitada.

A principal tarefa aguardando aqueles que querem mudar as coisas e impedir um completo colapso é a 'deslegitimização' da ideia da democracia, apontando-a como a raiz do presente estado de progressiva 'descivilização'. (...)

(...)

Ainda mais importante, é preciso deixar claro novamente que a ideia de democracia é imoral e antieconômica. (...)

Por outro lado, em relação à qualidade moral da democracia, deve-se enfatizar inflexivelmente que não é a democracia, mas sim a propriedade privada, a produção e as trocas voluntárias as fontes supremas da civilização humana e da prosperidade. (...)

A propriedade privada é tão incompatível com a democracia quanto o é com qualquer outra forma de domínio político. Ao invés de democracia, tanto a justiça quanto a eficiência econômica requerem uma sociedade pura e irrestritamente baseada na propriedade privada. Em tal sociedade - também chamada de 'anarquia de produção' - ninguém reina sobre ninguém, e todas as relações de produção são voluntárias, portanto mutuamente benéficas.

A íntegra do artigo encontra-se em:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=398

* Hans-Hermann Hoppe professor de economia da Universidade de Nevada, Las Vegas, é um membro sênior do Ludwig von Mises Institute, fundador e presidente da Property and Freedom Society e co-editor do periódico Review of Austrian Economics.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A "trapalhada" de Serra

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"O que tem lá não é um asilo, é uma trapalhada."

- Pérola de José Serra (Governador de São Paulo) sobre a presença de Zelaya na embaixada brasileira.

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,para-serra-abrigar-zelaya-em-embaixada-e-trapalhada,442274,0.htm

Honduras agora é uma ditadura "de fato"

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O governo "de fato" de Honduras decretou a suspensão, por 45 dias com possibilidade de prorrogação, das garantias constitucionais, ou seja, formalizou uma ditadura "de fato".

Os direitos civis estão suspensos. A liberdade de circulação, de expressão e de imprensa foram restringidas. A polícia e o Exército poderão prender qualquer pessoa que seja considerada suspeita, assim como acabar com reuniões públicas consideradas incômodas e órgãos de imprensa poderão ser fechados.
Também está proibido criticar as resoluções governamentais.

As garantias constitucionais têm sido violadas pelos golpistas desde o dia em que depuseram o presidente Zelaya, em 28 de junho. A diferença é que desta vez impuseram um prazo maior, em uma clara tentativa de esmagar de vez a resistência interna ao golpe.


http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,micheletti-suspende-direitos-civis-por-45-dias,442070,0.htm

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1320473-5602,00-GOVERNO+DE+FATO+SUSPENDE+GARANTIAS+CONSTITUCIONAIS+EM+HONDURAS+POR+DIAS.html

Honduras, 1985


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Em 1985 o então parlamentar Roberto Micheletti buscou, junto com outros colegas, transformar o Congresso hondurenho em uma Assembléia Constituinte com o objetivo de alterar artigos da Constituição visando a ampliação do mandato do então presidente Roberto Suazo Córdoba.

Hoje, Micheletti, líder dos golpistas hondurenhos, acusa levianamente Zelaya de buscar fazer aquilo que ele e seus pares tentaram há 24 anos atrás.

A hipocrisia de Micheletti está sendo denunciada em Honduras pelos movimentos de resistência ao golpe desde 10 de julho.

Por aqui, a mídia que já busca tratar o golpe como constitucional - quando o próprio Coronel do Exército daquele país confessou ter sido golpe -, se finge de morta sobre o fato.