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Odir Tonollier, Secretário da Fazenda do Governo Tarso afirmou, na última quarta-feira, que o Estado não terá condições de pagar o piso dos professores até 2014 conforme havia prometido o governo. [1]
O motivo alegado é a correção do Fundeb, que é o indexador do piso nacional dos professores, que o reajustou em 22%. Assim ele passaria dos atuais R$ 1.187,00, que o Rio Grande do Sul já não cumpre, para aproximadamente R$ 1.450,00. [2]
Apesar do cinismo de tal argumento, que deixa implícito o desejo do arrocho salarial através de um congelamento ou troca de indexador do piso, foi a primeira vez que um membro do governo admitiu publicamente a possibilidade de quebra da promessa de campanha do governador.
Imediatamente, em uma postura contraditória, o Secretário da Casa Civil, Carlos Pestana, foi a público desmentir o Secretário da Fazenda e ao mesmo tempo dizer que o mesmo "está perfeitamente sintonizado com objetivos e compromissos do governo". [3]
O próprio governador Tarso Genro apareceu para defender o Secretário da Fazenda e dizer-se comprometido com o pagamento do piso. Mas suas afirmações foram lacônicas e contraditórias:
"A preocupação do Odir é correta para quem lida com o dinheiro. O que ele quis dizer é que está se criando uma despesa a partir da lei federal que modifica o piso, que pode tornar impagável". [4]
Tarso admite, portanto, que se for mantido o reajuste pela fórmula do Fundeb sua promessa de campanha será descumprida, como se ele cumprisse o valor atual, que já é baixo.
Passado um ano de mandato a resposta do governador para uma eventual programação para o pagamento do piso foi essa:
"Não vamos tratar este tema agora, para não alimentar especulações. Não é necessário que nós entremos neste detalhamento para imprensa, para não comprometer a relação do governo com a categoria. Vamos esperar o Congresso, para saber qual adequação vamos fazer para cumprir o pagamento do piso, que é nossa meta desde a campanha eleitoral." [idem 4]
Incrível que até o momento o governo não tenha detalhes de como cumprir com algo tido como "meta" desde as eleições! A falta de plano fica evidente na não apresentação de um calendário para o pagamento do piso até agora.
Para os amigos e os empresários têm dinheiro
Se o modesto reajuste no piso dos professores é "impagável", por outro lado sobra dinheiro para os amigos e os grandes empresários - estrangeiros inclusive.
No ano passado o Governo Tarso concedeu inúmeras benesses fiscais e chegou a dar dinheiro do caixa do Estado para empresas multinacionais lucrar [5]. Já os apadrinhados políticos receberam aumento de até 250% [6] e nessa semana o Piratini acenou com o desejo de conceder um 13º salário para os seus Secretários. [7]
Fica claro que mais do que uma questão fiscal o grande motivo do Governo Tarso descumprir a própria promessa de campanha é o lado que escolheu para governar: o lado dos ricos e dos apadrinhados políticos.
É por isso que além de não pagar o piso, o governo impõe a meritocracia por decreto e cria uma contra-reforma que sucateia ainda mais o ensino médio deixando os filhos da classe trabalhadora ainda mais distantes do ensino superior, reservando-lhes um futuro como mão-de-obra barata e estagiando de graça nas empresas dos ricos.
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[1] RS não terá como pagar piso do magistério até 2014, diz governo (11/01/2012):
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=380268
[1] Secretário da Fazenda: Piso Nacional do Magistério é "impagável" (11/01/2012):
http://www.radioguaiba.com.br/Noticias/?Noticia=380274
[2] Governo volta atrás e garante implantação do piso nacional do magistério em quatro anos (11/01/2012):
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2012/01/governo-volta-atras-e-garante-implantacao-do-piso-nacional-do-magisterio-em-quatro-anos-3628419.html
[3] Governo reafirma que pagará piso nacional do Magistério (11/01/2012):
http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=380357
[4] De volta das férias, Tarso reafirma compromisso com magistério (13/01/2012):
http://sul21.com.br/jornal/2012/01/de-volta-das-ferias-tarso-reafirma-compromisso-com-magisterio/
[5] Para as multinacionais têm dinheiro, anuncia Governo Tarso (03/07/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/07/para-as-multinacionais-tem-dinheiro.html
[5] Tarso dá 70 milhões para empresa estadunidense (21/07/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/07/tarso-da-70-milhoes-para-empresa.html
[6] Novo Governo, velhas medidas! (11/01/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/01/novo-governo-velhas-medidas.html
[7] Tarso quer dar mais privilégios para os amigos (12/01/2012):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2012/01/tarso-quer-dar-mais-privilegios-para-os.html
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
China: operários ameaçam se suicidar
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300 operários da Foxconn ameaçam se suicidar caso não recebam aumento de salário
Por Guilherme Abati - 12/01/2012
Cerca de 300 trabalhadores chineses da Foxconn anunciaram no último dia 3 que iriam cometer suicídio coletivo caso seus salários não fossem elevados.
Os funcionários em questão trabalham na linha de montagem do console Xbox, da Microsoft. Eles ameaçaram se atirar do último andar da fábrica caso suas exigências fossem negadas e permaneceram na cobertura do prédio por dois dias.
Segundo o site Tom’s Hardware, a Foxconn sugeriu que os trabalhadores insatisfeitos pedissem demissão e recebessem o salário deste mês. A companhia, contudo, não pagou sequer o salário prometido. Aí a vontade de se matar cresceu entre os chineses.
Os chineses só não se atiraram do prédio porque o prefeito da cidade de Wuhan, cidade sede da Foxconn, os convenceu a desistir da loucura. Em 2010, 14 funcionários cometeram suicídio como forma de protesto contra as péssimas condições de trabalho e as baixas remunerações recebidas. Nesse caso, a Foxconn tratou de rever o número de horas de trabalho dos funcionários, os salários e as horas extras de seus operários.
A situação dos 300 chineses ainda não foi definida.
Extraído de:
http://br.noticias.yahoo.com/300-oper%C3%A1rios-foxconn-amea%C3%A7am-se-suicidar-caso-recebam-164412059.html
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300 operários da Foxconn ameaçam se suicidar caso não recebam aumento de salário
Por Guilherme Abati - 12/01/2012
Cerca de 300 trabalhadores chineses da Foxconn anunciaram no último dia 3 que iriam cometer suicídio coletivo caso seus salários não fossem elevados.
Os funcionários em questão trabalham na linha de montagem do console Xbox, da Microsoft. Eles ameaçaram se atirar do último andar da fábrica caso suas exigências fossem negadas e permaneceram na cobertura do prédio por dois dias.
Segundo o site Tom’s Hardware, a Foxconn sugeriu que os trabalhadores insatisfeitos pedissem demissão e recebessem o salário deste mês. A companhia, contudo, não pagou sequer o salário prometido. Aí a vontade de se matar cresceu entre os chineses.
Os chineses só não se atiraram do prédio porque o prefeito da cidade de Wuhan, cidade sede da Foxconn, os convenceu a desistir da loucura. Em 2010, 14 funcionários cometeram suicídio como forma de protesto contra as péssimas condições de trabalho e as baixas remunerações recebidas. Nesse caso, a Foxconn tratou de rever o número de horas de trabalho dos funcionários, os salários e as horas extras de seus operários.
A situação dos 300 chineses ainda não foi definida.
Extraído de:
http://br.noticias.yahoo.com/300-oper%C3%A1rios-foxconn-amea%C3%A7am-se-suicidar-caso-recebam-164412059.html
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Tarso quer dar mais privilégios para os amigos
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O mesmo governo que diz que não tem dinheiro para o piso dos professores amplia privilégios para o capital e os apadrinhados políticos.
Novo benefício 10/01/2012 | 03h25
Projeto de lei que prevê 13º para secretários estaduais representa impacto de R$ 347 mil anuais
Proposta para pagar R$ 11,5 mil a auxiliares de Tarso deve chegar à Assembleia em fevereiro
Carlos Rollsing
carlos.rollsing@zerohora.com.br
A próxima demanda salarial a ser enfrentada pelo Piratini é de um grupo pequeno: 30 pessoas. São os secretários estaduais, que foram se queixar ao governador Tarso Genro no final do ano por não receberem a gratificação de Natal.
No início de fevereiro, o Executivo enviará à Assembleia projeto de lei prevendo o pagamento do 13º salário ao primeiro escalão.
A proposta está sendo redigida pela Casa Civil. Se for aprovada pelos deputados, cada secretário receberá, já no final de 2012, um salário extra. O subsídio da categoria atualmente é de R$ 11.564,76. O impacto financeiro anual da medida será de cerca de R$ 347 mil.
O secretário Carlos Pestana afirmou ontem que o projeto será de autoria do Poder Executivo, contrariando entendimentos de que somente o Legislativo poderia versar sobre a matéria.
— A competência é da Assembleia quando se trata do vencimento do governador, do vice e dos secretários. Mas não vamos alterar salários. Apenas garantiremos um direito — comentou Pestana.
O texto não está finalizado, mas a Casa Civil definiu que o projeto não terá caráter retroativo e só irá abranger o primeiro escalão. O governador e o vice também não recebem o 13° salário, mas o Piratini optou por não incluí-los na proposta.
Seguro de que não haverá desgaste político, Pestana conta que a situação somente foi detectada no final de dezembro. Enquanto os secretários que têm mandato de deputado receberam a gratificação natalina (eles podem optar por manter a remuneração do Legislativo), os demais se frustraram ao perceber que nenhum real havia sido depositado em suas contas.
— Tenho convicção de que a sociedade vai compreender que os secretários devem receber o 13° como qualquer trabalhador. Seja ele do poder público ou da iniciativa privada —– disse o chefe da Casa Civil.
Futuro presidente demonstra apoiar ideia
Do lado da oposição, a proposta foi recebida com reservas. O líder da bancada do PMDB, Giovani Feltes, criticou as intenções do Piratini afirmando que a prerrogativa de alterar vencimentos é da Assembleia Legislativa.
Já o futuro presidente da Casa, o também peemedebista Alexandre Postal, que toma posse no dia 31 deste mês, demonstra concordância:
— Eu já fui secretário de Estado e, como eu era deputado, no final do ano acabava recebendo o 13°. E os demais colegas não recebiam. Acho que isso não é justo.
Extraído de:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2012/01/projeto-de-lei-que-preve-13-para-secretarios-estaduais-representa-impacto-de-r-347-mil-anuais-3626303.html
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O mesmo governo que diz que não tem dinheiro para o piso dos professores amplia privilégios para o capital e os apadrinhados políticos.
Novo benefício 10/01/2012 | 03h25
Projeto de lei que prevê 13º para secretários estaduais representa impacto de R$ 347 mil anuais
Proposta para pagar R$ 11,5 mil a auxiliares de Tarso deve chegar à Assembleia em fevereiro
Carlos Rollsing
carlos.rollsing@zerohora.com.br
A próxima demanda salarial a ser enfrentada pelo Piratini é de um grupo pequeno: 30 pessoas. São os secretários estaduais, que foram se queixar ao governador Tarso Genro no final do ano por não receberem a gratificação de Natal.
No início de fevereiro, o Executivo enviará à Assembleia projeto de lei prevendo o pagamento do 13º salário ao primeiro escalão.
A proposta está sendo redigida pela Casa Civil. Se for aprovada pelos deputados, cada secretário receberá, já no final de 2012, um salário extra. O subsídio da categoria atualmente é de R$ 11.564,76. O impacto financeiro anual da medida será de cerca de R$ 347 mil.
O secretário Carlos Pestana afirmou ontem que o projeto será de autoria do Poder Executivo, contrariando entendimentos de que somente o Legislativo poderia versar sobre a matéria.
— A competência é da Assembleia quando se trata do vencimento do governador, do vice e dos secretários. Mas não vamos alterar salários. Apenas garantiremos um direito — comentou Pestana.
O texto não está finalizado, mas a Casa Civil definiu que o projeto não terá caráter retroativo e só irá abranger o primeiro escalão. O governador e o vice também não recebem o 13° salário, mas o Piratini optou por não incluí-los na proposta.
Seguro de que não haverá desgaste político, Pestana conta que a situação somente foi detectada no final de dezembro. Enquanto os secretários que têm mandato de deputado receberam a gratificação natalina (eles podem optar por manter a remuneração do Legislativo), os demais se frustraram ao perceber que nenhum real havia sido depositado em suas contas.
— Tenho convicção de que a sociedade vai compreender que os secretários devem receber o 13° como qualquer trabalhador. Seja ele do poder público ou da iniciativa privada —– disse o chefe da Casa Civil.
Futuro presidente demonstra apoiar ideia
Do lado da oposição, a proposta foi recebida com reservas. O líder da bancada do PMDB, Giovani Feltes, criticou as intenções do Piratini afirmando que a prerrogativa de alterar vencimentos é da Assembleia Legislativa.
Já o futuro presidente da Casa, o também peemedebista Alexandre Postal, que toma posse no dia 31 deste mês, demonstra concordância:
— Eu já fui secretário de Estado e, como eu era deputado, no final do ano acabava recebendo o 13°. E os demais colegas não recebiam. Acho que isso não é justo.
Extraído de:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2012/01/projeto-de-lei-que-preve-13-para-secretarios-estaduais-representa-impacto-de-r-347-mil-anuais-3626303.html
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Corrupção Global?
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Informe JB
05/01 às 12h09 - Atualizada em 05/01 às 12h19
MP investiga Fundação Roberto Marinho na farra do Ministério do Turismo
Jornal do Brasil
Jorge Lourenço
O Ministério Público Federal (MPF) fez um requerimento de informações ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a auditoria de um contrato da Fundação Roberto Marinho com o Ministério do Turismo. O vínculo diz respeito ao programa "Olá, Turista", cujo objetivo era treinar 80 mil profissionais para trabalhar no ramo. No total, a Fundação Roberto Marinho recebeu R$ 17 milhões para realizar o treinamento.
Suspeita de superfaturamento
A contratação da Fundação Roberto Marinho se deu graças ao custo-benefício oferecido pela ONG. No total, os R$ 17 milhões investidos em 80 mil alunos resulta numa média de R$ 176 por profissional treinado. No mercado, o valor médio do mesmo serviço custaria R$ 330. Só que o número de alunos efetivamente escritos foi apenas a metade do esperado: 40 mil pessoas. Para piorar, apenas metade dos alunos inscritos (19,7 mil) participou efetivamente do curso.
Justificativa
Em seu relatório, o TCU aponta que o Ministério do Turismo não soube calcular a demanda ou buscar meios de aumentar a frequência dos alunos. A baixa procura e frequência do programa "Olá, Turista" fez com que casa profissional treinado custasse quase R$ 740, 300 % a mais do que o previsto inicialmente.
Extraído de:
http://www.jb.com.br/informe-jb/noticias/2012/01/05/mp-investiga-fundacao-roberto-marinho-na-farra-do-ministerio-do-turismo/
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Informe JB
05/01 às 12h09 - Atualizada em 05/01 às 12h19
MP investiga Fundação Roberto Marinho na farra do Ministério do Turismo
Jornal do Brasil
Jorge Lourenço
O Ministério Público Federal (MPF) fez um requerimento de informações ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a auditoria de um contrato da Fundação Roberto Marinho com o Ministério do Turismo. O vínculo diz respeito ao programa "Olá, Turista", cujo objetivo era treinar 80 mil profissionais para trabalhar no ramo. No total, a Fundação Roberto Marinho recebeu R$ 17 milhões para realizar o treinamento.
Suspeita de superfaturamento
A contratação da Fundação Roberto Marinho se deu graças ao custo-benefício oferecido pela ONG. No total, os R$ 17 milhões investidos em 80 mil alunos resulta numa média de R$ 176 por profissional treinado. No mercado, o valor médio do mesmo serviço custaria R$ 330. Só que o número de alunos efetivamente escritos foi apenas a metade do esperado: 40 mil pessoas. Para piorar, apenas metade dos alunos inscritos (19,7 mil) participou efetivamente do curso.
Justificativa
Em seu relatório, o TCU aponta que o Ministério do Turismo não soube calcular a demanda ou buscar meios de aumentar a frequência dos alunos. A baixa procura e frequência do programa "Olá, Turista" fez com que casa profissional treinado custasse quase R$ 740, 300 % a mais do que o previsto inicialmente.
Extraído de:
http://www.jb.com.br/informe-jb/noticias/2012/01/05/mp-investiga-fundacao-roberto-marinho-na-farra-do-ministerio-do-turismo/
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Ex-presidente francês condenado por corrupção
Jacques Chirac foi sentenciado a dois anos de prisão. Mas não será preso!
Às vezes muitos habitantes de países periféricos como o Brasil não só acreditam que os desmandos só acontecem em terras terceiro-mundistas como têm o costume de enxergar com lentes cor-de-rosa os chamados países desenvolvidos. Isso é produto de uma larga campanha de autodivinização e autocelebração feita pelos próprios países ricos. O recente caso de condenação do ex-presidente francês, Jacques Chirac, mostrou que a realidade não é exatamente a propagandeada.
No mês passado Chirac foi condenado a dois anos de prisão por desvio de fundos públicos, abuso de confiança e aquisição ilícita de interesses quando ocupou o cargo de prefeito de Paris, entre 1990 e 1995. Ele teria criado uma série de empregos fantasmas que foram remunerados pelo erário público. Tais recursos teriam sido desviados para os planos eleitorais de Chirac nas eleições em que acabou se tornando presidente da França em 1995. [1]
Apesar da condenação o ex-presidente não será preso. Isso porque a sentença se deu com "suspensão condicional da pena", um artifício jurídico que mantém o apenado em liberdade. Outros sete acusados receberam sentença similar e também não serão presos. [2] Muitos franceses ficaram indignados e têm defendido o fim da concessão desse privilégio aos políticos.
Chirac, por sua vez, disse que não recorrerá da sentença. [3] Pra que né?
_______________________________________
[1] França: ex-presidente Chirac é condenado por corrupção (15/12/2011):
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5519631-EI8142,00-Franca+expresidente+Chirac+e+condenado+por+corrupcao.html
[2] Ex-presidente Chirac é condenado por desvio de fundos na França (15/12/2011):
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/12/ex-presidente-chirac-e-condenado-por-desvio-de-fundos-na-franca.html
[3] Condenado a 2 anos de prisão, Chirac não vai recorrer da sentença (16/12/2011):
http://www.portugues.rfi.fr/franca/20111216-condenado-dois-anos-de-prisao-chirac-nao-vai-recorrer-da-sentenca
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Às vezes muitos habitantes de países periféricos como o Brasil não só acreditam que os desmandos só acontecem em terras terceiro-mundistas como têm o costume de enxergar com lentes cor-de-rosa os chamados países desenvolvidos. Isso é produto de uma larga campanha de autodivinização e autocelebração feita pelos próprios países ricos. O recente caso de condenação do ex-presidente francês, Jacques Chirac, mostrou que a realidade não é exatamente a propagandeada.
No mês passado Chirac foi condenado a dois anos de prisão por desvio de fundos públicos, abuso de confiança e aquisição ilícita de interesses quando ocupou o cargo de prefeito de Paris, entre 1990 e 1995. Ele teria criado uma série de empregos fantasmas que foram remunerados pelo erário público. Tais recursos teriam sido desviados para os planos eleitorais de Chirac nas eleições em que acabou se tornando presidente da França em 1995. [1]
Apesar da condenação o ex-presidente não será preso. Isso porque a sentença se deu com "suspensão condicional da pena", um artifício jurídico que mantém o apenado em liberdade. Outros sete acusados receberam sentença similar e também não serão presos. [2] Muitos franceses ficaram indignados e têm defendido o fim da concessão desse privilégio aos políticos.
Chirac, por sua vez, disse que não recorrerá da sentença. [3] Pra que né?
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[1] França: ex-presidente Chirac é condenado por corrupção (15/12/2011):
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5519631-EI8142,00-Franca+expresidente+Chirac+e+condenado+por+corrupcao.html
[2] Ex-presidente Chirac é condenado por desvio de fundos na França (15/12/2011):
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/12/ex-presidente-chirac-e-condenado-por-desvio-de-fundos-na-franca.html
[3] Condenado a 2 anos de prisão, Chirac não vai recorrer da sentença (16/12/2011):
http://www.portugues.rfi.fr/franca/20111216-condenado-dois-anos-de-prisao-chirac-nao-vai-recorrer-da-sentenca
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Obama sanciona Lei Marcial
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Em 31 de dezembro, quando a maioria se preparava para os festejos da virada do ano, o Presidente estadunidense, Barack Obama, assinou, em meio as suas férias no Havaí, a "National Defense Authorization Act", lei anteriormente aprovada pelo Senado e que ampara uma série de medidas de exceção e de ataques às liberdades individuais. [1]
A lei possibilita que qualquer cidadão estadunidense seja preso por tempo indeterminado e sem acusação formal, a utilização das forças armadas dentro do território dos Estados Unidos contra o seu próprio povo e mais medidas restritivas da internet. Alguns críticos chegam a dizer que a lei revoga a Constituição do país.
Apesar do nível elevado de importância e gravidade da medida nenhum veículo da grande mídia brasileira noticiou nada a respeito. Por aí se vê o tamanho da subserviência da nossa grande mídia ainda mais quando se verifica que a grande mídia estadunidense teve de cobrir o ocorrido. [2]
É o autoritarismo se aprofundando na terra que se diz exportadora de liberdade. (tsc!)
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[1] Senado aprova "Lei Marcial" nos EUA (17/12/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/12/senado-aprova-lei-marcial-nos-eua.html
[2] É encontrado facilmente vários sites estadunidenses que noticiam tanto a aprovação pelo Senado quanto a sanção de Obama:
Reality Check: Should we believe President Obama about not fearing the National Defense Authorization Act? (03/01/2012):
http://www.fox19.com/story/16433463/reality-check-the-national-defense-authorization-act-is-now-law
President Obama Signed the National Defense Authorization Act - Now What? (02/01/2012)
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2012/01/02/president-obama-signed-the-national-defense-authorization-act-now-what/
The National Defense Authorization Act is the Greatest Threat to Civil Liberties Americans Face (05/12/2011):
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2011/12/05/the-national-defense-authorization-act-is-the-greatest-threat-to-civil-liberties-americans-face/
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2011/12/05/the-national-defense-authorization-act-is-the-greatest-threat-to-civil-liberties-americans-face/2/
Former Reagan administration official comments on National Defense Authorization Act (02/12/2011):
http://newsvoice.se/2011/12/02/paul-c-robert-former-reagan-administration-official-comments-national-defense-authorization-act/
National Defense Authorization Act spurs uprising from left and right on detainee provisions (08/12/2011):
http://www.tampabay.com/news/military/war/national-defense-authorization-act-spurs-uprising-from-left-and-right-on/1205269
Defense bill gives military too much responsibility for detainees (28/11/2011):
http://www.washingtonpost.com/opinions/defense-bill-gives-military-too-much-responsibility-for-detainees/2011/11/28/gIQAbbAO6N_story.html
Obama Drops Veto Threat Over Military Authorization Bill After Revisions (14/12/2011):
http://www.nytimes.com/2011/12/15/us/politics/obama-wont-veto-military-authorization-bill.html
Obama will not veto National Defense Authorization Act (14/12/2011):
http://www.rawstory.com/rs/2011/12/14/white-house-will-not-veto-national-defense-authorization-act/
National Defense Authorization Act Will Destroy Bill of Rights (07/11/2011):
http://www.opednews.com/articles/National-Defense-Authoriza-by-Sherwood-Ross-111207-201.html
http://www.opednews.com/articles/2/National-Defense-Authoriza-by-Sherwood-Ross-111207-201.html
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Em 31 de dezembro, quando a maioria se preparava para os festejos da virada do ano, o Presidente estadunidense, Barack Obama, assinou, em meio as suas férias no Havaí, a "National Defense Authorization Act", lei anteriormente aprovada pelo Senado e que ampara uma série de medidas de exceção e de ataques às liberdades individuais. [1]
A lei possibilita que qualquer cidadão estadunidense seja preso por tempo indeterminado e sem acusação formal, a utilização das forças armadas dentro do território dos Estados Unidos contra o seu próprio povo e mais medidas restritivas da internet. Alguns críticos chegam a dizer que a lei revoga a Constituição do país.
Apesar do nível elevado de importância e gravidade da medida nenhum veículo da grande mídia brasileira noticiou nada a respeito. Por aí se vê o tamanho da subserviência da nossa grande mídia ainda mais quando se verifica que a grande mídia estadunidense teve de cobrir o ocorrido. [2]
É o autoritarismo se aprofundando na terra que se diz exportadora de liberdade. (tsc!)
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[1] Senado aprova "Lei Marcial" nos EUA (17/12/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/12/senado-aprova-lei-marcial-nos-eua.html
[2] É encontrado facilmente vários sites estadunidenses que noticiam tanto a aprovação pelo Senado quanto a sanção de Obama:
Reality Check: Should we believe President Obama about not fearing the National Defense Authorization Act? (03/01/2012):
http://www.fox19.com/story/16433463/reality-check-the-national-defense-authorization-act-is-now-law
President Obama Signed the National Defense Authorization Act - Now What? (02/01/2012)
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2012/01/02/president-obama-signed-the-national-defense-authorization-act-now-what/
The National Defense Authorization Act is the Greatest Threat to Civil Liberties Americans Face (05/12/2011):
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2011/12/05/the-national-defense-authorization-act-is-the-greatest-threat-to-civil-liberties-americans-face/
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2011/12/05/the-national-defense-authorization-act-is-the-greatest-threat-to-civil-liberties-americans-face/2/
Former Reagan administration official comments on National Defense Authorization Act (02/12/2011):
http://newsvoice.se/2011/12/02/paul-c-robert-former-reagan-administration-official-comments-national-defense-authorization-act/
National Defense Authorization Act spurs uprising from left and right on detainee provisions (08/12/2011):
http://www.tampabay.com/news/military/war/national-defense-authorization-act-spurs-uprising-from-left-and-right-on/1205269
Defense bill gives military too much responsibility for detainees (28/11/2011):
http://www.washingtonpost.com/opinions/defense-bill-gives-military-too-much-responsibility-for-detainees/2011/11/28/gIQAbbAO6N_story.html
Obama Drops Veto Threat Over Military Authorization Bill After Revisions (14/12/2011):
http://www.nytimes.com/2011/12/15/us/politics/obama-wont-veto-military-authorization-bill.html
Obama will not veto National Defense Authorization Act (14/12/2011):
http://www.rawstory.com/rs/2011/12/14/white-house-will-not-veto-national-defense-authorization-act/
National Defense Authorization Act Will Destroy Bill of Rights (07/11/2011):
http://www.opednews.com/articles/National-Defense-Authoriza-by-Sherwood-Ross-111207-201.html
http://www.opednews.com/articles/2/National-Defense-Authoriza-by-Sherwood-Ross-111207-201.html
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domingo, 8 de janeiro de 2012
Os banqueiros são os ditadores do Ocidente
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"O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países."
Robert Fisk: jornalismo compactua com elite financeira—por quê? Primavera árabe, Occupy e indignados se assemelham pela luta contra as ditaduras
Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichês por palmo quadrado em todo o mundo – o Oriente Médio –, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial.
Mas… que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Oriente Médio algum dia superará a acanalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos ‘especialistas’ de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade.
Comecemos pela Primavera Árabe – expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio – e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do Ocidente que “colheram uma folha” do livro da “Primavera Árabe”; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram “inspirados” pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e – só em parte – na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense.
A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais “democráticos”, desesperados para separar as coisas, dedicados a sugerir que o Ocidente estaria apenas colhendo um último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra.
O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi uma demanda por dignidade: a recusa em aceitar os ditadores e famílias e claques de ditadores que, de fato, viviam como se fossem donos de seus respectivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que seus países pertencem a eles, ao povo.
E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business – causa perfeitamente justificada – e contra “governos”.
O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países.
As eleições no Ocidente – que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante a colusão de governos eleitos – tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para ‘eleger’ os proprietários deles mesmos, de sua riqueza, de seu futuro.
Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo ‘bônus’ e ‘prêmios’ aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível.
Não precisei – embora tenha ajudado – de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos… e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes ‘do risco’ (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje – graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados – matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de ‘rebaixar’ os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA.
Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje que Rommel [1] em 1940?
Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e – ah, santo deus, também a Al Jazeera – tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam – Inside Job já abriu o caminho! – desses escandalosos corretores duplos?
Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Oriente Médio, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no “processo de paz” norte-americano para o conflito Israelo-Palestino, porque os ‘mocinhos’ são os ‘moderados’ e todos os demais são os ‘bandidos terroristas’.
Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente, com nossos governos eleitos, criamos nossos ditadores. Mas, diferente dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores – intocáveis.
O chefe da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo essa semana que seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres?
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Notas
[1] Erwin Johannes Eugen Rommel (Heidenheim, 15 de Novembro de 1891 – Herrlingen, 14 de Outubro de 1944), conhecido popularmente como A Raposa do Deserto, foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um dos maioresresponsáveis pela conquista da França pelo exército nazista em 1940.
Extraído de:
http://www.outraspalavras.net/2011/12/12/os-banqueiros-sao-os-ditadores-do-ocidente/
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Minhas considerações:
O Estado é, conforme já havia constatado Marx, um instrumento de dominação de uma classe (a dominante) sobre outra (a dominada). Logo, o Estado nos marcos do capitalismo, sempre foi o Estado da classe burguesa. Isso fica muito claro quando se investiga mais de perto a história da construção desse Estado e de seu regime político.
Robert Fisk tem o mérito de reconhecer e denunciar a democracia burguesa como uma falsa democracia. Mas parece esquecer que dessa ditadura faz parte também a grande burguesia "produtiva" e não apenas os banqueiros. Ela tem, assim como os banqueiros, recebido dinheiro do Estado para não falir, como atesta, só para ficar em um exemplo, o caso da GM nos Estados Unidos.
Parece pouco, mas não ter essa clarificação em vista, pode levar à desastrosa e ineficiente política de defesa do chamado "capital produtivo" contra o "capital especulativo", quando o primeiro, nos dias de hoje, tem grande inserção no segundo, tanto que a burguesia "produtiva", longe de denunciar a especulação, aponta, irada, o dedo para os "gastos" dos governos e exige, em uníssono com os banqueiros, cortes dos direitos da classe trabalhadora (salários, aposentadorias, etc) e mais privatizações dos serviços públicos.
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Por Robert Fisk, The Independent | Tradução: Vila Vudu
"O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países."
Robert Fisk: jornalismo compactua com elite financeira—por quê? Primavera árabe, Occupy e indignados se assemelham pela luta contra as ditaduras
Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichês por palmo quadrado em todo o mundo – o Oriente Médio –, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial.
Mas… que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Oriente Médio algum dia superará a acanalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos ‘especialistas’ de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade.
Comecemos pela Primavera Árabe – expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio – e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do Ocidente que “colheram uma folha” do livro da “Primavera Árabe”; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram “inspirados” pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e – só em parte – na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense.
A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais “democráticos”, desesperados para separar as coisas, dedicados a sugerir que o Ocidente estaria apenas colhendo um último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra.
O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi uma demanda por dignidade: a recusa em aceitar os ditadores e famílias e claques de ditadores que, de fato, viviam como se fossem donos de seus respectivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que seus países pertencem a eles, ao povo.
E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business – causa perfeitamente justificada – e contra “governos”.
O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países.
As eleições no Ocidente – que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante a colusão de governos eleitos – tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para ‘eleger’ os proprietários deles mesmos, de sua riqueza, de seu futuro.
Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo ‘bônus’ e ‘prêmios’ aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível.
Não precisei – embora tenha ajudado – de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos… e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes ‘do risco’ (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje – graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados – matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de ‘rebaixar’ os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA.
Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje que Rommel [1] em 1940?
Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e – ah, santo deus, também a Al Jazeera – tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam – Inside Job já abriu o caminho! – desses escandalosos corretores duplos?
Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Oriente Médio, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no “processo de paz” norte-americano para o conflito Israelo-Palestino, porque os ‘mocinhos’ são os ‘moderados’ e todos os demais são os ‘bandidos terroristas’.
Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente, com nossos governos eleitos, criamos nossos ditadores. Mas, diferente dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores – intocáveis.
O chefe da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo essa semana que seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres?
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Notas
[1] Erwin Johannes Eugen Rommel (Heidenheim, 15 de Novembro de 1891 – Herrlingen, 14 de Outubro de 1944), conhecido popularmente como A Raposa do Deserto, foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um dos maioresresponsáveis pela conquista da França pelo exército nazista em 1940.
Extraído de:
http://www.outraspalavras.net/2011/12/12/os-banqueiros-sao-os-ditadores-do-ocidente/
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Minhas considerações:
O Estado é, conforme já havia constatado Marx, um instrumento de dominação de uma classe (a dominante) sobre outra (a dominada). Logo, o Estado nos marcos do capitalismo, sempre foi o Estado da classe burguesa. Isso fica muito claro quando se investiga mais de perto a história da construção desse Estado e de seu regime político.
Robert Fisk tem o mérito de reconhecer e denunciar a democracia burguesa como uma falsa democracia. Mas parece esquecer que dessa ditadura faz parte também a grande burguesia "produtiva" e não apenas os banqueiros. Ela tem, assim como os banqueiros, recebido dinheiro do Estado para não falir, como atesta, só para ficar em um exemplo, o caso da GM nos Estados Unidos.
Parece pouco, mas não ter essa clarificação em vista, pode levar à desastrosa e ineficiente política de defesa do chamado "capital produtivo" contra o "capital especulativo", quando o primeiro, nos dias de hoje, tem grande inserção no segundo, tanto que a burguesia "produtiva", longe de denunciar a especulação, aponta, irada, o dedo para os "gastos" dos governos e exige, em uníssono com os banqueiros, cortes dos direitos da classe trabalhadora (salários, aposentadorias, etc) e mais privatizações dos serviços públicos.
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