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Em 31 de dezembro, quando a maioria se preparava para os festejos da virada do ano, o Presidente estadunidense, Barack Obama, assinou, em meio as suas férias no Havaí, a "National Defense Authorization Act", lei anteriormente aprovada pelo Senado e que ampara uma série de medidas de exceção e de ataques às liberdades individuais. [1]
A lei possibilita que qualquer cidadão estadunidense seja preso por tempo indeterminado e sem acusação formal, a utilização das forças armadas dentro do território dos Estados Unidos contra o seu próprio povo e mais medidas restritivas da internet. Alguns críticos chegam a dizer que a lei revoga a Constituição do país.
Apesar do nível elevado de importância e gravidade da medida nenhum veículo da grande mídia brasileira noticiou nada a respeito. Por aí se vê o tamanho da subserviência da nossa grande mídia ainda mais quando se verifica que a grande mídia estadunidense teve de cobrir o ocorrido. [2]
É o autoritarismo se aprofundando na terra que se diz exportadora de liberdade. (tsc!)
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[1] Senado aprova "Lei Marcial" nos EUA (17/12/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/12/senado-aprova-lei-marcial-nos-eua.html
[2] É encontrado facilmente vários sites estadunidenses que noticiam tanto a aprovação pelo Senado quanto a sanção de Obama:
Reality Check: Should we believe President Obama about not fearing the National Defense Authorization Act? (03/01/2012):
http://www.fox19.com/story/16433463/reality-check-the-national-defense-authorization-act-is-now-law
President Obama Signed the National Defense Authorization Act - Now What? (02/01/2012)
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2012/01/02/president-obama-signed-the-national-defense-authorization-act-now-what/
The National Defense Authorization Act is the Greatest Threat to Civil Liberties Americans Face (05/12/2011):
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2011/12/05/the-national-defense-authorization-act-is-the-greatest-threat-to-civil-liberties-americans-face/
http://www.forbes.com/sites/erikkain/2011/12/05/the-national-defense-authorization-act-is-the-greatest-threat-to-civil-liberties-americans-face/2/
Former Reagan administration official comments on National Defense Authorization Act (02/12/2011):
http://newsvoice.se/2011/12/02/paul-c-robert-former-reagan-administration-official-comments-national-defense-authorization-act/
National Defense Authorization Act spurs uprising from left and right on detainee provisions (08/12/2011):
http://www.tampabay.com/news/military/war/national-defense-authorization-act-spurs-uprising-from-left-and-right-on/1205269
Defense bill gives military too much responsibility for detainees (28/11/2011):
http://www.washingtonpost.com/opinions/defense-bill-gives-military-too-much-responsibility-for-detainees/2011/11/28/gIQAbbAO6N_story.html
Obama Drops Veto Threat Over Military Authorization Bill After Revisions (14/12/2011):
http://www.nytimes.com/2011/12/15/us/politics/obama-wont-veto-military-authorization-bill.html
Obama will not veto National Defense Authorization Act (14/12/2011):
http://www.rawstory.com/rs/2011/12/14/white-house-will-not-veto-national-defense-authorization-act/
National Defense Authorization Act Will Destroy Bill of Rights (07/11/2011):
http://www.opednews.com/articles/National-Defense-Authoriza-by-Sherwood-Ross-111207-201.html
http://www.opednews.com/articles/2/National-Defense-Authoriza-by-Sherwood-Ross-111207-201.html
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Os banqueiros são os ditadores do Ocidente
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"O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países."
Robert Fisk: jornalismo compactua com elite financeira—por quê? Primavera árabe, Occupy e indignados se assemelham pela luta contra as ditaduras
Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichês por palmo quadrado em todo o mundo – o Oriente Médio –, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial.
Mas… que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Oriente Médio algum dia superará a acanalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos ‘especialistas’ de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade.
Comecemos pela Primavera Árabe – expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio – e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do Ocidente que “colheram uma folha” do livro da “Primavera Árabe”; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram “inspirados” pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e – só em parte – na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense.
A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais “democráticos”, desesperados para separar as coisas, dedicados a sugerir que o Ocidente estaria apenas colhendo um último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra.
O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi uma demanda por dignidade: a recusa em aceitar os ditadores e famílias e claques de ditadores que, de fato, viviam como se fossem donos de seus respectivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que seus países pertencem a eles, ao povo.
E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business – causa perfeitamente justificada – e contra “governos”.
O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países.
As eleições no Ocidente – que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante a colusão de governos eleitos – tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para ‘eleger’ os proprietários deles mesmos, de sua riqueza, de seu futuro.
Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo ‘bônus’ e ‘prêmios’ aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível.
Não precisei – embora tenha ajudado – de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos… e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes ‘do risco’ (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje – graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados – matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de ‘rebaixar’ os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA.
Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje que Rommel [1] em 1940?
Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e – ah, santo deus, também a Al Jazeera – tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam – Inside Job já abriu o caminho! – desses escandalosos corretores duplos?
Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Oriente Médio, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no “processo de paz” norte-americano para o conflito Israelo-Palestino, porque os ‘mocinhos’ são os ‘moderados’ e todos os demais são os ‘bandidos terroristas’.
Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente, com nossos governos eleitos, criamos nossos ditadores. Mas, diferente dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores – intocáveis.
O chefe da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo essa semana que seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres?
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Notas
[1] Erwin Johannes Eugen Rommel (Heidenheim, 15 de Novembro de 1891 – Herrlingen, 14 de Outubro de 1944), conhecido popularmente como A Raposa do Deserto, foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um dos maioresresponsáveis pela conquista da França pelo exército nazista em 1940.
Extraído de:
http://www.outraspalavras.net/2011/12/12/os-banqueiros-sao-os-ditadores-do-ocidente/
____________________________________________
Minhas considerações:
O Estado é, conforme já havia constatado Marx, um instrumento de dominação de uma classe (a dominante) sobre outra (a dominada). Logo, o Estado nos marcos do capitalismo, sempre foi o Estado da classe burguesa. Isso fica muito claro quando se investiga mais de perto a história da construção desse Estado e de seu regime político.
Robert Fisk tem o mérito de reconhecer e denunciar a democracia burguesa como uma falsa democracia. Mas parece esquecer que dessa ditadura faz parte também a grande burguesia "produtiva" e não apenas os banqueiros. Ela tem, assim como os banqueiros, recebido dinheiro do Estado para não falir, como atesta, só para ficar em um exemplo, o caso da GM nos Estados Unidos.
Parece pouco, mas não ter essa clarificação em vista, pode levar à desastrosa e ineficiente política de defesa do chamado "capital produtivo" contra o "capital especulativo", quando o primeiro, nos dias de hoje, tem grande inserção no segundo, tanto que a burguesia "produtiva", longe de denunciar a especulação, aponta, irada, o dedo para os "gastos" dos governos e exige, em uníssono com os banqueiros, cortes dos direitos da classe trabalhadora (salários, aposentadorias, etc) e mais privatizações dos serviços públicos.
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Por Robert Fisk, The Independent | Tradução: Vila Vudu
"O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países."
Robert Fisk: jornalismo compactua com elite financeira—por quê? Primavera árabe, Occupy e indignados se assemelham pela luta contra as ditaduras
Escrevendo da região que produz a maior quantidade de clichês por palmo quadrado em todo o mundo – o Oriente Médio –, talvez eu devesse fazer uma pausa e respirar fundo antes de dizer que jamais li tal quantidade de lixo, de tão completo e absoluto lixo, como o que tenho lido ultimamente, sobre a crise financeira mundial.
Mas… que seja! Nada de meias palavras. A impressão que tenho é que a cobertura jornalística do colapso do capitalismo bateu novo recorde (negativo), tão baixo, tão baixo, que nem o Oriente Médio algum dia superará a acanalhada subserviência que se viu, em todos os jornais, às instituições e aos ‘especialistas’ de Harvard, os mesmos que ajudaram a consumar todo o crime e a calamidade.
Comecemos pela Primavera Árabe – expressão publicitária, grotesca, distorcida, que nada diz sobre o grande despertar árabe/muçulmano que está sacudindo o Oriente Médio – e os escandalosos, obscenos paralelos com os protestos sociais que acontecem nas capitais ocidentais. Fomos inundados por matérias sobre os pobres e oprimidos do Ocidente que “colheram uma folha” do livro da “Primavera Árabe”; sobre manifestantes, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Espanha e Grécia que foram “inspirados” pelas manifestações gigantes que derrubaram regimes no Egito, Tunísia e – só em parte – na Líbia. Tudo isso é loucura. Nonsense.
A verdadeira comparação, desnecessário dizer, ficou esquecida pelos jornalistas ocidentais, todos ocupadíssimos em não falar de rebeliões populares contra ditaduras, tanto quanto ocupadíssimos em ignorar todos os protestos contra os governos ocidentais “democráticos”, desesperados para separar as coisas, dedicados a sugerir que o Ocidente estaria apenas colhendo um último alento dos estertores das revoltas no mundo árabe. A verdade é outra.
O que levou os árabes, às dezenas de milhares e depois aos milhões, às ruas das capitais do Oriente Médio foi uma demanda por dignidade: a recusa em aceitar os ditadores e famílias e claques de ditadores que, de fato, viviam como se fossem donos de seus respectivos países. Os Mubaraks e os Ben Alis e os reis e emires do Golfo (e da Jordânia), todos acreditavam que tinham direitos de propriedade sobre tudo e todos. O Egito pertencia à Mubarak Inc.; a Tunísia, a Tunisia à Ben Ali Inc. (e à família Traboulsi) etc. Os mártires árabes, das lutas contra as ditaduras, morreram para provar que seus países pertencem a eles, ao povo.
E aí está a real semelhança que aproxima as revoluções árabes e ocidentais. Os movimentos de protesto que se veem nas capitais ocidentais são movimento contra o Big Business – causa perfeitamente justificada – e contra “governos”.
O que os manifestantes ocidentais afinal entenderam, embora talvez um pouco tarde demais, é que, por décadas, viveram o engano de uma democracia fraudulenta: votavam, como tinham de fazer, em partidos políticos. Mas os partidos, imediatamente depois, entregavam o mandato democrático que recebiam do povo, do poder do povo, aos banqueiros e aos corretores de ‘derivativos’ e às agências ‘de risco’ – todos esses apoiados na fraude que são os ‘especialistas’ saídos das principais universidades e think-tanks dos EUA, que mantêm viva a ficção de que viveríamos uma ‘crise de globalização’, e não o que realmente vivemos: uma falcatrua, uma fraude massiva, um assalto, um golpe contra os eleitores.
Os bancos e as agências de risco tornaram-se os ditadores do Ocidente. Exatamente como os Mubaraks e Ben Alis, os bancos acreditaram – e disso continuam convencidos – que seriam proprietários de seus países.
As eleições no Ocidente – que deram poder aos bancos e às agências de risco, mediante a colusão de governos eleitos – tornaram-se tão falsas quanto as urnas que os árabes, ano após ano, eram obrigados a visitar, décadas a fio, para ‘eleger’ os proprietários deles mesmos, de sua riqueza, de seu futuro.
Goldman Sachs e o Real Banco da Escócia converteram-se nos Mubaraks e Ben Alis dos EUA e da Grã-Bretanha, cada um e todos esses dedicados a afanar a riqueza dos cidadãos, garantindo ‘bônus’ e ‘prêmios’ aos seus próprios gerentes pervertidos. Isso se fez no Ocidente, em escala infinitamente mais escandalosa do que os ditadores árabes algum dia sonharam que fosse exequível.
Não precisei – embora tenha ajudado – de Inside Job, de Charles Ferguson, essa semana, na BBC2, para aprender que as agências de risco e os bancos nos EUA são intercambiáveis: o pessoal que lá trabalha muda-se sem sobressalto, dos bancos para as agências, das agências para os bancos… e todos, imediatamente, para dentro do governo dos EUA. Os rapazes ‘do risco’ (a maioria, rapazes, claro) que atribuíram grau AAA aos empréstimos e derivativos podres nos EUA estão hoje – graças ao poder vicioso que exercem sobre os mercados – matando de fome e medo os povos da Europa, ameaçando-os de ‘rebaixar’ os créditos europeus, depois de se terem associados a outros criminosos do lado de cá do Atlântico, associação que já se construía desde antes do crash financeiro nos EUA.
Acredito que dizer menos ajuda a vencer discussões, mas, perdoem-me: Quem são esses seres, cujas agências de risco metem mais medo nos franceses hoje que Rommel [1] em 1940?
Por que os meus colegas jornalistas em Wall Street nada me dizem? Como é possível que a BBC e a CNN e – ah, santo deus, também a Al Jazeera – tratem essas comunidades criminosas como inquestionáveis instituições de poder? Por que nada investigam – Inside Job já abriu o caminho! – desses escandalosos corretores duplos?
Fazem-me lembrar o modo igualmente acanalhado como tantos jornalistas norte-americanos cobrem o Oriente Médio, delirantemente evitando qualquer crítica direta a Israel, imbecilizados por um exército de lobistas pró-Likud, dedicados a explicar aos leitores e telespectadores por que devem confiar no “processo de paz” norte-americano para o conflito Israelo-Palestino, porque os ‘mocinhos’ são os ‘moderados’ e todos os demais são os ‘bandidos terroristas’.
Os árabes, pelo menos, já desmascararam todo esse nonsense. Mas quando os manifestantes contra Wall Street fazem o mesmo, imediatamente passam a ser “anarquistas”, os “terroristas” sociais das ruas dos EUA que se atrevem a exigir que os Bernankes e Geithners sejam julgados pelo mesmo tipo de tribunal que julga Hosni Mubarak. Nós, no Ocidente, com nossos governos eleitos, criamos nossos ditadores. Mas, diferente dos árabes, ainda mantemos intocáveis os nossos ditadores – intocáveis.
O chefe da República da Irlanda (em gaélico irlandês Taoiseach), Enda Kenny, solenemente informou ao povo essa semana que seu governo não é responsável pela crise em que se debatem todos os irlandeses. Todos já sabiam, é claro. O que ele não contou ao povo é quem, então, seria o responsável. Já não seria mais que hora de ele e seus colegas primeiros-ministros da União Europeia contar o que sabem? E quanto aos nossos jornalistas e repórteres?
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Notas
[1] Erwin Johannes Eugen Rommel (Heidenheim, 15 de Novembro de 1891 – Herrlingen, 14 de Outubro de 1944), conhecido popularmente como A Raposa do Deserto, foi um marechal-de-campo do exército alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um dos maioresresponsáveis pela conquista da França pelo exército nazista em 1940.
Extraído de:
http://www.outraspalavras.net/2011/12/12/os-banqueiros-sao-os-ditadores-do-ocidente/
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Minhas considerações:
O Estado é, conforme já havia constatado Marx, um instrumento de dominação de uma classe (a dominante) sobre outra (a dominada). Logo, o Estado nos marcos do capitalismo, sempre foi o Estado da classe burguesa. Isso fica muito claro quando se investiga mais de perto a história da construção desse Estado e de seu regime político.
Robert Fisk tem o mérito de reconhecer e denunciar a democracia burguesa como uma falsa democracia. Mas parece esquecer que dessa ditadura faz parte também a grande burguesia "produtiva" e não apenas os banqueiros. Ela tem, assim como os banqueiros, recebido dinheiro do Estado para não falir, como atesta, só para ficar em um exemplo, o caso da GM nos Estados Unidos.
Parece pouco, mas não ter essa clarificação em vista, pode levar à desastrosa e ineficiente política de defesa do chamado "capital produtivo" contra o "capital especulativo", quando o primeiro, nos dias de hoje, tem grande inserção no segundo, tanto que a burguesia "produtiva", longe de denunciar a especulação, aponta, irada, o dedo para os "gastos" dos governos e exige, em uníssono com os banqueiros, cortes dos direitos da classe trabalhadora (salários, aposentadorias, etc) e mais privatizações dos serviços públicos.
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Rede TV demite jornalista que reclamou de atraso do salário
Demissão de Rita Lisauskas expõe, mais uma vez, a hipocrisia da grande mídia privada que se autointitula o Éden da liberdade de expressão e da democracia mas que na prática concreta pune tiranicamente seus próprios subalternos que devem exercer a liberdade da mordaça mesmo diante dos descalabros que os afetam diretamente.
Jornal: RedeTV! demite jornalista que reclamou de salário atrasado
06 de janeiro de 2012

De acordo com a coluna Zapping, do jornal Agora São Paulo, a RedeTV! enviou um telegrama à jornalista e apresentadora Rita Lisauskas informando a rescisão de seu contrato, motivada pela divulgação de "informação sigilosa do canal".
Rita foi afastada em dezembro por ter reclamado em seu perfil no Facebook sobre os dois meses de salários atrasados. Ela trabalhava na emissora desde 2000 e tinha contrato até 2013. A coluna diz que a jornalista brigará por seus direitos na Justiça.
Extraído de:
http://diversao.terra.com.br/tv/noticias/0,,OI5545956-EI12993,00-Jornal+RedeTV+demite+jornalista+que+reclamou+de+salario+atrasado.html
Ver também:
Mídia "livre" não paga e pune quem reclama
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/12/midia-livre-nao-paga-e-pune-quem.html
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Jornal: RedeTV! demite jornalista que reclamou de salário atrasado
06 de janeiro de 2012

De acordo com a coluna Zapping, do jornal Agora São Paulo, a RedeTV! enviou um telegrama à jornalista e apresentadora Rita Lisauskas informando a rescisão de seu contrato, motivada pela divulgação de "informação sigilosa do canal".
Rita foi afastada em dezembro por ter reclamado em seu perfil no Facebook sobre os dois meses de salários atrasados. Ela trabalhava na emissora desde 2000 e tinha contrato até 2013. A coluna diz que a jornalista brigará por seus direitos na Justiça.
Extraído de:
http://diversao.terra.com.br/tv/noticias/0,,OI5545956-EI12993,00-Jornal+RedeTV+demite+jornalista+que+reclamou+de+salario+atrasado.html
Ver também:
Mídia "livre" não paga e pune quem reclama
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/12/midia-livre-nao-paga-e-pune-quem.html
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sábado, 7 de janeiro de 2012
EUA: cresce apoio ao socialismo entre os jovens
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30/12/2011
Apoio ao socialismo cresceu entre jovens nos EUA, mostra pesquisa
Quarenta e nove por cento disse que aprova a corrente política
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center nos Estados Unidos, aumentou o número de jovens entre 18 e 29 anos que têm um visão positiva do socialismo. Quarenta e nove por cento dos entrevistados nessa faixa etária aprovam a corrente política, enquanto 43% têm uma visão negativa dela.
Esse panorama era diferente há 20 meses, segundo o centro de pesquisas. Em outro levantamento, publicado em maio de 2010, 43% dos jovens norte-americanos disseram que tinham uma visão positiva do socialismo e 49%, que ela era negativa.
Os pesquisadores não precisaram o motivo para a mudança, mas apontaram que a crise econômica no país e o crescimentos dos movimentos "occupy" este ano podem ter impulsionado esse resultado. De fato, a pesquisa constatou que apenas 46% dos jovens têm opiniões positivas sobre o capitalismo, e 47% têm opiniões negativas.
A pesquisa foi divida entre idade, raça, renda pessoal e afiliação política. A preferência pelo socialismo prevaleceu somente entre dois grupos específicos: os negros e os liberais democratas. Cinquenta e cinco por cento dos negros apoiam o socialismo, e 59% entre os liberais democratas.
Entretanto, quando analisado o total da população, o socialismo ainda é bastante condenado nos EUA. Somente 31% disseram ter uma visão positiva, enquanto 60% rejeitam as ideias socialistas.
Extraído de:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/18843/apoio+ao+socialismo+cresceu+entre+jovens+nos+eua+mostra+pesquisa.shtml
Os dados da pesquisa podem ser acessados em:
Little Change in Public's Response to 'Capitalism,' 'Socialism' (28/12/2011):
http://www.people-press.org/2011/12/28/little-change-in-publics-response-to-capitalism-socialism/?src=prc-headline
http://www.people-press.org/2011/12/28/little-change-in-publics-response-to-capitalism-socialism/2/
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30/12/2011
Apoio ao socialismo cresceu entre jovens nos EUA, mostra pesquisa
Quarenta e nove por cento disse que aprova a corrente política
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center nos Estados Unidos, aumentou o número de jovens entre 18 e 29 anos que têm um visão positiva do socialismo. Quarenta e nove por cento dos entrevistados nessa faixa etária aprovam a corrente política, enquanto 43% têm uma visão negativa dela.
Esse panorama era diferente há 20 meses, segundo o centro de pesquisas. Em outro levantamento, publicado em maio de 2010, 43% dos jovens norte-americanos disseram que tinham uma visão positiva do socialismo e 49%, que ela era negativa.
Os pesquisadores não precisaram o motivo para a mudança, mas apontaram que a crise econômica no país e o crescimentos dos movimentos "occupy" este ano podem ter impulsionado esse resultado. De fato, a pesquisa constatou que apenas 46% dos jovens têm opiniões positivas sobre o capitalismo, e 47% têm opiniões negativas.
A pesquisa foi divida entre idade, raça, renda pessoal e afiliação política. A preferência pelo socialismo prevaleceu somente entre dois grupos específicos: os negros e os liberais democratas. Cinquenta e cinco por cento dos negros apoiam o socialismo, e 59% entre os liberais democratas.
Entretanto, quando analisado o total da população, o socialismo ainda é bastante condenado nos EUA. Somente 31% disseram ter uma visão positiva, enquanto 60% rejeitam as ideias socialistas.
Extraído de:
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/18843/apoio+ao+socialismo+cresceu+entre+jovens+nos+eua+mostra+pesquisa.shtml
Os dados da pesquisa podem ser acessados em:
Little Change in Public's Response to 'Capitalism,' 'Socialism' (28/12/2011):
http://www.people-press.org/2011/12/28/little-change-in-publics-response-to-capitalism-socialism/?src=prc-headline
http://www.people-press.org/2011/12/28/little-change-in-publics-response-to-capitalism-socialism/2/
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domingo, 25 de dezembro de 2011
Em 2011 a esperança renasceu
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Sempre se espera que a cada ano que se inicia as coisas sejam diferentes e melhores do que no ano encerrado. Mas na maioria das vezes esquece-se de que são as nossas ações que interferem no futuro para que ele seja de uma forma ou outra. Como disse Bertold Brecht "Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que tornem possível a bondade" ou ainda de acordo com uma charge da Mafalda é o ano novo que espera que as pessoas sejam melhores. [1]
Pois 2011 começou, foi atravessado e está encerrando com uma série de lutas sociais espalhadas por praticamente todos os continentes. Foram tantas que é difícil lembrar de todas.
Com a crise do capitalismo como pano de fundo tornou-se inevitável o que muitos achavam impossível: a agência explosiva e ativa das massas nas ruas em lutas não apenas defensivas mas ofensivas em uma dimensão que alguns comparam com a "Primavera dos Povos" de 1848.
No Norte da África governos autoritários celebrados pelo Ocidente foram derrubados [2] e alguns seguem bastante questionados naquela região e no Oriente Médio, mas também no Ocidente os regimes políticos tiveram a sua "solidez" abalada e na Espanha jovens ocuparam praças para denunciar a democracia representativa burguesa como sendo uma falsa democracia. [3]
A juventude, aliás, tem sido um dos principais protagonistas dos novos movimentos sociais radicalizados. De geração tida como alienada estão a chacoalhar regimes. Isso, obviamente, não ocorre por acaso: os jovens têm visto cada vez mais reduzidas as suas perspectivas de futuro no atual sistema sócio-econômico. Os próprios organismos pró-status quo os têm chamado de "geração perdida". [4]
Como ninguém que não esteja acorrentado aceita morrer de braços cruzados a juventude não aceita a falta de perspectiva que lhes oferecem. No Chile se trava, há meses, uma luta radicalizada contra a mercantilização do ensino.
Mas não são apenas os filhos da classe trabalhadora que têm ocupado as ruas. A Europa foi palco de inúmeras greves de trabalhadores na Grécia, na Inglaterra, na Itália, em Portugal, Irlanda, Espanha, Bélgica, entre outros.
Em 2011 emergiu com força não apenas as lutas das massas, mas também categorias analíticas da realidade que eram tidas como ultrapassadas por alguns analistas e acadêmicos, inclusive alguns que se diziam progressistas. [5]
Se na Espanha a democracia burguesa foi apontada como uma farsa dentro de um Estado cujos partidos governam para uma mesma classe, nos Estados Unidos o movimento dos Ocupes percebeu e denunciou, com o slogan "99% versus 1%", que em uma sociedade de classes elas não apenas existem como têm interesses próprios e antagônicos. [6]
Esse verdadeiro despertar das massas possui, é verdade, algumas limitações e contradições decorrentes do contexto presente e principalmente do anterior. Mas o processo desencadeado em um ano que já é histórico está apenas começando e os enfrentamentos que virão podem corrigir as suas falhas.
Se só vence quem luta, se é a luta que muda a vida, se a luta chacoalha as consciências, e as massas estão lutando, então é possível dizer quem em 2011 a esperança de um outro mundo possível renasceu. Ainda mais que o ano velho deixou muitas pessoas melhores para o ano novo.
______________________________________________
[1] Um Ano Novo Feliz depende de nós! (31/12/2010):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2010/12/um-ano-novo-feliz-depende-de-nos.html
[2] O que o Ocidente dizia do Norte da África? (29/01/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/01/o-que-o-ocidente-dizia-do-norte-da.html
[3] Em busca da democracia real (20/05/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/05/em-busca-da-democracia-real.html
[4] FMI alerta para risco de "geração perdida" (12/05/2011):
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1850259
[5] A crise e as categorias marxistas (27/12/2010):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2010/12/crise-e-as-categorias-marxistas.html
[6] Wall Street como inimigo público nº 1 (17/10/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/10/wall-street-como-inimigo-publico-n-1.html
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Sempre se espera que a cada ano que se inicia as coisas sejam diferentes e melhores do que no ano encerrado. Mas na maioria das vezes esquece-se de que são as nossas ações que interferem no futuro para que ele seja de uma forma ou outra. Como disse Bertold Brecht "Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que tornem possível a bondade" ou ainda de acordo com uma charge da Mafalda é o ano novo que espera que as pessoas sejam melhores. [1]
Pois 2011 começou, foi atravessado e está encerrando com uma série de lutas sociais espalhadas por praticamente todos os continentes. Foram tantas que é difícil lembrar de todas.
Com a crise do capitalismo como pano de fundo tornou-se inevitável o que muitos achavam impossível: a agência explosiva e ativa das massas nas ruas em lutas não apenas defensivas mas ofensivas em uma dimensão que alguns comparam com a "Primavera dos Povos" de 1848.
No Norte da África governos autoritários celebrados pelo Ocidente foram derrubados [2] e alguns seguem bastante questionados naquela região e no Oriente Médio, mas também no Ocidente os regimes políticos tiveram a sua "solidez" abalada e na Espanha jovens ocuparam praças para denunciar a democracia representativa burguesa como sendo uma falsa democracia. [3]
A juventude, aliás, tem sido um dos principais protagonistas dos novos movimentos sociais radicalizados. De geração tida como alienada estão a chacoalhar regimes. Isso, obviamente, não ocorre por acaso: os jovens têm visto cada vez mais reduzidas as suas perspectivas de futuro no atual sistema sócio-econômico. Os próprios organismos pró-status quo os têm chamado de "geração perdida". [4]
Como ninguém que não esteja acorrentado aceita morrer de braços cruzados a juventude não aceita a falta de perspectiva que lhes oferecem. No Chile se trava, há meses, uma luta radicalizada contra a mercantilização do ensino.
Mas não são apenas os filhos da classe trabalhadora que têm ocupado as ruas. A Europa foi palco de inúmeras greves de trabalhadores na Grécia, na Inglaterra, na Itália, em Portugal, Irlanda, Espanha, Bélgica, entre outros.
Em 2011 emergiu com força não apenas as lutas das massas, mas também categorias analíticas da realidade que eram tidas como ultrapassadas por alguns analistas e acadêmicos, inclusive alguns que se diziam progressistas. [5]
Se na Espanha a democracia burguesa foi apontada como uma farsa dentro de um Estado cujos partidos governam para uma mesma classe, nos Estados Unidos o movimento dos Ocupes percebeu e denunciou, com o slogan "99% versus 1%", que em uma sociedade de classes elas não apenas existem como têm interesses próprios e antagônicos. [6]
Esse verdadeiro despertar das massas possui, é verdade, algumas limitações e contradições decorrentes do contexto presente e principalmente do anterior. Mas o processo desencadeado em um ano que já é histórico está apenas começando e os enfrentamentos que virão podem corrigir as suas falhas.
Se só vence quem luta, se é a luta que muda a vida, se a luta chacoalha as consciências, e as massas estão lutando, então é possível dizer quem em 2011 a esperança de um outro mundo possível renasceu. Ainda mais que o ano velho deixou muitas pessoas melhores para o ano novo.
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[1] Um Ano Novo Feliz depende de nós! (31/12/2010):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2010/12/um-ano-novo-feliz-depende-de-nos.html
[2] O que o Ocidente dizia do Norte da África? (29/01/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/01/o-que-o-ocidente-dizia-do-norte-da.html
[3] Em busca da democracia real (20/05/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/05/em-busca-da-democracia-real.html
[4] FMI alerta para risco de "geração perdida" (12/05/2011):
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1850259
[5] A crise e as categorias marxistas (27/12/2010):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2010/12/crise-e-as-categorias-marxistas.html
[6] Wall Street como inimigo público nº 1 (17/10/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/10/wall-street-como-inimigo-publico-n-1.html
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Mídia "livre" não paga e pune quem reclama
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Rede TV! afasta jornalista que cobra o próprio salário
Por Gui Barros - 21/12/2011 - Yahoo

A apresentadora do "RedeTv" News", Rita Lisauskas, foi afastada ontem da emissora após reclamar no Facebook sobre o atraso de salários. Segundo a Folha de São Paulo, a emissora ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas tratou logo de colocar uma apresentadora substituta no lugar de Rita.
"Queria só entender como tem empresário que consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir, sabendo que há centenas de profissionais sem salário há no mínimo 2 meses bem na semana do Natal. E o pior: como tem assessor de imprensa (ou seja, coleguinha) que se digna a desmentir o óbvio com a seguinte pérola: 'É mentira desses funcionários, pois os salários estão em dia.' Aos colegas que pensarem em me enviar mensagem pedindo para que me cale nem percam seu precioso tempo. Sou profissional, tenho dignidade, mas não tenho estômago."
É, não tá fácil para ninguém....
Extraído de:
http://br.omg.yahoo.com/blogs/pronto-falei/rede-tv-afasta-jornalista-que-cobra-o-pr%C3%B3prio-140244725.html
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Rede TV! afasta jornalista que cobra o próprio salário
Por Gui Barros - 21/12/2011 - Yahoo

A apresentadora do "RedeTv" News", Rita Lisauskas, foi afastada ontem da emissora após reclamar no Facebook sobre o atraso de salários. Segundo a Folha de São Paulo, a emissora ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas tratou logo de colocar uma apresentadora substituta no lugar de Rita.
"Queria só entender como tem empresário que consegue colocar a cabeça no travesseiro e dormir, sabendo que há centenas de profissionais sem salário há no mínimo 2 meses bem na semana do Natal. E o pior: como tem assessor de imprensa (ou seja, coleguinha) que se digna a desmentir o óbvio com a seguinte pérola: 'É mentira desses funcionários, pois os salários estão em dia.' Aos colegas que pensarem em me enviar mensagem pedindo para que me cale nem percam seu precioso tempo. Sou profissional, tenho dignidade, mas não tenho estômago."
É, não tá fácil para ninguém....
Extraído de:
http://br.omg.yahoo.com/blogs/pronto-falei/rede-tv-afasta-jornalista-que-cobra-o-pr%C3%B3prio-140244725.html
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011
"A Privataria Tucana" e as "Outras Privatarias"
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O livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr, que denuncia, com farta documentação, as falcatruas das privatizações realizadas durante o Governo Fernando Henrique Cardoso foi muito comentado nos últimos dias e a sua primeira edição já encontra-se esgotada.
A grande mídia, apoiadora das privatarias, naturalmente tem ignorado ou dado um destaque quase nulo à obra. É na blogosfera que o livro tem sido amplamente difundido.
Os blogueiros governistas, por sua vez, fizeram grande alarde do livro, sempre ocultando que em seu último capítulo consta descalabros na condução da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Cobram também uma maior cobertura da grande mídia mas omitem que a mesma mídia não só se cala sobre os descalabros das Privatarias Petistas como as apóia.
Perguntada sobre a possibilidade de um CPI sobre as Privatarias, a Presidente Dilma Rousseff, deu a seguinte blefada:
"Eu acho que CPI se faz em caso extremo. Não vejo como eu poderia me manifestar sobre isso" [1]
O que seria mais extremo do que um livro com farta documentação e cujo jornalista venceu 34 processos contrários?
A verdade é que as candidaturas petistas ao Planalto são antiprivatistas apenas no período eleitoral para ganhar votos. Uma vez eleitos privatizam utilizando os mesmos métodos dos tucanos. Tem sido assim desde o primeiro mandato de Lula.
Na última semana, por exemplo, foi divulgado que os leilões dos aeroportos ocorrerão em 6 de fevereiro de 2012. E o Governo Dilma concederá os aeroportos com valores inferiores aos mínimos indicados pelo Tribunal de Contas da União:
"Em Brasília, o valor do preço mínino ficou em R$ 582 milhões. No caso de Cumbica, o governo fixou o preço mínimo em R$ 3,4 bilhões (R$ 400 milhões a menos do defendido pelo TCU). Já em Viracopos, o valor fixado foi de R$ 1,471 bilhão (o tribunal defendia R$ 1,7 bilhão)." [2]
Não bastasse isso a privatização dos aeroportos será regada a muito dinheiro público como deixou claro o Ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wagner Bittencourt:
"Funciona assim: de cada R$ 100 investidos, R$ 70 virão do BNDES e de outras fontes de financiamento e R$ 30 dos sócios. Dos R$ 30, R$ 14,7 virão da Infraero (…) É o melhor negócio do mundo." [3]
Cabe lembrar que um dos argumentos dos governos (FHC, Lula e Dilma) para privatizar é a falta de recursos do Estado. Mas curiosamente o dinheiro, tão escasso quando as empresas são estatais, jorra quando as mesmas são privatizadas. Por aí se vê que o PT utiliza os mesmos métodos e argumentos do PSDB para promover as suas privatarias.
Não é atoa que a Presidente blefe diante da possibilidade de uma CPI das Privatarias Tucanas pois sabe que ela poderia, sem sobressaltos, desembocar nas Privatarias Petistas.
O acordão já está começando a se materializar. Na mesma entrevista em que Dilma blefou sobre a CPI ela ainda disse que deseja prosseguir as "relações civilizadas" que mantêm atualmente com o PSDB. [4]
É uma "civilidade" confirmada pelo deputado petista Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que disse aos tucanos que "não tem objeto, fato específico" para que a CPI seja instalada. [5]
A "civilidade" dos irmãos siameses, PT e PSDB, tem a adesão da grande mídia que silencia ou faz pouco caso de um fato extremamente grave. Essa troca de cortesias entre os senhores do poder só poderá ser quebrada pela pressão social dos de baixo.
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[1] Dilma diz que não leu A Privataria Tucana: "CPI se faz em caso extremo" (16/12/2011):
http://sul21.com.br/jornal/2011/12/dilma-diz-que-nao-leu-a-privataria-tucana-cpi-se-faz-em-caso-extremo/comment-page-1/#comment-30277
[2] Leilão de aeroportos de Cumbica, Viracopos e JK fica para 6 de fevereiro (15/12/2011):
http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/12/15/leilao-de-aeroportos-de-cumbica-viracopos-e-jk-fica-para-6-de-fevereiro/
[3] A farra da privatização dos aeroportos (23/10/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/10/farra-da-privatizacao-dos-aeroportos.html
[4] Privataria: Dilma diz que não leu e que CPI 'se faz em caso extremo' (16/12/2011):
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19225&alterarHomeAtual=1
[5] CPI da Privataria não deve sair do papel (19/12/2011):
http://www.roseliabrao.com/index.php?id=394
CPI das Privatizações deve ficar só no papel (16/12/2011):
http://www.band.com.br/noticias/brasil/noticia/?id=100000474812
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O livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr, que denuncia, com farta documentação, as falcatruas das privatizações realizadas durante o Governo Fernando Henrique Cardoso foi muito comentado nos últimos dias e a sua primeira edição já encontra-se esgotada.
A grande mídia, apoiadora das privatarias, naturalmente tem ignorado ou dado um destaque quase nulo à obra. É na blogosfera que o livro tem sido amplamente difundido.
Os blogueiros governistas, por sua vez, fizeram grande alarde do livro, sempre ocultando que em seu último capítulo consta descalabros na condução da campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Cobram também uma maior cobertura da grande mídia mas omitem que a mesma mídia não só se cala sobre os descalabros das Privatarias Petistas como as apóia.
Perguntada sobre a possibilidade de um CPI sobre as Privatarias, a Presidente Dilma Rousseff, deu a seguinte blefada:
"Eu acho que CPI se faz em caso extremo. Não vejo como eu poderia me manifestar sobre isso" [1]
O que seria mais extremo do que um livro com farta documentação e cujo jornalista venceu 34 processos contrários?
A verdade é que as candidaturas petistas ao Planalto são antiprivatistas apenas no período eleitoral para ganhar votos. Uma vez eleitos privatizam utilizando os mesmos métodos dos tucanos. Tem sido assim desde o primeiro mandato de Lula.
Na última semana, por exemplo, foi divulgado que os leilões dos aeroportos ocorrerão em 6 de fevereiro de 2012. E o Governo Dilma concederá os aeroportos com valores inferiores aos mínimos indicados pelo Tribunal de Contas da União:
"Em Brasília, o valor do preço mínino ficou em R$ 582 milhões. No caso de Cumbica, o governo fixou o preço mínimo em R$ 3,4 bilhões (R$ 400 milhões a menos do defendido pelo TCU). Já em Viracopos, o valor fixado foi de R$ 1,471 bilhão (o tribunal defendia R$ 1,7 bilhão)." [2]
Não bastasse isso a privatização dos aeroportos será regada a muito dinheiro público como deixou claro o Ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Wagner Bittencourt:
"Funciona assim: de cada R$ 100 investidos, R$ 70 virão do BNDES e de outras fontes de financiamento e R$ 30 dos sócios. Dos R$ 30, R$ 14,7 virão da Infraero (…) É o melhor negócio do mundo." [3]
Cabe lembrar que um dos argumentos dos governos (FHC, Lula e Dilma) para privatizar é a falta de recursos do Estado. Mas curiosamente o dinheiro, tão escasso quando as empresas são estatais, jorra quando as mesmas são privatizadas. Por aí se vê que o PT utiliza os mesmos métodos e argumentos do PSDB para promover as suas privatarias.
Não é atoa que a Presidente blefe diante da possibilidade de uma CPI das Privatarias Tucanas pois sabe que ela poderia, sem sobressaltos, desembocar nas Privatarias Petistas.
O acordão já está começando a se materializar. Na mesma entrevista em que Dilma blefou sobre a CPI ela ainda disse que deseja prosseguir as "relações civilizadas" que mantêm atualmente com o PSDB. [4]
É uma "civilidade" confirmada pelo deputado petista Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados, que disse aos tucanos que "não tem objeto, fato específico" para que a CPI seja instalada. [5]
A "civilidade" dos irmãos siameses, PT e PSDB, tem a adesão da grande mídia que silencia ou faz pouco caso de um fato extremamente grave. Essa troca de cortesias entre os senhores do poder só poderá ser quebrada pela pressão social dos de baixo.
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[1] Dilma diz que não leu A Privataria Tucana: "CPI se faz em caso extremo" (16/12/2011):
http://sul21.com.br/jornal/2011/12/dilma-diz-que-nao-leu-a-privataria-tucana-cpi-se-faz-em-caso-extremo/comment-page-1/#comment-30277
[2] Leilão de aeroportos de Cumbica, Viracopos e JK fica para 6 de fevereiro (15/12/2011):
http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/12/15/leilao-de-aeroportos-de-cumbica-viracopos-e-jk-fica-para-6-de-fevereiro/
[3] A farra da privatização dos aeroportos (23/10/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/10/farra-da-privatizacao-dos-aeroportos.html
[4] Privataria: Dilma diz que não leu e que CPI 'se faz em caso extremo' (16/12/2011):
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19225&alterarHomeAtual=1
[5] CPI da Privataria não deve sair do papel (19/12/2011):
http://www.roseliabrao.com/index.php?id=394
CPI das Privatizações deve ficar só no papel (16/12/2011):
http://www.band.com.br/noticias/brasil/noticia/?id=100000474812
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