No dia da liberdade de imprensa, Rádio Santa Marta é fechada no Rio de Janeiro. A grande mídia "livre" não deu um pio.
O Governo Lula fechou mais rádios comunitárias do que Fernando Henrique Cardoso. Dilma, por sua vez, parece disposta a seguir quebrando esse recorde. No último dia 3, a Rádio Santa Marta, mídia alternativa e comunitária que operava na zona sul do Rio, foi fechada pela Polícia Federal a mando da Anatel. Para piorar, seus comunicadores foram detidos. A grande mídia privada "livre" não deu um único pio. Liberdade na ótica dos tubarões da grande mídia, que demitem seus subordinados por delito de opinião, só vale para eles mesmos!
Rádio Santa Marta é fechada e comunicadores populares são detidos
Na manhã desta terça-feira (3/5), a rádio comunitária Santa Marta, localizada na comunidade de mesmo nome, em Botafogo, zona Sul do Rio, foi fechada em uma ação da Polícia Federal e da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL). Os agentes lacraram todos os equipamentos e levaram o transmissor. Rapper Fiell (Emerson Claudio Nascimento) e Antonio Carlos Peixe, os diretores da emissora, foram levados pelos agentes para as dependências da Polícia Federal, na Praça Mauá, Rio. Parece ironia, mas a ação repressora que fechou a rádio comunitária do morro carioca ocorreu no Dia Mundial de Liberdade de Imprensa, decretado pela ONU em 1993.
A rádio comunitária Santa Marta foi construída de forma coletiva por moradores de diversas comunidades. Por ser uma conquista dos trabalhadores, recebeu as doações de equipamentos para o seu funcionamento: computadores, móveis e cursos de capacitação para os locutores e colaboradores da rádio - todos moradores da favela Santa Marta. (Leia aqui http://migre.me/4qzzu). Os participantes da emissora estavam preparando toda a documentação para entrar com o pedido de autorização de funcionamento ao Ministério das Comunicações.
Rapper Fiell, um dos detidos na operação, é um atuante ativista do movimento social. Já lançou dois CDs e produziu um curta-metragem sobre o morro carioca: o 788. Este último foi ganhador de dois prêmios, um nacional e outro na Holanda. Faz rádio livre e comunicação popular há pouco mais de um ano. Ele é conhecido dos movimentos sociais por sua militância em defesa dos direitos dos trabalhadores e dos moradores de favelas. Em reconhecimento a seu trabalho, no dia 19 de abril ministrou aula para alunos do curso de Ciências Sociais da UFRJ, a convite do sociólogo Luiz Antonio Machado da Silva. Cultura da favela, hip hop e comunicação comunitária foram os temas da aula.
Essa não é a primeira vez que o militante é vítima da criminalização por parte do Estado. Em maio do ano passado, ele foi preso e espancado por policiais que invadiram o bar de seu sogro no morro Santa Marta e obrigaram os presentes a encerrar o tradicional pagode que ocorre no local. Na ocasião, Fiell pegou o microfone e começou a ler a lei do silêncio. Ao invés de pedirem para abaixar o som, os policiais saíram desligando tudo. "Depois disso, me deram voz de prisão, me arrastaram de cima do palco e começaram a me espancar", contou na época.
Foi para evitar esse e outros abusos de poder dos agentes das chamadas Unidades de Polícia "Pacificadora" (UPPs) que Fiell elaborou uma cartilha sobre abordagem policial. À época, o rapper e outros moradores já denunciavam a truculência da polícia no trato cotidiano com os moradores. Entidades de defesa dos direitos humanos e organizações populares se manifestam nesse momento contra a ação repressora da Polícia Federal e da Anatel, que vem se repetindo pelo Brasil inteiro e agora chega até o morro carioca, calando o espaço que ajudaram a construir para erguer sua voz.
Para baixar a cartilha: http://www.4shared.com/file/246779657/283a0d20/Cartilha_Popular__do_Santa_Mar.html
URL:: http://www.renajorp.net/radio-santa-marta-e-fechada-e-comunicadores-populares-sao-detidos/
Extraído do Centro de Mídia Independente:
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/05/490444.shtml
No dia da liberdade de imprensa, Rádio Santa Marta é fechada pela Polícia.
No dia mundial da liberdade de imprensa, Rádio Santa Marta é fechada pela Polícia Federal do Rio; Rapper Fiell e outra liderança são detidos
Segundo as primeiras informações, o Rapper Fiell (Emerson Claudio) e Antonio Carlos Peixe, que integram a Rádio Santa Marta Comunitária, estão sendo levados para a Polícia Federal na Praça Mauá, centro do Rio de Janeiro. A ação é de responsabilidade da Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel).
As informações dão conta de que o transmissor foi apreendido na manhã desta terça (3), mas não lacraram a Rádio, que é comunitária e tem amplo apoio do movimento social e da comunidade local.
Os que quiserem apoiar juridicamente Rapper Fiell devem ligar para o número de telefone (21) 7704-0912. Fiell e outro integrante, o 'Peixe', foram convocados a prestar depoimento na Polícia Federal, levados no camburão da PF.
A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado (ALERJ) já foi acionada, por meio do presidente da Comissão, o deputado Marcelo Freixo. O vereador Eliomar Coelho também já foi contactado.
A ação da Polícia Federal contra uma rádio livre ocorre em pleno "Dia Mundial da Liberdade de Imprensa".
URL:: http://www.consciencia.net
Extraído do Centro de Mídia Independente:
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/05/490443.shtml
Rádio Santa Marta é Fechada!
Rio de Janeiro, 04/05/2011
Informamos aos ouvintes que, na manhã do dia 3 de maio de 2011, a Rádio Comunitária Santa Marta foi fechada por agentes da Polícia Federal e da Anatel.
Como é de conhecimento geral, a rádio é comunitária e não tem fins lucrativos. Não vende programas e nem espaço para a propaganda. É mantida através de doações de amigos e dos próprios locutores, que trabalham de forma voluntária.
A Rádio Santa Marta não é pirata; é RÁDIO COMUNITÁRIA.
Apesar disso, o transmissor da rádio foi apreendido. Dois diretores foram levados para depor.
A liberdade de imprensa é um direito nosso. E como todo direito deve ser conquistado. No Brasil, para se ter uma rádio, é necessária uma concessão, que os trabalhadores nunca vão conseguir comprar.
Por isso, lutar pela legalização da Rádio Santa Marta é lutar pelos direitos dos trabalhadores da favela. O direito de produzir suas notícias e seu entretenimento sem depender da grande mídia.
Agradecemos as inúmeras manifestações de apoio que recebemos, e pedimos que continuem nos apoiando.
A rádio segue normalmente pela internet - www.radiosantamarta.com.br
Acompanhem a programação. Desejamos um feliz dia Mundial pela Liberdade de Imprensa.
Rádio Santa Marta - ouça aqui | No dia da liberdade de imprensa, Rádio Santa Marta é fechada pela Polícia | Rádio Santa Marta é fechada e comunicadores populares são detidos | "A voz do morro Santa Marta não deve ser calada"
Extraído do Centro de Mídia Independente:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/05/490469.shtml
"A voz do morro Santa Marta não deve ser calada"
Na primeira comunidade do Rio de Janeiro a ser atendida pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o morro Santa Marta, na zona sul carioca, uma rádio comunitária teve seu transmissor apreendido na tarde de ontem (03) pela Polícia Federal, sob o comando da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Impedida de transmitir sua programação na 103.3 FM, a Rádio Santa Marta instalou na manhã desta quarta-feira seu equipamento na entrada da comunidade e realizou sua programação na rua como ato de repúdio à ação que sofreu. Em entrevista ao Fazendo Media, Emerson Claudio Nascimento, mais conhecido como Rapper Fiell, locutor da rádio, diz que o projeto está incomodando ao organizar e passar informações ao povo. Segundo ele, houve uma censura por questões políticas e não técnicas.
De onde surgiu a necessidade da rádio comunitária?
A necessidade é óbvia né: o povo precisa da sua voz, precisa discutir os seus assuntos. E só uma rádio comunitária feita pela população local que vai possibilitar a esses debates e assuntos serem publicizados e discutidos. Em uma rádio comercial, infelizmente, os assuntos da favela não são discutidos. Quando são, é de forma vertical.
Como é a programação da Rádio Santa Marta?
É uma programação eclética, com mais de 20 programas aonde toda a diversidade cultural e política do morro está. É uma rádio comunitária plural, na qual o morador tem voz. A nossa ética da rádio sempre foi essa: de dentro para fora. Então montamos a grade e hoje a rádio é referência para o Brasil em termos de rádio comunitária.
E como é o tratamento em termos de serviços e informes?
Temos os programas específicos, como o matutino "Fala Zé", que é o informativo da Associação de Moradores, e no final de semana tem o programa "Olhares do Mundo", apresentado por mim e que discute vários assuntos do Santa Marta, do Rio, do Brasil e do mundo. Durante a programação os informes vão chegando e todos os programas vão publicizando, então a parte jornalística da rádio vai sendo alimentada conforme vai chegando no nosso e-mail.
Como você vê essa ação de ontem? É uma questão mais técnica ou política?
É política, a censura é moldar a voz do povo. Imagina o povo com voz. Hoje o Santa Marta há 8 meses fala dos seus problemas locais, do seu povo, divulga a música do artista local, e nesse tempo conseguimos unir toda uma diversidade de gerações. Hoje a população liga para a rádio, participa, fala do seu aniversário, da sua festa, enfim. Isso incomoda a imprensa hegemônica, que realmente não gosta quando o povo se organiza e tenta também ter direito à comunicação.
Fiell tocando o programa Conexão Periferia, da Rádio Santa Marta, com o melhor do rap nacional. Foto: Dorlene Meireles/Grupo ECO.
Você pode fazer um relato do que aconteceu ontem? Qual foi o argumento apresentado?
Não teve argumento, o argumento era vir para fechar a rádio comunitária. Não teve mandato, nenhum documento formal com o nosso endereço, então foi irregular a ação. Só que a Anatel vem junto da Polícia Federal, então imagina qualquer morador de favela se for falar o contrário da polícia: vai ser autuado como desacato à autoridade.
Infelizmente prenderam o nosso transmissor, e me levaram junto com o outro locutor. O transmissor custa perto de R$ 6mil, só que o nosso foi doado, teve a participação do Marcelo Yuka e da ONG Promundo. A rádio vive de solidariedade, para quitar os débitos fazemos festas e contamos com a ajuda do povo. Não só dos moradores, mas de qualquer outro morador da cidade que tem solidariedade a esse projeto. Todos os locutores também contribuem com o que podem, então a rádio sobrevive dos amigos da rádio e da população do Santa Marta.
Depois do ocorrido, o que ficou determinado a partir de hoje?
A gente tem que ter uma outorga. Eles falaram que temos que correr atrás de uma liminar para poder botar a rádio no ar de novo na 103.3 FM. Desde ontem o povo já sentiu a falta, procurou a sintonia e encontrou um vazio. Hoje estamos aqui na primeira estação do bondinho (plano inclinado no Santa Marta), e a rádio está ao vivo na rua em repúdio a essa ação da Anatel junto com a Polícia Federal, que foi ilegal. Infelizmente a gente fica triste, numa favela que está com a UPP e poderia dar realmente voz aos moradores você se depara com essa ação.
Como está a formalização da rádio, vocês têm caminhado nesse sentido?
A burocracia para a rádio comunitária é vasta, então é preciso uma diretoria, uma fundação de uma associação de radiodifusão, cinco entidades dentro da favela para poder montar o conselho fiscal, então tudo isso é para você não ter uma rádio. Já conseguimos tudo isso, agora a gente está encaminhando a documentação para Brasília, mas ainda não deu tempo. O processo é lento, e precisa de muita coisa para um rádio comunitária que não tem fins lucrativos. Nenhum pastor é dono da rádio Santa Marta, não tem ninguém partidário, enfim, a rádio é do povo e pelo povo.
Como foi a conversa ontem?
Só prenderam o transmissor na Polícia Federal e a gente foi prestar depoimento do que estamos fazendo na rádio, quem somos nós, e etc. Só quem se prejudica foi a população do Santa Marta, porque não vai ficar sabendo dos seus assuntos que estão acontecendo agora como a falta de água e o esgoto a céu aberto jorrando com um fedor danado. Enfim, só a rádio pode falar isso de forma que atinja todo mundo nas suas casas.
O transmissor só vai sair de lá com uma liminar. Estamos juntos com uns advogados e os movimentos sociais para entendermos como funciona isso e buscarmos uma solução. Não vamos parar, estamos fazendo a rádio na rua e vamos rodar o morro inteiro em forma de protesto contra a Anatel. Faremos toda a semana, vai ser direto. A rádio funciona normalmente na internet, está sendo transmitido agora no www.radiosantamarta.com.br . A galera pode mandar alguma vinheta para a gente se solidarizando, no e-mail radiosmarta@gmail.com , que a gente vai tocar. E agradecemos todo o apoio da mídia alternativa, dos movimentos sociais e do povo do Santa Marta, que está assinando um abaixo assinado, e de todos os colaboradores.
URL:: http://www.fazendomedia.com
Extraído do Centro de Mídia Independente:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/05/490447.shtml
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sábado, 7 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
Governo Tarso concede isenções fiscais à Braskem
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Enquanto o governo gaúcho pede paciência aos servidores e aos trabalhadores escorado no argumento do déficit das finanças públicas do Estado, por outro concede aumentos vigorosos aos apadrinhados políticos e anuncia benefícios fiscais para as grandes empresas.
Em medidas que lembram o trágico Governo Yeda, o Governo Tarso aplica o "inevitável" ajuste fiscal apenas no andar de baixo. Para os amigos e as classes dominantes as torneiras estão sempre abertas.
Braskem vai investir R$ 300 milhões no RS
Após algumas semanas de negociações que envolveram as secretarias da Fazenda e de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, a Braskem garantiu ao governador Tarso Genro que investirá R$ 300 milhões na duplicação da produção de butadieno no Polo Petroquímico de Triunfo. O produto é a matéria-prima utilizada na indústria de pneus e de borrachas em geral, oportunizando o crescimento da cadeia de elastômeros no Estado.
A confirmação foi feita pelo vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, Marcelo Lyra, e pelo membro do Conselho de Administração, Alfredo Tellechea, durante reunião ocorrida hoje no Palácio Piratini.
"A decisão, que ainda precisará ser ratificada pelo Conselho de Administração da empresa, foi influenciada pela visão estratégica do Governo visando o crescimento do Estado e está alinhada com o compromisso da Braskem com o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul", afirmou Lyra.
O Governo do Estado garantiu a isenção de ICMS na importação de máquinas e equipamentos que não sejam produzidos no Rio Grande do Sul e que cheguem ao Brasil por portos gaúchos. Além disso, não cobrará impostos sobre máquinas e equipamentos adquiridos de empresas gaúchas e autorizou a Braskem a pagar fornecedores do Estado com parte dos créditos.
"Nossa equipe agiu com muita responsabilidade. Os incentivos que estamos concedendo trarão benefícios na geração de emprego e renda, mas também para toda uma cadeia produtiva gaúcha que terá privilégios na venda de máquinas e equipamentos para a Braskem. Desta forma, nós valorizamos e beneficiamos outras regiões", ressaltou o governador Tarso Genro.
Extraído de:
http://www.ultimoinstante.com.br/setores-da-economia/setor-petroquimica/40213-Braskem-vai-investir-300-milhes.html
Também disponível no site da Braskem sob o título "Governo do Estado garante investimento de R$ 300 milhões da Braskem":
http://www.braskem.com.br/site/portal_braskem/pt/sala_de_imprensa/sala_de_imprensa_detalhes_10510.aspx
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Enquanto o governo gaúcho pede paciência aos servidores e aos trabalhadores escorado no argumento do déficit das finanças públicas do Estado, por outro concede aumentos vigorosos aos apadrinhados políticos e anuncia benefícios fiscais para as grandes empresas.
Em medidas que lembram o trágico Governo Yeda, o Governo Tarso aplica o "inevitável" ajuste fiscal apenas no andar de baixo. Para os amigos e as classes dominantes as torneiras estão sempre abertas.
Braskem vai investir R$ 300 milhões no RS
Notícia publicada às: 29/03/2011 18:41
Após algumas semanas de negociações que envolveram as secretarias da Fazenda e de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, a Braskem garantiu ao governador Tarso Genro que investirá R$ 300 milhões na duplicação da produção de butadieno no Polo Petroquímico de Triunfo. O produto é a matéria-prima utilizada na indústria de pneus e de borrachas em geral, oportunizando o crescimento da cadeia de elastômeros no Estado.
A confirmação foi feita pelo vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, Marcelo Lyra, e pelo membro do Conselho de Administração, Alfredo Tellechea, durante reunião ocorrida hoje no Palácio Piratini.
"A decisão, que ainda precisará ser ratificada pelo Conselho de Administração da empresa, foi influenciada pela visão estratégica do Governo visando o crescimento do Estado e está alinhada com o compromisso da Braskem com o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul", afirmou Lyra.
O Governo do Estado garantiu a isenção de ICMS na importação de máquinas e equipamentos que não sejam produzidos no Rio Grande do Sul e que cheguem ao Brasil por portos gaúchos. Além disso, não cobrará impostos sobre máquinas e equipamentos adquiridos de empresas gaúchas e autorizou a Braskem a pagar fornecedores do Estado com parte dos créditos.
"Nossa equipe agiu com muita responsabilidade. Os incentivos que estamos concedendo trarão benefícios na geração de emprego e renda, mas também para toda uma cadeia produtiva gaúcha que terá privilégios na venda de máquinas e equipamentos para a Braskem. Desta forma, nós valorizamos e beneficiamos outras regiões", ressaltou o governador Tarso Genro.
Extraído de:
http://www.ultimoinstante.com.br/setores-da-economia/setor-petroquimica/40213-Braskem-vai-investir-300-milhes.html
Também disponível no site da Braskem sob o título "Governo do Estado garante investimento de R$ 300 milhões da Braskem":
http://www.braskem.com.br/site/portal_braskem/pt/sala_de_imprensa/sala_de_imprensa_detalhes_10510.aspx
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segunda-feira, 25 de abril de 2011
O casamento e o real
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.Fosse a Inglaterra um país indesejado pelas classes dominantes capitalistas globais o casamento do princípe William e de Kate Middleton estaria sendo duramente questionado, o fato de ainda persistir por aquela terra uma realeza seria apontado como uma aberração anacrônica detestável que deveria ser varrida da face da terra para todo o sempre e a ostentação em meio ao aumento da precariedade da vida da maioria do povo com os cortes do governo seriam contrastados e evidenciados repetidamente até a exaustão.
A postura da mídia terceiro-mundista, e em particular a brasileira, é exatamente o oposto de tudo isso. O casamento real é apresentado como um "conto de fadas" a ser venerado e invejado pelas mulheres de todo o mundo, a ostentação é celebrada como parte desse "sonho" e o casal tem o seu suposto lado "simples" destacado. Apelam à emoção para fugir à razão!
O casamento real permitiu às classes dominantes inglesas desviar um pouco o foco de sua atual política de ataques a classe trabalhadora de seu país. O governo britânico, após socorrer os banqueiros e grandes empresários [1], está promovendo agora um corte de 81 bilhões de libras (130 bilhões de dólares) [2] que afetará as áreas sociais, a previdência, os serviços públicos e promoverá o desemprego de meio milhão de pessoas.[3] Não foi por acaso que no último dia 26 de março uma multidão tomou as ruas de Londres em protesto.
De acordo com economistas o casamento real poderá incrementar até 620 milhões de libras na economia britânica.[4] É uma quantia insignificante perto do corte profundo que certamente arruinará o casamento de muitos trabalhadores daquele país. Mesmo assim as classes dominantes da metrópole e seus subservientes nas semi-colônias falam como se isto fosse salvar a economia e a situação da classe trabalhadora inglesa.
Por outro lado o primeiro ministro, David Cameron, garantiu que seu governo não promoverá cortes de verbas para o casamento do príncipe.[5] É verdade que o pacote do governo chegou a atingir algumas extravagâncias da Rainha Elizabeth, principalmente no ano passado. Mas nem se compara com a patrola que está aniquilando o padrão de vida dos trabalhadores ingleses que cada vez mais mergulham em uma pobreza "Vitoriana".[6] Enquanto isso, em 2009, a Rainha chegou ao ponto de ter que pedir mais dinheiro ao governo, além do que já recebe por ano, para cobrir seus gastos.[7]
A monarquia, ao invés de questionada, é festejada por sua suposta "abertura" à modernidade. Claro, questionar a realeza significa ir nas raízes do arranjo político que manteve essa classe parasitária no interior da sociedade. E isso será constrangedor, ainda mais em se tratando de um país "modelo".
Foi há mais de 300 anos, precisamente em 1688, que um golpe de Estado arquitetado pela filha (Maria II), o genro (Guilherme), a encorpada burguesia e setores da nobreza derrubou o Rei Jaime II e foi estabelecido um acordão que permitiu à burguesia legitimar o seu modelo de sociedade através das instituições políticas ao mesmo tempo em que manteve acomodada a realeza parasitária. O golpe de Estado recebeu o pomposo nome de "Revolução Gloriosa".
Os dirigentes estadunidenses, após a guerra de independência, no século XVIII, muito zombaram do regime inglês pela manutenção da realeza. Hoje, em pleno século XXI, assistimos nossas classes dominantes, como bons súditos colonizados obedientes, festejar a suposta "modernização" de uma instituição social questionada por homens de séculos passados. Os republicados ingleses, que defendem a abolição da nobreza, já sentiram o impacto da "modernidade real": eles tiveram um pedido de realizar um ato no dia do casamento negado pelas autoridades. Aos afobados de plantão cabe a ressalva de que os republicanos ingleses são tão socialistas quanto o eram os estadunidenses do século XVIII.
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[1] Inglaterra anuncia pacote de até US$ 1 trilhão
"O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown anunciou nesta quarta-feira que seu governo pretende colocar nada menos que cerca de US$ 1 trilhão, montante equivalente a um terço da produção econômica anual britânica, estará potencialmente à disposição dos oito principais bancos do país." (Diário do Pará, 09/10/2008)
http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-6368-INGLATERRA+ANUNCIA+PACOTE+DE+ATE+US$+1+TRILHAO.html
Governo britânico lança 2º pacote de ajuda a bancos (19/01/2009):
http://www.estadao.com.br/noticias/economia,governo-britanico-lanca-2-pacote-de-ajuda-a-bancos,309313,0.htm
Governo britânico deve anunciar novo pacote econômico
"O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, deve anunciar nesta semana um novo plano de resgate bancário, segundo o jornal britânico The Daily Telegraph. Este seria o terceiro pacote do governo britânico na atual crise financeira. Ainda de acordo com a edição desta segunda-feira do Daily Telegraph, o novo resgate seria de 500 bilhões de libras (730 bilhões de dólares)." (Veja Online, 23/02/2009):
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/governo-britanico-deve-anunciar-novo-pacote-economico
[2] Manifestantes entram em confronto com a polícia em Londres (24/11/2010)
http://m.estadao.com.br/noticias/internacional,manifestantes-entram-em-confronto-com-a-policia-em-londres,644684.htm
Milhares de britânicosdes protestam em Londres contra cortes do governo (26/03/2011):
http://www.portugues.rfi.fr/europa/20110326-milhares-de-britanicos-protestam-em-londres-contra-cortes-do-governo?quicktabs_2=1
[3] Austeridade no Reino Unido cria 500 mil desempregados (10/06/2010):
http://aeiou.expresso.pt/austeridade-no-reino-unido-cria-500-mil-desempregados=f587542
Governo britânico anuncia maior pacote de austeridade do pós-guerra (20/10/2010):
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6133092,00.html
[4] Casamento real injetará R$ 1,6 bi na economia do Reino Unido (24/04/2011):
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/906484-casamento-real-injetara-r-16-bi-na-economia-do-reino-unido.shtml
[5] Governo britânico não economizará em festa de casamento do príncipe William, diz primeiro-ministro (06/02/2011):
http://noticias.r7.com/internacional/noticias/governo-britanico-nao-economizara-em-festa-de-casamento-do-principe-william-diz-primeiro-ministro-20110206.html
[6] Pobreza "Vitoriana" na Inglaterra (21/12/2009):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2009/12/pobreza-vitoriana-na-inglaterra.html
[7] Custo da família real britânica chega quase a R$ 133 mi ao ano (29/06/2009):
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,custo-da-familia-real-britanica-chega-quase-a-r-133-mi-ao-ano,394832,0.htm
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.Fosse a Inglaterra um país indesejado pelas classes dominantes capitalistas globais o casamento do princípe William e de Kate Middleton estaria sendo duramente questionado, o fato de ainda persistir por aquela terra uma realeza seria apontado como uma aberração anacrônica detestável que deveria ser varrida da face da terra para todo o sempre e a ostentação em meio ao aumento da precariedade da vida da maioria do povo com os cortes do governo seriam contrastados e evidenciados repetidamente até a exaustão.
A postura da mídia terceiro-mundista, e em particular a brasileira, é exatamente o oposto de tudo isso. O casamento real é apresentado como um "conto de fadas" a ser venerado e invejado pelas mulheres de todo o mundo, a ostentação é celebrada como parte desse "sonho" e o casal tem o seu suposto lado "simples" destacado. Apelam à emoção para fugir à razão!
O casamento real permitiu às classes dominantes inglesas desviar um pouco o foco de sua atual política de ataques a classe trabalhadora de seu país. O governo britânico, após socorrer os banqueiros e grandes empresários [1], está promovendo agora um corte de 81 bilhões de libras (130 bilhões de dólares) [2] que afetará as áreas sociais, a previdência, os serviços públicos e promoverá o desemprego de meio milhão de pessoas.[3] Não foi por acaso que no último dia 26 de março uma multidão tomou as ruas de Londres em protesto.
De acordo com economistas o casamento real poderá incrementar até 620 milhões de libras na economia britânica.[4] É uma quantia insignificante perto do corte profundo que certamente arruinará o casamento de muitos trabalhadores daquele país. Mesmo assim as classes dominantes da metrópole e seus subservientes nas semi-colônias falam como se isto fosse salvar a economia e a situação da classe trabalhadora inglesa.
Por outro lado o primeiro ministro, David Cameron, garantiu que seu governo não promoverá cortes de verbas para o casamento do príncipe.[5] É verdade que o pacote do governo chegou a atingir algumas extravagâncias da Rainha Elizabeth, principalmente no ano passado. Mas nem se compara com a patrola que está aniquilando o padrão de vida dos trabalhadores ingleses que cada vez mais mergulham em uma pobreza "Vitoriana".[6] Enquanto isso, em 2009, a Rainha chegou ao ponto de ter que pedir mais dinheiro ao governo, além do que já recebe por ano, para cobrir seus gastos.[7]
A monarquia, ao invés de questionada, é festejada por sua suposta "abertura" à modernidade. Claro, questionar a realeza significa ir nas raízes do arranjo político que manteve essa classe parasitária no interior da sociedade. E isso será constrangedor, ainda mais em se tratando de um país "modelo".
Foi há mais de 300 anos, precisamente em 1688, que um golpe de Estado arquitetado pela filha (Maria II), o genro (Guilherme), a encorpada burguesia e setores da nobreza derrubou o Rei Jaime II e foi estabelecido um acordão que permitiu à burguesia legitimar o seu modelo de sociedade através das instituições políticas ao mesmo tempo em que manteve acomodada a realeza parasitária. O golpe de Estado recebeu o pomposo nome de "Revolução Gloriosa".
Os dirigentes estadunidenses, após a guerra de independência, no século XVIII, muito zombaram do regime inglês pela manutenção da realeza. Hoje, em pleno século XXI, assistimos nossas classes dominantes, como bons súditos colonizados obedientes, festejar a suposta "modernização" de uma instituição social questionada por homens de séculos passados. Os republicados ingleses, que defendem a abolição da nobreza, já sentiram o impacto da "modernidade real": eles tiveram um pedido de realizar um ato no dia do casamento negado pelas autoridades. Aos afobados de plantão cabe a ressalva de que os republicanos ingleses são tão socialistas quanto o eram os estadunidenses do século XVIII.
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[1] Inglaterra anuncia pacote de até US$ 1 trilhão
"O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown anunciou nesta quarta-feira que seu governo pretende colocar nada menos que cerca de US$ 1 trilhão, montante equivalente a um terço da produção econômica anual britânica, estará potencialmente à disposição dos oito principais bancos do país." (Diário do Pará, 09/10/2008)
http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-6368-INGLATERRA+ANUNCIA+PACOTE+DE+ATE+US$+1+TRILHAO.html
Governo britânico lança 2º pacote de ajuda a bancos (19/01/2009):
http://www.estadao.com.br/noticias/economia,governo-britanico-lanca-2-pacote-de-ajuda-a-bancos,309313,0.htm
Governo britânico deve anunciar novo pacote econômico
"O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, deve anunciar nesta semana um novo plano de resgate bancário, segundo o jornal britânico The Daily Telegraph. Este seria o terceiro pacote do governo britânico na atual crise financeira. Ainda de acordo com a edição desta segunda-feira do Daily Telegraph, o novo resgate seria de 500 bilhões de libras (730 bilhões de dólares)." (Veja Online, 23/02/2009):
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/governo-britanico-deve-anunciar-novo-pacote-economico
[2] Manifestantes entram em confronto com a polícia em Londres (24/11/2010)
http://m.estadao.com.br/noticias/internacional,manifestantes-entram-em-confronto-com-a-policia-em-londres,644684.htm
Milhares de britânicosdes protestam em Londres contra cortes do governo (26/03/2011):
http://www.portugues.rfi.fr/europa/20110326-milhares-de-britanicos-protestam-em-londres-contra-cortes-do-governo?quicktabs_2=1
[3] Austeridade no Reino Unido cria 500 mil desempregados (10/06/2010):
http://aeiou.expresso.pt/austeridade-no-reino-unido-cria-500-mil-desempregados=f587542
Governo britânico anuncia maior pacote de austeridade do pós-guerra (20/10/2010):
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6133092,00.html
[4] Casamento real injetará R$ 1,6 bi na economia do Reino Unido (24/04/2011):
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/906484-casamento-real-injetara-r-16-bi-na-economia-do-reino-unido.shtml
[5] Governo britânico não economizará em festa de casamento do príncipe William, diz primeiro-ministro (06/02/2011):
http://noticias.r7.com/internacional/noticias/governo-britanico-nao-economizara-em-festa-de-casamento-do-principe-william-diz-primeiro-ministro-20110206.html
[6] Pobreza "Vitoriana" na Inglaterra (21/12/2009):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2009/12/pobreza-vitoriana-na-inglaterra.html
[7] Custo da família real britânica chega quase a R$ 133 mi ao ano (29/06/2009):
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,custo-da-familia-real-britanica-chega-quase-a-r-133-mi-ao-ano,394832,0.htm
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quarta-feira, 6 de abril de 2011
A história das coisas
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Vídeo que aborda, de forma bem didática, o modo de funcionamento do sistema capitalista com os seus respectivos impactos sociais e ambientais.
http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E
Vídeo que aborda, de forma bem didática, o modo de funcionamento do sistema capitalista com os seus respectivos impactos sociais e ambientais.
http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E
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domingo, 3 de abril de 2011
Bradley Manning e os "valores estadunidenses"
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Há poucos dias o mundo assistiu a um discurso do Presidente Barack Obama onde este evocava a defesa dos "valores estadunidenses" para justificar a intervenção imperialista na Líbia. [1]
Tais valores seriam os direitos humanos, as liberdades individuais e a democracia; itens os quais os Estados Unidos, nas palavras dos seus sucessivos dirigentes, seriam os campeões da defesa e da prática.
O que Obama supostamente defende e cobra no plano externo - já que é preciso lembrar que os Estados Unidos são amigos de muitos regimes que não praticam tais valores - não se verifica muito no plano interno. Pelo menos é o que atesta explicitamente o caso do jovem soldado de 23 anos, Bradley Manning.
Manning está preso desde julho de 2010 sob a acusação de "conluio com o inimigo". [2]
Qual conluio? Ele é suspeito de vazar documentos para o Wikileaks onde constam crimes de guerra e embaraços comprometedores da diplomacia internacional. Ele teria sido também o responsável por divulgar um vídeo onde soldados estadunidenses assassinaram civis iraquianos desarmados - crianças inclusive!
Mas se estas são as acusações que pesam sob os ombros de Manning quem seria o inimigo com o qual ele estaria em conluio? Tal inimigo seria o direito de acesso a informação? Seria a verdade dos fatos que o regime, "modelo a ser seguido", quer esconder?
Fosse Bradley Manning soldado de um regime inimigo dos Estados Unidos certamente assistiríamos a discursos inflamados de Obama e Hillary Clinton em defesa deste que seria um "herói dos direitos humanos" que teria tido a "coragem de denunciar os excessos de um regime bárbaro que havia praticado crimes contra a humanidade" e estariam em campanha internacional por um "Nobel da Paz" ao jovem.
Mas como não é o caso, assistimos a P.J. Crowley, porta-voz de Hillary Clinton, ser forçado a pedir demissão após criticar a tortura a qual havia sido submetido o jovem soldado na prisão. Crowley não criticou a prisão, pois a defende, mas os excessos. Ele se deu conta, minimamente, da contradição constrangedora do discurso do império com a sua prática:
"Meus comentários tiveram a intenção de chamar atenção para o impacto maior e estratégico de ações das agências de segurança nacional em nossa liderança global"
(...)
"O exercício do poder no ambiente atual de desafios e de uma mídia persistente deve ser prudente e coerente com nossas leis e valores." [3]
Obama, que durante a campanha eleitoral chegou a dar declarações de repúdio aos tratamentos dados a prisioneiros sob responsabilidade dos Estados Unidos e prometeu providências, considerou "apropriado" o tratamento dado a Manning na prisão.
"Eu perguntei ao Pentágono se os procedimentos de confinamento (de Manning) são apropriados ou não e se estão de acordo com as novas normas básicas. Eles me asseguraram que estão". [4]
A organização estadunidense Aclu, que defende os direitos civis, revelou quais são as condições "apropriadas" do prisioneiro, em carta enviada ao Secretário da Defesa, Robert Gates:
"Escrevemos ao senhor para expressar nossa grande preocupação com as condições desumanas em que está detido o soldado Bradley Manning na prisão militar de Quantico"
(...)
"A Suprema Corte estabeleceu que o governo viola a VIII emenda da Constituição proibindo castigos cruéis e não habituais quando ''inflige um sofrimento arbitrário e sem motivo''
(...)
"Nenhuma razão legítima justifica deixar Bradley Manning (...) em isolamento sem qualquer atividade, privado de sono, com as inspeções multiplicadas durante a noite, sem a possibilidade de se exercitar, mesmo em sua cela, e sem seus óculos para que não possa ler"
(...)
O Pentágono "não tem mais motivo legítimo para exigir que o soldado Manning que fique totalmente nu, de pernas afastadas, com as genitais expostas diante dos guardas e agentes presentes" (...) "O real objetivo de um tratamento como esse é humilhar e traumatizar". [5]
Manning encontra-se em tal situação sem que tenha sido sequer condenado. Se for, pode pegar prisão perpétua. Mas houve até quem, na "terra da liberdade", chegou a defender a aplicação da pena capital - a qual de fato ele corria o risco de ser sentenciado.
O jovem soldado não é o único a ter os supostos "valores estadunidenses" violados. Recentemente 35 pessoas foram presas na Virgínia por fazer um ato em solidariedade a ele, evento que reuniu 400 pessoas. Entre os presos estavam Daniel Ellsberg, que vazou os "Papeis do Pentágono" durante a guerra do Vietnã, e Ann Wright, Coronel que se opôs a invasão do Iraque. [6]
O país que mantém um preso político, encarcerado sem condenação e torturado, reprime a liberdade de opinião e expressão; busca convencer o mundo de que está invadindo países para exportar seus "nobres" valores. Acredita quem quer e apóia quem se beneficia!
Abaixo segue o vídeo, que teria sido divulgado por Manning, sobre um crime de guerra praticado pelo exército dos Estados Unidos no Iraque:
http://www.youtube.com/watch?v=5rXPrfnU3G0&has_verified=1&oref=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fverify_age%3Fnext_url%3Dhttp%253A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%253Fv%253D5rXPrfnU3G0%2526has_verified%253D1
________________________________________________________________
[1] Triste ironia da História: recolonização da África é estabelecida por um líder negro (28/03/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/03/ironia-da-historia-recolonizacao-da.html
[2] Bradley Manning é acusado de 'conluio com o inimigo' (03/03/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/03/bradley-manning-e-acusado-de-conluio.html
[3] Porta-voz de Hillary renuncia após críticas a caso WikiLeaks (14/03/2011):
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/888264-porta-voz-de-hillary-renuncia-apos-criticas-a-caso-wikileaks.shtml
[4] Comentários afastam assessor de Hillary (14/03/2011):
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110314/not_imp691583,0.php
Obama defende tratamento dado a suspeito do WikiLeaks na prisão (11/03/2011):
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/887411-obama-defende-tratamento-dado-a-suspeito-do-wikileaks-na-prisao.shtml
[5] WikiLeaks: denunciada más condições de prisão de soldado (16/03/2011):
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4996957-EI8141,00-WikiLeaks+denunciada+mas+condicoes+de+prisao+de+soldado.html
[6] Wikileaks: 35 presos em protesto a favor de Bradley Manning nos EUA (23/03/2011):
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/WIKILEAKS+35+PRESOS+EM+PROTESTO+A+FAVOR+DE+BRADLEY+MANNING+NOS+EUA_10661.shtml
AFP: Trinta pessoas presas durante manifestação pró-soldado do WikiLeaks (21/04/2011):
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gIa9Xs_VWy6GKjYt_lzJDh-n9Olw?docId=CNG.ebde7defc38231277e5314d8eb0d2c60.161
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Há poucos dias o mundo assistiu a um discurso do Presidente Barack Obama onde este evocava a defesa dos "valores estadunidenses" para justificar a intervenção imperialista na Líbia. [1]
Tais valores seriam os direitos humanos, as liberdades individuais e a democracia; itens os quais os Estados Unidos, nas palavras dos seus sucessivos dirigentes, seriam os campeões da defesa e da prática.
O que Obama supostamente defende e cobra no plano externo - já que é preciso lembrar que os Estados Unidos são amigos de muitos regimes que não praticam tais valores - não se verifica muito no plano interno. Pelo menos é o que atesta explicitamente o caso do jovem soldado de 23 anos, Bradley Manning.
Manning está preso desde julho de 2010 sob a acusação de "conluio com o inimigo". [2]
Qual conluio? Ele é suspeito de vazar documentos para o Wikileaks onde constam crimes de guerra e embaraços comprometedores da diplomacia internacional. Ele teria sido também o responsável por divulgar um vídeo onde soldados estadunidenses assassinaram civis iraquianos desarmados - crianças inclusive!
Mas se estas são as acusações que pesam sob os ombros de Manning quem seria o inimigo com o qual ele estaria em conluio? Tal inimigo seria o direito de acesso a informação? Seria a verdade dos fatos que o regime, "modelo a ser seguido", quer esconder?
Fosse Bradley Manning soldado de um regime inimigo dos Estados Unidos certamente assistiríamos a discursos inflamados de Obama e Hillary Clinton em defesa deste que seria um "herói dos direitos humanos" que teria tido a "coragem de denunciar os excessos de um regime bárbaro que havia praticado crimes contra a humanidade" e estariam em campanha internacional por um "Nobel da Paz" ao jovem.
Mas como não é o caso, assistimos a P.J. Crowley, porta-voz de Hillary Clinton, ser forçado a pedir demissão após criticar a tortura a qual havia sido submetido o jovem soldado na prisão. Crowley não criticou a prisão, pois a defende, mas os excessos. Ele se deu conta, minimamente, da contradição constrangedora do discurso do império com a sua prática:
"Meus comentários tiveram a intenção de chamar atenção para o impacto maior e estratégico de ações das agências de segurança nacional em nossa liderança global"
(...)
"O exercício do poder no ambiente atual de desafios e de uma mídia persistente deve ser prudente e coerente com nossas leis e valores." [3]
Obama, que durante a campanha eleitoral chegou a dar declarações de repúdio aos tratamentos dados a prisioneiros sob responsabilidade dos Estados Unidos e prometeu providências, considerou "apropriado" o tratamento dado a Manning na prisão.
"Eu perguntei ao Pentágono se os procedimentos de confinamento (de Manning) são apropriados ou não e se estão de acordo com as novas normas básicas. Eles me asseguraram que estão". [4]
A organização estadunidense Aclu, que defende os direitos civis, revelou quais são as condições "apropriadas" do prisioneiro, em carta enviada ao Secretário da Defesa, Robert Gates:
"Escrevemos ao senhor para expressar nossa grande preocupação com as condições desumanas em que está detido o soldado Bradley Manning na prisão militar de Quantico"
(...)
"A Suprema Corte estabeleceu que o governo viola a VIII emenda da Constituição proibindo castigos cruéis e não habituais quando ''inflige um sofrimento arbitrário e sem motivo''
(...)
"Nenhuma razão legítima justifica deixar Bradley Manning (...) em isolamento sem qualquer atividade, privado de sono, com as inspeções multiplicadas durante a noite, sem a possibilidade de se exercitar, mesmo em sua cela, e sem seus óculos para que não possa ler"
(...)
O Pentágono "não tem mais motivo legítimo para exigir que o soldado Manning que fique totalmente nu, de pernas afastadas, com as genitais expostas diante dos guardas e agentes presentes" (...) "O real objetivo de um tratamento como esse é humilhar e traumatizar". [5]
Manning encontra-se em tal situação sem que tenha sido sequer condenado. Se for, pode pegar prisão perpétua. Mas houve até quem, na "terra da liberdade", chegou a defender a aplicação da pena capital - a qual de fato ele corria o risco de ser sentenciado.
O jovem soldado não é o único a ter os supostos "valores estadunidenses" violados. Recentemente 35 pessoas foram presas na Virgínia por fazer um ato em solidariedade a ele, evento que reuniu 400 pessoas. Entre os presos estavam Daniel Ellsberg, que vazou os "Papeis do Pentágono" durante a guerra do Vietnã, e Ann Wright, Coronel que se opôs a invasão do Iraque. [6]
O país que mantém um preso político, encarcerado sem condenação e torturado, reprime a liberdade de opinião e expressão; busca convencer o mundo de que está invadindo países para exportar seus "nobres" valores. Acredita quem quer e apóia quem se beneficia!
Abaixo segue o vídeo, que teria sido divulgado por Manning, sobre um crime de guerra praticado pelo exército dos Estados Unidos no Iraque:
http://www.youtube.com/watch?v=5rXPrfnU3G0&has_verified=1&oref=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fverify_age%3Fnext_url%3Dhttp%253A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%253Fv%253D5rXPrfnU3G0%2526has_verified%253D1
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[1] Triste ironia da História: recolonização da África é estabelecida por um líder negro (28/03/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/03/ironia-da-historia-recolonizacao-da.html
[2] Bradley Manning é acusado de 'conluio com o inimigo' (03/03/2011):
http://blogdomonjn.blogspot.com/2011/03/bradley-manning-e-acusado-de-conluio.html
[3] Porta-voz de Hillary renuncia após críticas a caso WikiLeaks (14/03/2011):
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/888264-porta-voz-de-hillary-renuncia-apos-criticas-a-caso-wikileaks.shtml
[4] Comentários afastam assessor de Hillary (14/03/2011):
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110314/not_imp691583,0.php
Obama defende tratamento dado a suspeito do WikiLeaks na prisão (11/03/2011):
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/887411-obama-defende-tratamento-dado-a-suspeito-do-wikileaks-na-prisao.shtml
[5] WikiLeaks: denunciada más condições de prisão de soldado (16/03/2011):
http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4996957-EI8141,00-WikiLeaks+denunciada+mas+condicoes+de+prisao+de+soldado.html
[6] Wikileaks: 35 presos em protesto a favor de Bradley Manning nos EUA (23/03/2011):
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticia/WIKILEAKS+35+PRESOS+EM+PROTESTO+A+FAVOR+DE+BRADLEY+MANNING+NOS+EUA_10661.shtml
AFP: Trinta pessoas presas durante manifestação pró-soldado do WikiLeaks (21/04/2011):
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gIa9Xs_VWy6GKjYt_lzJDh-n9Olw?docId=CNG.ebde7defc38231277e5314d8eb0d2c60.161
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sábado, 2 de abril de 2011
Wikileaks: Brasil no Haiti e o mito da política externa progressista
Depois de ventilar a possibilidade de reincluir Aristide na política haitiana, diplomacia brasileira cedeu e mudou o tom a pedido das oligarquias locais.[*] Mais uma vez fica desmascarada a propaganda governista de uma política externa progressista.
Haiti: Como o Brasil se voltou contra Aristide
Posted on 14/01/2011 by Natalia Viana
Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência para assuntos internacionais do governo Lula – visto em geral como adversário pelos EUA – foi fundamental na posição firme do Brasil em apoiar o governo haitiano que sucedeu à queda de Jean-Bertrand Aristide.
Telegramas publicados hoje pelo WikiLeaks mostram que ele foi o principal articulador da determinação brasileira em evitar um retorno de Aristide ao país.
Garcia visitou o país em novembro de 2004, reunindo-se com políticos, religiosos, ativistas e representantes de organizações internacionais, que o fizeram mudar de ideia.
Ele teria viajado pensando que Aristide poderia ser um interlocutor político.
Segundo o seu assessor, Marcel Biato, que também esteve no país, Garcia voltou com a impressão de que Aristide um “gângster”, envolvido em ilegalidades e que chegava até a “encomendar assassinatos pelo celular”, relata um telegrama enviado em 22 de novembro de 2004. Para ele, Aristide não deveria retornar à política haitiana “sob nenhuma circunstância”.
Biato teria afirmado que Aristide devia ser “exorcizado”, se possível por alguma forma de julgamento no país. Para Biato, “a grande questão estratégica é como criar uma esperança para o futuro entre os haitianos que não seja ligada a Aristide.”
Biato concluiu ainda que “a avaliação altamente negativa de Aristide está sendo ouvida por Lula e outras autoridades do alto escalão do governo”, o que seria levbado em conta na decisão sobre o envio de um emissário “informal” do governo para encontrar Aristide na África do Sul, ond estava exilado.
A possibilidade estava sendo ventilada dentro do governo.
Mas Biato avalia que, pelo contrário, o governo brasileiro deveria ligar para o então presidente sul-africano, Thabo Mbeki, para “expressar preocupação sobre a aparente liberdade que Aristide goza ao incitar violência e provocações desde seu enclave na África do Sul”
Mantendo Aristide fora do país
Outro embaixador que expressou oposição forte à influência de Aristide foi Antônio Patriota, atual chanceler brasileiro.
Para ele, a “mera existência de Aristide será sempre problemática em termos da sua influência em alguns elementos da sociedade haitiana, por mais que a comunidade internacional trabalhe para isolá-lo”, descreve um documento de 10 de junho de 2005.
Ele disse ainda que era importante incluir no diálogo político integrantes do partido Lavalas, (ao qual pertencia o presidente deposto) que quisessem “deixar Aristide para trás”.
Em 19 de agosto de 2005, Celso Amorim reclama ao embaixador Danilovich sobre as verbas americanas para projetos humanitários que deveriam se seguir aos ataques “robustos” da Minustah contra as gangs na capital do país.
Citando críticas de ONGs sobre o risco de “danos colaterais a civis inerentes a quaisquer operações deste tipo”, Amorim disse ser necessário “contrabalancear reações negativas com uma mensagem forte que focasse na assistência e estabilidade que a MINUSTAH e a comunidade internacional estão tentando trazer ao Haiti.
Ciclo vicioso
Em outra reunião, em 7 de fevereiro de 2007, com o representante político da embaixada Dennis Hearne, Amorim expressou que o Brasil estava no Haiti como um “compromisso de longo termo”.
Ele tria afirmado que o Haiti tinha um novo governo, e por isso era imperativo para a comunidade internacional evitar o “ciclo vicioso” de não doar recursos a um governo que “não é perfeito”, levando a uma situação em que “o governo e o país não poderão nunca melhorar a ponto de merecer receber doações”, diz um telegrama de 1 de março daquele ano.
Como o Iraque
Em fevereiro de 2009, o então subsecretário para assuntos políticos do Itamaraty, embaixador Everton Vargas, disse ao ex-embaixador americano, Clifford Sobel, que o Haiti “está sempre na mente de Amorim”.
Para ele, era importante garantir uma sucessão pacífica do governo de René Perval, o presidente que assumiu após o golpe. “Não não podemos ficar lá para sempre”, teria dito, de acordo com um telegrama de 21 de fevereiro de 2009.
A semelhança entre a fala do embaixador brasileiro e a retórica americana com relação à ocupação do Iraque não foi notada por Sobel.
Mas não deixou de ser notada por Marco Aurélio Garcia, em reunião com o representante político da embaixada Dennis Hearne em 9 de junho de 2005.
Perguntado se o governo brasileiro estava preocupado se mortes de soldados brasileiros poderiam gerar uma reação popular que afetaria a missão brasileira no Haiti, ele teria respondido que “até mesmo uma baixa brasileira” poderia causar turbulência.
“Garcia disse que a situação não é diferente da dos EUA no Iraque, e observou que o governo dos EUA não tem permitido a publicação de imagens de corpos de soldados mortos pela mídia”, diz o telegrama, de 10 de junho de 2005.
Extraído de:
http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2011/01/14/haiti-como-o-brasil-se-voltou-contra-aristide/
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[*] Brasil se diz preocupado com retorno de Aristide (21/01/2011):
"Em 2005, o governo Lula elaborou um plano para trazer Aristide de volta ao cenário político do Haiti, mas foi dissuadido pela elite haitiana e pela ONU.
(...)
Pelo plano, Frei Betto, então assessor especial de Lula, seria enviado à África do Sul para encontrar Aristide.
Porém, antes disso, o também assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, viajou ao Haiti para fazer contatos informais.
(...)
Após se reunir com o governo, com a elite haitiana e com funcionários da ONU, ele saiu do Haiti descrevendo Aristide como "um gângster" que "ordena assassinatos por telefone celular" e que deveria ser julgado."
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/863920-brasil-se-diz-preocupado-com-retorno-de-aristide.shtml
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Haiti: Como o Brasil se voltou contra Aristide
Posted on 14/01/2011 by Natalia Viana
Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência para assuntos internacionais do governo Lula – visto em geral como adversário pelos EUA – foi fundamental na posição firme do Brasil em apoiar o governo haitiano que sucedeu à queda de Jean-Bertrand Aristide.
Telegramas publicados hoje pelo WikiLeaks mostram que ele foi o principal articulador da determinação brasileira em evitar um retorno de Aristide ao país.
Garcia visitou o país em novembro de 2004, reunindo-se com políticos, religiosos, ativistas e representantes de organizações internacionais, que o fizeram mudar de ideia.
Ele teria viajado pensando que Aristide poderia ser um interlocutor político.
Segundo o seu assessor, Marcel Biato, que também esteve no país, Garcia voltou com a impressão de que Aristide um “gângster”, envolvido em ilegalidades e que chegava até a “encomendar assassinatos pelo celular”, relata um telegrama enviado em 22 de novembro de 2004. Para ele, Aristide não deveria retornar à política haitiana “sob nenhuma circunstância”.
Biato teria afirmado que Aristide devia ser “exorcizado”, se possível por alguma forma de julgamento no país. Para Biato, “a grande questão estratégica é como criar uma esperança para o futuro entre os haitianos que não seja ligada a Aristide.”
Biato concluiu ainda que “a avaliação altamente negativa de Aristide está sendo ouvida por Lula e outras autoridades do alto escalão do governo”, o que seria levbado em conta na decisão sobre o envio de um emissário “informal” do governo para encontrar Aristide na África do Sul, ond estava exilado.
A possibilidade estava sendo ventilada dentro do governo.
Mas Biato avalia que, pelo contrário, o governo brasileiro deveria ligar para o então presidente sul-africano, Thabo Mbeki, para “expressar preocupação sobre a aparente liberdade que Aristide goza ao incitar violência e provocações desde seu enclave na África do Sul”
Mantendo Aristide fora do país
Outro embaixador que expressou oposição forte à influência de Aristide foi Antônio Patriota, atual chanceler brasileiro.
Para ele, a “mera existência de Aristide será sempre problemática em termos da sua influência em alguns elementos da sociedade haitiana, por mais que a comunidade internacional trabalhe para isolá-lo”, descreve um documento de 10 de junho de 2005.
Ele disse ainda que era importante incluir no diálogo político integrantes do partido Lavalas, (ao qual pertencia o presidente deposto) que quisessem “deixar Aristide para trás”.
Em 19 de agosto de 2005, Celso Amorim reclama ao embaixador Danilovich sobre as verbas americanas para projetos humanitários que deveriam se seguir aos ataques “robustos” da Minustah contra as gangs na capital do país.
Citando críticas de ONGs sobre o risco de “danos colaterais a civis inerentes a quaisquer operações deste tipo”, Amorim disse ser necessário “contrabalancear reações negativas com uma mensagem forte que focasse na assistência e estabilidade que a MINUSTAH e a comunidade internacional estão tentando trazer ao Haiti.
Ciclo vicioso
Em outra reunião, em 7 de fevereiro de 2007, com o representante político da embaixada Dennis Hearne, Amorim expressou que o Brasil estava no Haiti como um “compromisso de longo termo”.
Ele tria afirmado que o Haiti tinha um novo governo, e por isso era imperativo para a comunidade internacional evitar o “ciclo vicioso” de não doar recursos a um governo que “não é perfeito”, levando a uma situação em que “o governo e o país não poderão nunca melhorar a ponto de merecer receber doações”, diz um telegrama de 1 de março daquele ano.
Como o Iraque
Em fevereiro de 2009, o então subsecretário para assuntos políticos do Itamaraty, embaixador Everton Vargas, disse ao ex-embaixador americano, Clifford Sobel, que o Haiti “está sempre na mente de Amorim”.
Para ele, era importante garantir uma sucessão pacífica do governo de René Perval, o presidente que assumiu após o golpe. “Não não podemos ficar lá para sempre”, teria dito, de acordo com um telegrama de 21 de fevereiro de 2009.
A semelhança entre a fala do embaixador brasileiro e a retórica americana com relação à ocupação do Iraque não foi notada por Sobel.
Mas não deixou de ser notada por Marco Aurélio Garcia, em reunião com o representante político da embaixada Dennis Hearne em 9 de junho de 2005.
Perguntado se o governo brasileiro estava preocupado se mortes de soldados brasileiros poderiam gerar uma reação popular que afetaria a missão brasileira no Haiti, ele teria respondido que “até mesmo uma baixa brasileira” poderia causar turbulência.
“Garcia disse que a situação não é diferente da dos EUA no Iraque, e observou que o governo dos EUA não tem permitido a publicação de imagens de corpos de soldados mortos pela mídia”, diz o telegrama, de 10 de junho de 2005.
Extraído de:
http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com/2011/01/14/haiti-como-o-brasil-se-voltou-contra-aristide/
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[*] Brasil se diz preocupado com retorno de Aristide (21/01/2011):
"Em 2005, o governo Lula elaborou um plano para trazer Aristide de volta ao cenário político do Haiti, mas foi dissuadido pela elite haitiana e pela ONU.
(...)
Pelo plano, Frei Betto, então assessor especial de Lula, seria enviado à África do Sul para encontrar Aristide.
Porém, antes disso, o também assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, viajou ao Haiti para fazer contatos informais.
(...)
Após se reunir com o governo, com a elite haitiana e com funcionários da ONU, ele saiu do Haiti descrevendo Aristide como "um gângster" que "ordena assassinatos por telefone celular" e que deveria ser julgado."
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/863920-brasil-se-diz-preocupado-com-retorno-de-aristide.shtml
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segunda-feira, 28 de março de 2011
Triste ironia da História: recolonização da África é estabelecida por um líder negro
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Utilizando palavras que lembram o seu antecessor, George W. Bush, Barack Obama afirma a prevalência, nem que seja pela força, dos "valores" estadunidenses e anuncia a neocolonização da África, através da intervenção na Líbia. Triste ironia da História: é uma liderança negra que estabelece a recolonização da África.
"Conscientes dos riscos e custos de uma ação militar, somos naturalmente reticentes ao uso da força para resolver os problemas mundiais, mas quando nossos interesses e nossos valores são ameaçados, temos a responsabilidade de agir. (...) É isto o que ocorre na Líbia", disse Obama.[*]
Quais seriam "os valores ameaçados" dos estadunidenses na Líbia? É um discurso que lembra, em muito, os governantes dos países imperialistas na Primeira Guerra Mundial. Mas Obama chega a declarar abertamente que há "interesses" de seu país "ameaçados" na Líbia. Mais claro do que isso impossível!
Para completar Obama agitou a questão da democracia e ressaltou que "há gerações os Estados Unidos têm um papel único na segurança mundial e na defesa da liberdade".
Se colocadas soltas e se perguntasse quem seria o autor de tais frases, certamente a maioria iria responder: George W. Bush! Poucos imaginariam ter saído da boca do "Nobel da Paz" (tsc!), do negro que ascendeu socialmente e serviu de propaganda para o status quo manter a maioria dos negros explorados com a esperança, vã, de que também podem "chegar lá!"
Além da retomada do projeto neocolonial deve-se começar a discutir a problemática da simples "inclusão" dos excluídos em uma estrutura social injusta e exploradora. Inclusão não pode e não deve ser confundida com emancipação. Não basta dar a oportunidade para que os setores explorados possam se apossar um momento do chicote para deitá-lo na sequência nas costas dos demais explorados. É preciso buscar a emancipação dos explorados, o que só será possível em outra formação societária. O discurso pós-moderno, fragmentando a luta social em sujeitos, teve como horizonte a simples inclusão de tais sujeitos na ordem vigente. Devem estar contentes com a triste ironia histórica da recolonização africana estar sendo liderada por um negro "incluído".
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[*] Obama não quer repetir erros do Iraque na Líbia (28/03/2011):
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Mundo&newsID=a3255643.xml
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Utilizando palavras que lembram o seu antecessor, George W. Bush, Barack Obama afirma a prevalência, nem que seja pela força, dos "valores" estadunidenses e anuncia a neocolonização da África, através da intervenção na Líbia. Triste ironia da História: é uma liderança negra que estabelece a recolonização da África.
"Conscientes dos riscos e custos de uma ação militar, somos naturalmente reticentes ao uso da força para resolver os problemas mundiais, mas quando nossos interesses e nossos valores são ameaçados, temos a responsabilidade de agir. (...) É isto o que ocorre na Líbia", disse Obama.[*]
Quais seriam "os valores ameaçados" dos estadunidenses na Líbia? É um discurso que lembra, em muito, os governantes dos países imperialistas na Primeira Guerra Mundial. Mas Obama chega a declarar abertamente que há "interesses" de seu país "ameaçados" na Líbia. Mais claro do que isso impossível!
Para completar Obama agitou a questão da democracia e ressaltou que "há gerações os Estados Unidos têm um papel único na segurança mundial e na defesa da liberdade".
Se colocadas soltas e se perguntasse quem seria o autor de tais frases, certamente a maioria iria responder: George W. Bush! Poucos imaginariam ter saído da boca do "Nobel da Paz" (tsc!), do negro que ascendeu socialmente e serviu de propaganda para o status quo manter a maioria dos negros explorados com a esperança, vã, de que também podem "chegar lá!"
Além da retomada do projeto neocolonial deve-se começar a discutir a problemática da simples "inclusão" dos excluídos em uma estrutura social injusta e exploradora. Inclusão não pode e não deve ser confundida com emancipação. Não basta dar a oportunidade para que os setores explorados possam se apossar um momento do chicote para deitá-lo na sequência nas costas dos demais explorados. É preciso buscar a emancipação dos explorados, o que só será possível em outra formação societária. O discurso pós-moderno, fragmentando a luta social em sujeitos, teve como horizonte a simples inclusão de tais sujeitos na ordem vigente. Devem estar contentes com a triste ironia histórica da recolonização africana estar sendo liderada por um negro "incluído".
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[*] Obama não quer repetir erros do Iraque na Líbia (28/03/2011):
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